7 de março de 2016

Resenha: Quarto

Título Original: Room
Editora: Verus*
Autor: Emma Donoghue
ISBN: 987-85-7686-131-7
Ano de Publicação/Edição: 2011/2015
Páginas: 350
Avaliação: ★★★★★
Sinopse: Para Jack, um esperto menino de 5 anos, o quarto é o único mundo que conhece. É onde ele nasceu e cresceu, e onde vive com sua mãe, enquanto eles aprendem, leem, comem, dormem e brincam. À noite, sua mãe o fecha em segurança no guarda-roupa, onde ele deve estar dormindo quando o velho Nick vem visitá-la. O quarto é a casa de Jack, mas, para sua mãe, é a prisão onde o velho Nick a mantém há sete anos. Com determinação, criatividade e um imenso amor maternal, a mãe criou ali uma vida para Jack. Mas ela sabe que isso não é suficiente, para nenhum dos dois. Então, ela elabora um ousado plano de fuga, que conta com a bravura de seu filho e com uma boa dose de sorte. O que ela não percebe, porém, é como está despreparada para fazer o plano funcionar.

 Jack nasceu dentro de um mundo exclusivamente seu e de sua amada Mãe, que assim é chamada por ele e assim a conhecemos. Inocente e criativo, Jack não sabe absolutamente nada sobre o que é a vida real, já que juntamente a sua mãe ele vive no Quarto.

 Acontece que, há 7 anos, quando saia do colégio, sua mãe foi sequestrada pelo Velho Nick (como ambos chamam-o) e mantida em cativeiro num quarto com isolamento acústico, uma porta que só pode ser aberta com códigos e apenas um claraboia para saber que o mundo lá fora ainda vive. Foi "graças" aos abusos sexuais diários do Velho Nick que ela engravidou de Jack e deu a luz ali mesmo, sozinha. 

 Narrado na visão inocente de um garoto, a autora se cuidou a escrever e descrever a forma exata como a mente de Jack trabalha, com raciocínios rápidos desconcertantes e palavras erradas. Isso também ameniza as atrocidades de uma realidade tão dura. O ambiente é mísero e as condições de vida precária, ainda que o Velho Nick tente "por panos quentes" sobre a situação com os "presentes de Domingo".

 A Mãe é um exemplo fantástico do que é possível o amor de uma mãe para o seu filho, capaz de abdicar do seu bem estar para o dele, mesmo em circunstâncias que uma pessoa facilmente chegaria ao seu limite. Ela tratou de educar o garoto, dá-lo uma rotina de exercícios físicos num espaço tão pequeno e, principalmente, isolá-lo tanto do Velho Nick quanto das verdades mostradas na TV. 

"— Onde a gente fica quando está dormindo?
Ouvi ela bocejar. — Aqui mesmo.
— Mas os sonhos — esperei. — Eles são da TV? — Ela continuou sem responder. — A gente entra na televisão pra sonhar?
— Não. Nunca estamos em nenhum outro lugar senão aqui — ela disse, com uma voz que soou muito distante."
Página 61

 Com Jack cada dia mais velho e a curiosidade aflorando, a mãe bola um plano para se livrar de vez daquele casulo, mesmo que isso possa custa tanto sua vida quanto do amado Jack

 Simplório, tocante e anestesiante, Quarto tem o dom de nos emocionar, fazer sorrir com a pureza de uma criança e nos aterrorizar com o tamanho de verdade que há sobre um contexto tão vivo. Infelizmente sabemos que casos do tipo não são exclusividade da ficção, então é inevitável trata-lo como tal.

 O livro tem duas partes (imaginárias) bem distintas: em uma somos totalmente atentados a conhecer a história e os motivos que levaram a chegar a tal. Na segunda parte a obra cai o ritmo e passa a ser mais racional que emocional. Perde um pouco o brilho mas não decai em qualidade. 

 Uma história cativante, tocante e forte, Quarto consegue carregar sua dramaticidade de forma única, sem perder a essência da inocência de um narrador de 5 anos de idade descobrindo o mundo (seja no Quarto ou no Lá Fora).

Nota: Quarto foi adaptado (uma excelente adaptação, diga-se de passagem) para os cinemas como "O Quarto de Jack", foi indicado à 4 Oscars e ganhou na categoria de melhor atriz com Brie Larson no papel de Joy (nome que não é dito no livro).


*Parceria: Grupo Editorial Record, Selo Verus

5 comentários:

  1. Olá, Carlos. Estou com esse livro para ler aqui em casa e muito ansiosa pois só vejo falar bem. Pela sua resenha, percebi que você gostou bastante e isso me deixa feliz. Adoro livros de drama e esse me chamou muito a atenção pela premissa e a verossimilhança com alguns casos reais, como você bem pontuou em sua resenha. Além disso, nunca li nenhum enredo desse tipo, muito inovador e não é a toa que foi adaptado para o cinema, deve ser uma estória bem tocante, enfim...

    Muito boa resenha, me deixou mais curiosa.

    Beijos, Hel - Leituras & Gatices

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    Respostas
    1. Vale muito a pena a expectativa, cumpre o que promete. Confira, quero ver sua opinião sobre ele.

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  2. Olá Carlos!
    Eu também gostei muito do livro. Agora estou super curiosa para ver o filme.
    Bjs

    EntreLinhas Fantásticas - SORTEIOS NO BLOG! PARTICIPE :)

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  3. Uma curiosidade bem legal do filme é que o roteiro foi escrito pela própria autora! Bom que não deve ter mudanças muito drásticas, né?

    Beijos,
    Giulia | www.1livro1filme.com.br

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  4. Eu até pensei em ler Quarto, mas preferi me contentar com a sua adaptação pro cinema, porque sofreria demais lendo a história, quando poderia diminuir isso em 2 horas de filme. #fracaconfessa
    Porém histórias, sejam no cinema ou na literatura, que exploram tormento psicológico ainda na visão inocente de uma criança me são sempre .
    http://semfloreio.blogpot.com

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