2 de fevereiro de 2016

Resenha: Os Três Encontros

Autor: Rúbia Dias
Editora: Publicação Independente
Ano: 2015
Páginas: 99
Avaliação: ★★★★★❤️
Sinopse: Virgínia fazia sempre as mesmas perguntas para o Universo. O único problema é que ela não se lembrava que havia feito as mesmas perguntas antes. Ela mal se lembrava de quem era, de onde vinha ou porque morava com uma jovem menina chamada Sofia. E, de qualquer forma, o Universo - com seu chapéu e sobretudo da cor do céu - nunca se dava ao trabalho de respondê-la. Virgínia se encontrava com o Universo, assim como também se encontrou com o Tempo e com o Destino em situações, no mínimo, enigmáticas, e cheias de aventuras e descobertas. Foram três encontros que mudaram a vida de Virgínia irremediavelmente. Aliás, mudaram também a vida da jovem menina chamada Sofia, que, ao contrário de Virgínia, nunca se esquecia das conversas que tinha. Virgínia precisa montar um grande quebra-cabeça, recolhendo informações incompletas em seus encontros com cada Entidade, decifrando os mistérios do Universo, lidando com a teimosia do Tempo e buscando no Destino as respostas que nunca chegam. Ah, mas quando elas, as respostas, chegam, nada será como era antes.

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 Com certeza, em algum momento de sua vida, você já fez inúmeras perguntas ao universo, querendo respostas para sua aflição. Com Virgínia não era diferente. O seu mundo particular sempre foi instável. Apesar de ser uma mulher jovem e inteligente, um vazio preenche cada célula de seu corpo.

"Virgínia participava disso tudo sem estar conectada a nada. Sentia um vazio por dentro que era, ao mesmo tempo, indescritível e inatingível. Algo palpitava dentro do seu coração, deixando-a melancólica, mas ela não sabia explicar de onde vinha esse sentimento ou por que se alojava nela."
Página 9

 Descobrimos intuitivamente que a vida de Virgínia sofreu um grande impacto quando ela passou a conviver com uma garotinha chamada Sofia. Ela não lembra como, quando ou onde conheceu a garota e muito menos o que ela faz em sua vida, mas sabe que ela está diretamente conectada ao seu passado.

 O enredo inicia-se quando Virgínia é desperta em uma praia, num lugar inóspito, com a presença apenas do Universo (transfigurado em forma de um homem com chapéu e sobretudo). Ela não o reconhece mas já é visível que aquele não é o primeiro encontro entre eles.

 Cada dia mais afastadas, Virgínia e Sofia recebem uma visita do Universo, que as transportam para um lugar onde todas as perguntas mais desesperadas delas começarão a ser respondidas: A casa do Tempo, detentor de todos os livros já criados e os que virão a ser, ampulhetas, relógios e muito mais.

"De todos os mistérios da vida, um dos mais difíceis de decifrar é o Tempo. Ele não volta, não se antecipa, não se adianta nem se atrasa: é uma entidade acima e além de todas as coisas, não se deixa moldar, torcer ou enganar. É racional e imperativo. E mesmo que desejemos nos tornar seu amigo, no fundo sabemos  que isso é impossível. Esperamos, um amigo que nos escute e nos atenda, e nos ajude de vez em quando, mas o Tempo não escuta, não atende e não ajuda ninguém. Não é sua função. Sua função é fazer com que o mundo não pare de girar."
Página 50

 A partir daí a fantasia aflora significativamente dando corpo ao enredo e ramificações que tornam tudo possível.

 A obra é metafórica! 

 Dividido em 4 atos (partes), vemos no livro a personificação do Universo, do Tempo e do Destino de forma esplendorosa! Nós conhecemos um universo passivo e calmo, um tempo inteligente e severo e um destino complacente e disposto a ajudar sempre que necessário. Definitivamente não são personalidades recebidas aleatoriamente, mas sim predispostas de acordo com o que as ações deles são realmente sentidas na pele.


 Virgínia é uma pessoa que te torna, inconscientemente, empático. É aquela personagem que cativa, nos faz sofrer junto e nos faz querer descobrir cada vez mais os mistérios que a história nos conta. Seu relacionamento com Sofia, por exemplo, é algo que apenas conseguimos compreender de fato quando o Destino (ou A Destino?) resolve se meter na história.

 O final também fugiu ao que imaginava e isso foi muito bom. Muito reflexivo, sentimental e cativante, Os Três Encontros superou as expectativas, trazendo grandes lições de vida a ser tiradas.

 O livro da vida está em suas mãos. Cabe a você escrever sua trajetória dentro dele.

3 comentários:

  1. me deu uma paz ler essa resenha! o livro parece ser bem reflexivo, do tipo que você lê um capítulo e pensa como aquilo se representa na sua vida.
    achei a indicação muito válida e fiquei com vontade de explorar!
    beijos.

    http://sushibaiano.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Oi Susan! Aqui é autora do livro. Fico muito contente que tenha despertado seu interesse e garanto que você vai gostar muito da leitura! Obrigada!

      Ruh Dias
      perplexidadesilencio.blogspot.com

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  2. Que livrin diferente, já fiquei curiosa por isso. Não sei leria porque essas histórias sentimentais às vezes tendem a me agradar bastante e às vezes me enjoam no mesmo nível. Não foi pra lista de prioridades, mas não desperdiçaria se uma oportunidade de lê-lo surgisse.
    http://semfloreio.blogspot.com

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