28 de fevereiro de 2016

Resenha: Holy Cow

Título Completo: Holy Cow: Uma Fábula Animal
Editora: Record*
Autor: David Duchovny
ISBN: 987-85-01-10688-9
Ano: 2015
Páginas: 208
Avaliação: ★★★
Sinopse: Elsie Bovary é uma vaca muito feliz em sua bovinidade. Até o dia que resolve sair sorrateiramente do pasto e se vê atraída pela casa da fazenda. Através da janela, observa a família do fazendeiro reunida em volta de um Deus Caixa luminoso – e o que o Deus Caixa revela sobre algo chamado “fazenda industrial” deixa Elsie e tudo o que ela sabia sobre seu mundo de pernas para o ar. A única saída? Fugir para um mundo melhor e mais seguro. Assim, um grupo para lá de heterogêneo é formado: Elsie; Shalom, um porco rabugento que acaba de se converter ao judaísmo; e Tom, um peru tranquilão que não sabe voar, mas que com o bico consegue usar um iPhone como ninguém. Munidos de passaportes falsos e disfarçados de seres humanos, eles fogem da fazenda e é aí que a aventura deles alça voo – literalmente. As criaturas carismáticas de David Duchovny indicam o caminho para um entendimento e uma aceitação mútuos dos quais esse planeta tanto precisa.

 Elsie Bovary é uma adolescente como outra qualquer. É... nem tanto. O simples fato de Elsie ser uma vaca já difere sua estória de qualquer outra. Dona de uma personalidade forte, Elsie é simples, alegre e sentimental. Leva uma vida tranquila na fazenda com sua BFF (Best Friend Forever) Malory, tem sua fase de descobertas amorosas com os "meninos" e sua relação amistosa com os humanos (mas sem entender muito o que se passa na cabeça deles diante de algumas atitudes que para nós são absolutamente normais).

 Contudo sua vida e visão de mundo mudaria drasticamente após o que ela viu e ouviu do Deus Caixa (ou simplesmente uma TV): O verdadeiro destino (mercadologicamente falando) de porcos, frangos, galinhas, peixes e vários outros animais, inclusive e principalmente as vacas!

"O Deus Caixa estava falando com as pessoas. [...] Se vocês, pessoas, acham que as ovelhas são silenciosas, deviam dar uma olhada em si mesmas quando estão rezando para o Deus Caixa — todas passivas e babando. Parecia que cada integrante da família queria idolatrar um deus diferente. A menina queria venerar o deus Nickelodeon, o pai queria adorar o deus ESPN, o mais velho e desagradável queria cultuar a deusa Playboy ou o deus Showtime, ao passo que a mãe estava feliz com o deus Discovery. [...] Que deus é esse que, ao invés de juntar as pessoas, as separa?"
Página 65

 Sua missão passa ser fugir da fazenda e cruzar o mundo em busca de um lugar melhor. Juntando forças com Shalom, um porco judaico e Tom, um peru capaz de utilizar um iPhone até melhor que um humano conectado na rede, Elsie vai viver aventuras que ela jamais imaginou. 

 A obra é irônica, principalmente no que diz respeito as atitudes e pensamentos de Elsie. Suas divagações (como ela mesma faz questão de falar) são a essência da estória, dando ao livro a sensação de "diário de bordo de uma vaca louca". O bom humor é inevitável.


 Altamente crítico em relação a hábitos, costumes e características sociais humanas, algo que o autor fez questão de deixar bem explicito na maior parte do tempo. A relação dos homens para com a natureza em si também é algo que o autor explora massivamente em sua trama, de forma indireta ou direta.  

"Bem, eu nunca daria a um humano a honra de ser chamado de animal porque os animais podem até matar para viver mas não vivem para matar. Os humanos vão precisar reconquistar o direito de ser chamados de animais."
Página 58

 Onde estão os pontos negativos da obra: primeiro foi quando senti que houve um declínio no ritmo e do envolvimento da leitura a partir do momento que a história de Elsie vai se desenrolando no "pós-fazenda". Shalom e Tom não são personagens tão cativantes quanto ela e Malory eram, o que impactou significativamente. 

 Em suma, Holy Cow é um livro curto, imprevisível até certo ponto e que pode sim arrancar bons risos e nos fazer refletir. Os altos e baixos da leitura me incomodaram mas são fatos que não interferiram na leitura.


*Parceria: Grupo Editorial Record, Selo Record

5 comentários:

  1. Quando comecei a ler o post achei que fosse ser algo no estilo A Revolução dos Bichos, mas pelo visto difere muito, né? Pela sua resenha, vou adorar o livro! :)

    Beijos,
    Giulia | www.1livro1filme.com.br

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    1. Me lembrou bastante mas é um tanto abaixo em termos críticos e de história em si.

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  2. Olá, Carlos!
    Como a Giulia do comentário acima, também vi algumas semelhanças com "A revolução dos bichos" mas pela sua resenha acho que não é tão crítico assim.
    Mas achei, mesmo assim, a premissa do livro muito legal, tenho ainda vontade de ler. Parece ser uma narrativa leve e divertida e eu não costumo ler livros assim, preciso!

    Beijos, Hel - Leituras & Gatices

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    Respostas
    1. É muito divertido, vale a pena conferir. Há sim suas semelhanças com "A Revolução dos Bichos" mas mais pelo estilo da obra que por sua história em si. Não é tão incrível quanto.

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  3. Me interessei só pela semelhança do livro A revolução dos bichos! Eu amo esse livro e com certeza vou gostar de ler esse tbm :3
    http://b-uscandosonhos.blogspot.com.br/

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