2 de novembro de 2015

Resenha: A Rainha da Neve

Título Original: The Snow Queen
Autor: Michael Cunningham
Editora: Bertrand Brasil
Ano: 2015
Páginas: 252
ISBN: 978-85-286-2031-3
Avaliação: ★★
Sinopse: Barrett Meeks, que acabou de perder mais um amor, está à deriva. Ao atravessar o Central Park, ele se vê repentinamente inspirado a erguer os olhos para o céu, onde uma luz pálida e translúcida parece encará-lo de uma forma nitidamente divina. Ao mesmo tempo, seu irmão mais velho Tyler, músico viciado em drogas, tenta em vão escrever uma canção de amor para sua noiva, Beth, que está gravemente doente. Barrett, assombrado por aquela luz, inesperadamente recorre à religião. Tyler, por sua vez, se convence cada vez mais de que apenas as drogas serão capazes de dar vazão à sua verve criativa mais profunda. E enquanto Beth tenta encarar a morte com o máximo de coragem possível, sua amiga Liz, uma mulher mais velha — cínica, porém perversamente maternal —, lhe oferece ajuda. Guiados pela narrativa sublime de Michael Cunnningham, acompanhamos Barrett, Tyler, Beth e Liz à medida que trilham caminhos definitivamente distintos em sua busca coletiva pela transcendência.

 Ele viu uma luz. Barrett Meeks está saindo de mais um relacionamento amoroso frustrado (terminado da maneira mais injusta - por SMS!) e, foi neste mesmo período, que ele enxerga, no céu, uma inexplicável luz direcionada à ele. Mais ninguém observou aquilo e, logico, qualquer pessoa que ele contasse o julgaria como louco.

 Enquanto isso, o irmão de Barrett, Tyler segue sua sina: uma vida monótona regada a drogas e a cuidar do seu grande amor, Beth, que tem uma gravíssima doença. Ele ainda nutre a esperança de escrever uma canção que faça juz a ela, a tempo. E dessa maneira a estória discorre. 

 A forma que o autor desenvolve seu estilo de escrita me surpreendeu, já que é o primeiro contato que tenho com obras dele. A escrita é detalhadíssima, no qual ele busca analisar as cenas por todos os possíveis ângulos e entendimentos. Seu estilo tragicômico também agrada. 

"E talvez — talvez — o amor surja. E permaneça. Pode acontecer. Não existe qualquer motivo óbvio para a indocilidade do amor [...]. Tudo tem a ver com paciência. Não? Paciência e a recusa a perder a esperança. A recusa a deixar intimidar por, digamos, um texto de despedida de cinco linhas."
Página 107

 Mas então, o que justifica essa nota? Primeiro quesito foi o fato de A Rainha da Neve não conseguir me afeiçoar em nenhum momento, seja com a estória ou seja, principalmente com os personagens. O texto não apresenta pontos de alteração de "clima", deixando a narrativa estável o tempo inteiro e isso me incomoda bastante. 

 Em outras palavras, o enredo tornou-se maçante (para mim), sem um grande "booom" que fizesse a expectativa sobre a condução da história voltar. Com isso, em alguns momentos precisei voltar páginas para recapitular o que havia lido, o que tornou a leitura bem mais demorada que os esperado. 

 Contudo, tenho total consciência de que o livro não é ruim, mas reforço que não rolou a química entre nós. Uma obra excessivamente reflexiva e sensível, que retrata bem as relações humanas.



Parceria: Grupo Editorial Record (Selo Bertrand Brasil)

6 comentários:

  1. Olá!
    Gostei da resenha, só por ela já notei que também não é meu tipo de livro :(

    EntreLinhas Fantásticas

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    Respostas
    1. Definitivamente é um livro "ame-o ou deixe-o". Eu consegui ler até o fim pois a curiosidade foi maior.

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  2. Oi Carlos,

    Estes dias vi este livro e fiquei me perguntando se valeria a pena lê-lo. Um dos meus livros preferidos é o "As Horas", deste mesmo autor, e fiquei curiosíssima para ler alguma outra coisa dele. Mas agora, lendo sua resenha, meus medos se confirmaram, pois meu receio era esse mesmo, do livro ser linear demais. Ótima resenha.

    Se você quiser ler outra coisa do Michael Cunningham, falei um pouco sobre o "As Horas" no meu blog. Lá ele também faz este detalhamento sob vários pontos-de-vista, mas o enredo não é linear. Se quiser xeretar, aqui está: http://perplexidadesilencio.blogspot.com/2015/09/sugestao-de-leitura-as-horas-de-michael.html

    Abraços e sucesso.
    Ruh Dias
    perplexidadesilencio.blogspot.com

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    Respostas
    1. Eu fiquei curioso com o livro "As Horas", já que quando procurei sobre o autor sempre mencionavam esse. A Rainha da Neve não é ruim mas acho que vai ser extremamente pessoal amar ou odiar. Obrigado pela dica! ;)

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  3. Ei, Carlos Magno! Confesso que eu daria uma chance para esse livro, mas sem muitas expectativas. Parabéns pelo blog, ficou lindo!
    Abraço :)

    minhasecretapoesia.blogspot.com

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