15 de novembro de 2015

Resenha: A Menina da Neve

Título Original: The Snow Child
Autor: Eowyn Ivey
Editora: Novo Conceito
Ano: 2015
Páginas: 352
ISBN: 9788581638010
Avaliação: ★★★★

Sinopse: Alasca, 1920: um lugar especialmente difícil para os recém-chegados Jack e Mabel. Sem filhos, eles estão se afastando cada vez mais um do outro. Em um dos raros momentos juntos, durante a primeira nevasca da temporada, eles constroem uma criança feita de neve. Na manhã seguinte, a criança de neve some. Dias depois, eles avistam uma criança loira correndo por entre as árvores. Uma menina que parece não ser de verdade, acompanhada de uma raposa vermelha e que, de alguma formam consegue sobreviver sozinha no frio e rigoroso inverno do Alasca. Enquanto Jack e Mabel se esforçam para entender esta criança que parece saída das páginas de um conto de fadas, eles começam a amá-la como se fosse sua própria filha. No entanto, nesse lugar bonito e sombrio, as coisas raramente são como aparentam, e o que eles aprenderão sobre essa misteriosa menina irá transformar a vida de todos.
 A história de A Menina da Neve gira em torno de Mabel e Jack, um casal já na terceira idade que, depois de derrotas em suas vidas (tanto individualmente quanto como casal), decidiram recomeçar em um novo lugar: Alasca. O ano é de 1920 e, por isso, a localidade que eles agora moram não é tão populosa. Mais próximos do casal, apenas Esther, George e seu filho Garret, um exímio caçador.

 Mas nem tudo saiu como o planejado. Enquanto Jack precisa trabalhar dobrado na fazenda para conseguir tirar seu sustento e sobrevivência quando o rigoroso inverno chegar, Mabel segue sua sofrida sina de tentar esquecer o seu maior trauma: A morte de seu único filho assim que ele nasceu. Pequenos fatos que torna o casal ainda mais distantes um do outro.

 A vida deles começam a mudar quando, numa noite de nevasca, decidem criar um boneco de neve. Poderia ser um momento com outro qualquer, mas a cumplicidade e afeto de um para o outro naquele dia fez o surreal acontecer (ou aparentemente isso). Uma visitante, de cabelos tão alvos que chega a parecer branco aparece naquelas redondezas. 

"Não era necessário entender os milagres para acreditar neles, e na verdade Mabel chegou a suspeitar do oposto. Para acreditar talvez você tenha de parar de procurar explicações e segurar a coisinha em sua mão o máximo possível antes que ela escorresse feito água entre seus dedos."
Página 191


 Faina, como ela se chama, é reservada, silenciosa e tímida. Branca como a neva, fria como o gelo e iluminada como o sol, logo a garota torna-se um mistério a ser desvendado pelo casal. As visitas tornam-se constantes porém sem um padrão.

 Como se não bastasse o jeito misterioso da bela garotinha, o fato dela só aparecer no inverno instiga o casal e remete a um conto russo que, quando criança, o pai de Mabel contava para ela sobre A Menina da Neve. Fantasia ou realidade? Real ou abstrato?

"Nunca sabemos o que vai acontecer, não é mesmo? A vida sempre nos joga para um lado e para o outro. É uma aventura não saber onde você acabará e como pagará sua passagem. É tudo um mistério e, se dissermos o contrário, estamos mentindo para nós mesmos."
Página 239

 A estória é hiper simples e carrega consigo uma aura dramática bem intensa. Os cenários e condições (do ambiente ou psicológicas dos personagens) favorecem isso. Mabel e Jack é o típico casal que, apesar de serem feitos um para o outro, não são completos. O que os fortalecem, mesmo que um tanto distantes é o amor e a companheirismo. Quando Faina surge para eles, é como se, todas as preces feitas por eles, fossem atendidas. Agora eles "tinham" uma criança para preocupar-se e cuidar, mesmo que não saibam que é ela ou seus pais e muito menos como ela foi parar ali e para onde ela vai quando some.

 O livro começa num ritmo bem devagar, em passos cautelosos e sem grandes momentos. Quando, de repente, a história ganha um ritmo fantástico (no sentido fantasia) e é inevitável mergulhar de cabeça nela.

 As participações de Esther, George e principalmente Garret que, no início parecia que não acrescentaria muito a obra são essenciais para a condução do enredo, principalmente do meio adiante.

 Contudo, é na reta final do livro que esse ritmo excessivamente acelerado torna a história fria (perdoem-me o trocadilho) e vaga. Também não gostei de conclusão, já que esperava um desfecho mais impactante. É tanto mistério envolto a Faina que eu criei inúmeras teorias sobre o fim derradeiro da obra que o final real deixou a sensação de vazio. Mas foi questão pessoal, não que tenha sido ruim.

 No mais, a obra apresenta um bom enredo (mesmo que não tão original assim), personagens que são fáceis de se apegar e um clima bacana. Mais que indicada.


Parceria: Novo Conceito

6 comentários:

  1. Muito boa a resenha, to lendo ele estou no capitulo 20 mas ainda ta leeeeeeeeeeeeeeeeeeeento! É legal mas como se trata de um drama entendo o ritmo porém to quase desistindo :(

    Abs

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    Respostas
    1. É realmente meio lento mas nao desista, é bacana.

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  2. A premissa do livro é bem interessante e, mesmo tendo um início mais lento, eu leria. Acredito que o todo vai compensar.
    Excelente resenha.

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  3. Essas fantasias que são jogadas numa história sem nenhuma explicação prévia tendem a nos fazer esperar algum desfecho realmente fantástico, né? Como quando a gente lê um livro, vê sua adaptação p/ o cinema depois e acaba se decepcionando porque esperava algo muito maior visualmente.

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