10 de setembro de 2015

Resenha: O Próximo da Fila

Editora: Record
Autor: Henrique Rodrigues
ISBN: 878-85-01-10565-3
Ano: 2015
Páginas: 192
Avaliação: ★★★★★
Sinopse: O próximo da fila é um original e divertido romance de formação, que retrata com leveza e poesia os sonhos, as frustrações e os medos de uma das épocas mais conturbadas que vivemos: a entrada na vida adulta. Após a morte do pai, o protagonista de O próximo da fila – de quem não sabemos o nome – se vê subitamente responsável por ajudar a mãe a cuidar da casa e do irmão mais novo. Jovem e inseguro, consegue emprego em uma rede de fast-food, trabalho que tenta conciliar com os estudos, e encontra seu primeiro amor – uma garota cujo sumiço misterioso será o derradeiro passo da dura e necessária transição para a maturidade. 

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 O Próximo da Fila conta a trajetória de um garoto que precisou lidar com a perda, não só fisica, com a morte de seu pai, mas também a emocional e financeira, perdas que vieram diante disso. A partir dai, sua mãe passou a exercer o papel de pai para ele e seu irmão mais novo, que tinha o irmão mais velho como seu herói. A mãe precisou começar a trabalhar exaustivamente para não deixar faltar nada em casa para seus filhos. Ela também tem um passado sofrido que, com o tempo, vai sendo abordado no livro. 

 Okay, vocês devem estar se perguntando por que não dei nomes a nenhum dos personagens citados até agora. Pois é justamente essa "agonia" que Henrique Rodrigues fez com os leitores, não revelando nomes de ninguém que aparece na obra, apenas alguns são identificados por apelidos que servem de base para a diferenciação de pessoas com o transcorrer dos capítulos.

 Com todo sofrimento da mãe, o personagem central decide enfrentar a vida real. A partir dai notamos uma amadurecimento significativo dele, até mesmo pelas experiencias de vida que ele vai adquirindo com cada derrota e cada passo dado. Conhece-lo e poder "ler os pensamentos" dele é algo sensacional. O autor trouxe para nós uma visão que, mesmo que aparente ser um clichê, foge totalmente do previsível mas dentro de um contexto real. 


 O personagem, quando começa a trabalhar numa das maiores empresas de fast-food do planeta (não é dita o nome propriamente dito da empresa, mas todos sabemos que trata-se do McDonalds) precisa desenvolver habilidades um tanto adormecidas ou inexistente dentro dele, como fritar carne de hambúrgueres, varrer o chão ou bater recorde de atendimento como caixa. 

 É um período totalmente importante para ele (e para quem está lendo). Observamos aqui a transição de um jovem com os pés fora do chão para um adulto que sabe que precisará lutar muito para se tornar alguém na vida. E é ali, naquele lugar gorduroso e corrido que ele aprende o que é o amor. 

 É um livro único. Fiquei totalmente angustiado principalmente com o final da obra, não só pelo que acontecia ali mas por que sabia que o livro estava chegando ao final. A forma em que a história discorre, o modo em que o autor predispõe o texto, é tudo diferente e isso me agradou e MUITO. 

 Confesso que não era um livro que depositava minhas fichas ou que tivesse prometido muito, mas O Próximo da Fila conquistou um lugar na minha galeria de obras favoritas. Cinco estrelas e aquele gostinho de quero mais. Obra indicadíssima.

Parceria: Grupo Editorial Record

5 comentários:

  1. Olá Carlos,
    Quando vi a capa do livro, pensei que seria algo relacionado à negócios, como gerenciamento de lanchonetes ou serviço gourmet, mas foi algo bem diferente disso, haha! É mesmo sempre um período difícil para qualquer um quando somos forçados a aderir a uma mudança, e pelo jeito isso foi bem mostrado no livro. Essa referência ao McDonalds implicitamente me lembrou do livro Fangirl, em que a personagem principal escreve uma fanfic sobre uma escola de magos, que todos conseguem perceber que é uma referência à HP, e acabou ficando bacana. A piada interna entre o autor e o leitor, digamos assim.

    Beijos,
    Miss Sorrisos Blog
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  2. Olá, tudo bem? Eu ainda não conhecia esse livro e pela capa achei que era algo sobre culinária (rsrs)! Gostei da temática e da forma como o autor relacionou ele com a capa, acho que combinou bastante. Um ponto interessante de os personagens não ter nomes é que é muito semelhante com o cotidiano do rapaz, já que ele vê dezenas de pessoas por dia em seu trabalho e não sabe o nome de nenhum.
    Não é uma leitura que me deixou curiosa, mas caso eu tenha uma oportunidade darei uma chance.

    Adorei o seu blog e já estou seguindo.
    SIL | Estilhaçando Livros

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  3. Olá!!

    Eu não conhecia o livro, na verdade eu li sobre o lançamento e só é a primeira resenha. Gente, achei muito diferente não ter nome os personagens sabe? É estranho não ter um ponto de referencia assim. Enfim, achei o enredo curioso e diferente do que estou habituada e espero conseguir ler e entender o porque o final mexeu tanto contigo!


    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

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  4. Já quero!! Parece tão simples e inteligente <3 Amo essas obras que conseguem trabalhar relacionamento humano e também individualidade do protagonista com destreza, sem parecer lição de moral ou algo banal, o que parece ser o caso (e eu acho lindaa essa capa) ^^

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  5. Oi, pessoal. Sou o Henrique, autor do livro. Agradeço muito pela leitura generosa do Cantina e pelos comentários. Um dado que não foi dito é que trabalhei no McDonald´s mesmo, entre meus 15 e 18 anos - hoje tenho 39 - e uma coisa ou outra foi pinçada da memória. Dei uma entrevista para o GloboNews Literatura sobre o livro, que pode ser vista aqui no meu site: www.henriquerodrigues.net
    Grande abraço e boas leituras a todos.

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