1 de agosto de 2015

Resenha: O Sol é Para Todos

Título Original: To Kill a Mockingbird
Autor: Harper Lee
Editora: José Olympio
Ano: 2015
Páginas: 364
ISBN: 978-85-03-00949-2
Avaliação: ★★★★★
Sinopse: A nova edição de um dos maiores clássicos da literatura norte-americana moderna. Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça. O sol é para todos, com seu texto forte, melodramático, sutil, cômico (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações. Com nova tradução e projeto gráfico, este clássico moderno volta à cena, justamente quando a autora lança uma continuação dele, causando euforia no mercado. Desde o anúncio de sua sequência, O sol é para todos é um dos livros mais buscados e acessados no site do Grupo Editorial Record. Já vendeu mais de 30 milhões de cópias nos Estados Unidos e, no último ano, ganhou a recomendação do presidente Barack Obama, que proferiu o seguinte elogio: "Este é o melhor livro contra todas as formas de racismo."

 Década de 1930, Maycomb, Estados Unidos. O Sol é Para Todos retrata os costumes de uma pacata cidade, onde todos conhecem todos e o racismo é fortemente encrustado na população. Mas, como para toda regra há uma exceção, a família de Jean Louise Finch (ou simplesmente Scout) é diferenciada. Ela que é a narradora do livro, vive com seu exemplar pai Atticus, seu irmão Jeremy Finch, (o Jem) e por Calpurnia, uma negra que é a cozinheira da família e educadora das crianças.

 O livro é dividido em duas partes. Na primeira, Scout começa sua narrativa de forma tranquila, descrevendo, ao seu ponto de vista, como era viver em Maycomb. Aqui, conhecemos bastante a região, seus principais personagens e alguns hábitos deles. Apesar de nova, Scout é uma garota observadora, durona e sentimental, que tem como pilar seu irmão Jem. As vidas dos garotos ficam mais divertidas no verão, que é quando seu novo amigo Dill aparece na cidade. Ai que as aventuras deles são mais empolgantes.

"Em primeiro lugar, Scout — ele disse —, se aprender um truque simples, vai se relacionar melhor com todo o tipo de gente. Você só consegue entender uma pessoa de verdade quando vê as coisas do ponto de vista dela.
— É?
— Precisa se colocar no lugar dela e dar umas voltas."
Página 43
 Porém, na segunda parte, o clima naquele local monótono fica visivelmente pesado quando o advogado Atticus defende na justiça um negro acusado de estuprar uma garota branca de uma família fortemente preconceituosa, os Ewell. O caso é considerado praticamente perdido por todos, inclusive Atticus, mas ainda assim ele se prepara para causar uma sensacional comoção. 

 É nessa etapa que se desdobra um dos meus momentos mais marcantes de uma leitura, que é quando Tom Robinson vai a julgamento. É de arrepiar a defesa desenvolvida por Atticus. Scout e Jem (além de Dill) veem em seu pai um herói tentando realizar o quase impossível. 

"— Porque eu não poderia exigir isso. Scout, por causa da natureza da função que exerce, todo advogado assume pelo menos um caso que o afeta pessoalmente. Tenho a impressão de que esse é o meu. Você provavelmente vai ouvir coisas horríveis sobre isso na escola, então me faça um favor: levante a cabeça e abaixe os punhos. Não importa o que digam, não deixe que eles a façam perder o controle. Tente lutar com as ideias, para variar… mesmo que seja difícil.
— Atticus, nós vamos ganhar?
— Não, querida.
— Então, por que…
— Ainda que tenhamos perdido antes mesmo de começar, não significa que não devamos tentar — ponderou Atticus."
Página 101 e 102

 O Sol é Para Todos é de fato um dos livros mais tocantes que pude ler. A simplicidade é transcrita da forma mais singela e cruel, descrevendo toda maldade de uma sociedade racista sem perder a inocência através do olhar de uma criança.

 A narrativa de Scout faz com que o leitor se sinta bem próximo aos envolvidos na estória, tornando quase um relato de vida na qual você também fez parte. Os sentimentos em relação a leitura também são inúmeros: você ri, comemora, se irrita, fica ansioso... Enfim. 

 É impossível não se afeiçoar pela família Finch, do pai aos filhos. Toda sabedoria de Atticus é passada para seus filhos para que vivam aquela turbulência sem que eles percam toda essência do que é ser criança. Ele é um exemplo como pai, líder e homem, servindo de espelho para que seus filhos possam se tornar pessoas dignas e fundamentadas.

 O final também surpreende. Desenvolvi em minha mente inúmeras finalizações cabíveis para a obra, mas até nisso o simples se sobressai. 

"Aquele que mergulha na vaidade sucumbe na escuridão! [...] Um coração feliz faz um semblante alegre!"
Página 199

 Li as mais 364 em dois dias (sendo que quase 250 em um único) e, ainda assim, queria mais. Não é atoa que esse é considerados um dos livros norte-americano de mais importância no século XX.

 Palmas para a autora por ter criado uma obra tão singular e pela editora José Olympio por reeditar essa obra maravilhosa. Cinco estrelas e um coração de favorito pois o sol é para todos. 

Parceria: Grupo Editorial Record (Selo José Olympio)

4 comentários:

  1. Olá!!

    Eu ainda não li esse livro mas confesso que cada resenha me deixa com mais e mais vontade de ler a obra.
    Saber de toda a beleza e sensibilidade do enredo me encanta.
    Gostei muito da sua resenha!
    E estou bem mais curiosa!


    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

    ResponderExcluir
  2. Esse livro é maravilhoso, li faz uns anos e sua resenha me fez lembrar de tudo. Mil beijos :)

    Vanessa | http://closetdelivros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...