10 de agosto de 2015

Resenha: Fragmentados

Título Original: Unwind
Série: Fragmentados (The Unwind #1)
Autor: Neal Shusterman
Editora: Novo Conceito
Ano: 2015
Páginas: 368
ISBN: 978-85-8163-519-4
Avaliação: ★★★★
Sinopse: Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria.

Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.

O vencedor do Boston Globe-Horn Book Award, Neal Shusterman, desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.


 Em um universo distópico, a Guerra de Heartland fez com que uma lei fosse imposta em acordo comum entre os governos para acabar com os conflitos. A Lei da Vida permite e impõe que a partir dali, cada adolescente com idade entre 13 e 18 anos fosse "abortados" pelos seus pais, concedendo assim o direito total ou parcial do corpo dos jovens para "reuso" em outras pessoas. Em outras palavras, a Fragmentação (denominação do processo pelo qual os jovens passam) nada mais é que arrancar um braço sadio de um jovem e colocar em alguém que havia perdido seu mesmo membro em um acidente, por exemplo.

 É nesse contexto que conheceremos o trio que da corpo a obra e que tem seus destinos cruzados pelo acaso: Connor, um garoto que está com a rebeldia aflorada, principalmente depois de descobrir sem querer que iria ser dado para a Fragmentação. Por isso, ele decide que fugir é a unica saída. Risa, por ser orfã, tem seus "direitos autorais" concedidos ao governo, e assim, eles que decidem seu futuro. Por isso, surge seu desejo desenfreado de fugir a todo custo. O ultimo dos três, Lev é o mais peculiar. Ele é um dizimo, o que quer dizer que ele está sendo preparado, com seu consentimento para ser fragmentado.

 O livro é de tirar o fôlego, ainda que em algumas cenas explosivas sejam confusas (o ponto negativo da obra). O autor preparou uma trama imprevisível de forma que o leitor deverá desconfiar de tudo e todos a todo momento. Qualquer atitude é suspeita.

"Tem um monte de coisas que as pessoas não deveriam fazer [...] Mas este não é um mundo perfeito. O problema são as pessoas que pensam que sim."
Página 74
 A obra é dividida em sete partes que englobam perfeitamente o que aquele enunciado da parte é proposto e narrada em terceira pessoa sob a visão dos mais distintos personagens que se apresentam no livro, fazendo com que os fios soltos da obra se liguem, ainda que não sejam muitos. 

 A questão da Fragmentação em si é algo que desperta e aguça a curiosidade. A ideia de transformar pessoas em "Frankensteins" em um mundo teoricamente perfeito é ao mesmo tempo bela (esteticamente falando, já que você poderia ser tornar um objeto perfeito) e sombria (por todos motivos óbvios). Claro, seu teor crítico é visível, já que em busca de uma suposta perfeição, as pessoas estão cada dia mais genéricas. 

 Os personagens não são aqueles inocentes sofredores comuns em livros dos gênero, mas sim adolescentes de personalidade forte (e formada). Lev talvez seja o mais irritante, não pelo que ele é, mas sim por suas atitudes, deixando entender de que ele irá colocar tudo a perder a qualquer momento.

 No contexto geral, Fragmentado é uma obra que deve ser conferida sem pressa e sem criar grandes expectativas, como foi meu caso. Ótima experiencia de leitura.



Parceria: Novo Conceito

4 comentários:

  1. Oi Carlos,
    Eu gostei muito de Fragmentados. Até porque consegui traçar um paralelo com toda a era moderna que estamos vivendo. De fato, a 'fragmentação' existe e alimenta o mercado negro, especialmente nos países mais carentes, com crianças tendo seus órgãos vendidos. Além disso, a tal Lei da Vida é apenas mais uma das muitas leis absurdas que poderiam ser verdade. O livro nos abre os olhos para o nosso pior destino: a falta de humanidade. Ótima resenha! Que bom que o livro te foi uma grata leitura também.

    Beijo,
    Mari Siqueira
    http://loveloversblog.blogspot.com

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  2. Não gosto muito de Distopias modernas, mas esse parece tão bom, deu até vontade de ler! kkkkk

    Seguindo!

    Hey! Da uma passadinha lá no Estandy Books - A Estante da Andy

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  3. Oláá´!!

    Eu tô começando a ler mais distopias e gostando desse genero. Estou vendo muitas resenhas elogiosas e isso tá aumentando minha vontade de ler, mas a sua dica de não ir com tanta sede ao pote me fez mudar um pouco de ideia.
    Gostei de saber das personalidades dos personagens, gosto quando são fortes.


    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

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  4. Carlos,que distopia diferente... e interessante. A ideia da fragmentação é macabra, mas semelhante com o que vemos passa nos jornais em relação ao mercado negro de órgãos e tudo mais.Achei bem instigante a proposta, viu!? Ótima resenha!

    Abraços,
    www.universoliterario.com.br

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