23 de junho de 2015

Resenha: A Playlist de Hayden

Título Original: Playlist of The Death
Autor: Michelle Falkoff
Ano: 2015
Editora: Novo Conceito
Páginas: 288
ISBN: 978-85-8163-704-4
Avaliação: ★★★★★
Sinopse: Depois da morte de seu amigo, Sam parece um fantasma vagando pelos corredores da escola, o que não é muito diferente de antes. Ele sabe que tem que aceitar o que Hayden fez, mas se culpa pelo que aconteceu e não consegue mudar o que sente. Enquanto ouve música por música da lista deixada por Hayden, Sam tenta descobrir o que exatamente aconteceu naquela noite. E, quanto mais ele ouve e reflete sobre o passado, mais segredos descobre sobre seu amigo e sobre a vida que ele levava. A Playlist de Hayden é uma história inquietante sobre perda, raiva, superação e bullying. Acima de tudo, sobre encontrar esperança quando essa parte parece ser a mais difícil.

Ouça a playlist: http://aplaylistdehayden.com.br




 A Playlist de Hayden veio com a difícil missão de abordar um tema tão comum ultimamente em livros (o bullying) mas de forma original e que valesse toda expectativa gerada em cima dele. Diante mão posso garantir: cumpriu seu objetivo.

 Vi muita gente comparando o livro a Os 13 Porquês e, sinceramente, não consegui intender essa relação errônea entre os dois. Sim, pode ser semelhante pelo tema proposto (bullying e suicidio), por ter "fones de ouvido", mas não consegui identificar mais nada que fizesse a história perder sua originalidade.

 Sam e Hayden são grandes amigos. Alias, eles tem apenas um ao outro para contar, já que por apreciarem cultura geek, não terem porte físico para a pratica de esportes no colégio (nem aptidão), serem tímidos, etc, tornaram-os nada populares. Fatores que os fizeram alvo fácil da trifeta de bullying, composta por Troy, Jason e, surpreendentemente, o irmão mais velho de Hayden, Ryan.

 As coisas tornam-se ainda piores quando a dupla resolve ir a uma festa, depois de Hayden decidir isso, sem mais nem menos, algo que deixou Sam um tanto confuso. E foi nessa festa o principal fator motivacional e derradeiro de uma grande tragédia: Hayden decidiu tirar a própria vida. Antes disso ele criou uma playlist e deixou-a para Sam, com algumas musicas que o próprio Sam desconhecia e não acreditava que seu amigo pudesse ouvir. Definitivamente, Hayden guardava segredos dele.

 Inicia-se uma "investigação" profunde de Sam para entender todos os motivos (fora os óbvios) que levaram seu amigo a cometer o suicídio. Com o decorrer da trama, surge uma peça chave que auxiliaria a Sam chegar inda mais fundo nessa história: Astrid, uma garota excêntrica, bem humorada e prestativa. Qual a relação dela com Hayden? Mais uma pergunta sem resposta.

"Pensei por um minuto sobre a crescente lista de pessoas que se sentiam responsáveis pela morte de Hayden. Todos nós estávamos certos e todos estávamos errados ao mesmo tempo. E, por fim, foi Hayden quem tomou aquela decisão. Foi ele quem deixou todos nós ali, tentando descobrir o que havia acontecido, impossibilitados de falar que sentíamos muito, para fazer a coisa certa. Eu jamais entenderia o quanto ele se sentiu ferido, confuso e desesperançado a ponto de decidir que não valia mais a pena tentar, e não estava irritado com ele por ele ter decidido fazer aquilo, mas jamais gostaria de sentir o mesmo. E também jamais gostaria de fazer outra pessoa se sentir assim."
Página 277

 O enredo de fato é cativante, mesmo com que a temática seja tensa, tirando pelo tempo de leitura que tive do livro (58 páginas em um dia, o resto do livro no outro). A autora mostrou MUITO conhecimento da cultura geek (que eu amo), desde filmes e games à quadrinhos, séries e claro, musica. Há referencias de coisas como o jogo Halo, a série The Walking Dead, o filme Star Wars, entre outros, coisas que fizeram que eu me identificasse muito com a dupla desastrada e dar méritos à Michelle Falkoff.

 Narrado pelo ponto de vista de Sam, a obra é tão bem trabalhada que você se sente dentro do enredo, sendo quase um amigo invisível do garoto presente em todos os momentos dele no livro. Sam sempre se mostrou mais forte que Hayden, algo que ficou comprovado apos a morte do amigo. Ele precisou remodelar seu mundinho fechado, algo que não tenho certeza se Hayden conseguiria.

 Astrid é outra personagem que eu simplesmente amei. Fiquem com um pé atras com a aparição dela no inicio mas ela mostrou logo seu valor.

 Não consegui encontrar falhas para apontar na obra. Ainda estou envolvido com o livro e triste por ele ter terminado. Ok, sei que o livro pode não ser de história excepcional mas encontrei o que espero em um enredo: Que chame e prenda atenção na leitura, que seja bem desenvolvido e que envolva o leitor. A Playlist de Hayden fez valer as expectativas. Super indicado a todos!



Parceria: Grupo Editorial Novo Conceito

21 de junho de 2015

Resenha: Eu Te Darei o Sol

Título Original: I'll Give You The Sun
Autor: Jandy Nelson
Ano: 2015
Editora: Novo Conceito
Páginas: 384
ISBN: 978-85-8163-646-7
Avaliação: ★★★
Sinopse: Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia. Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém. Contado em perspectivas e tempos diferentes, Eu Te Darei o Sol é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.







 O livro conta a vida de Noah e Jude, um casal que apesar de gêmeos, eles são muito diferentes: Ela é uma garota agitada: Não há meios termos com ela. Sua determinação e coragem são algo que o pai admira (apesar da fase "aborrecente"). Ele é um garoto tímido e reservado, porém um exímio artista que aparentemente já nasceu pronto para ser um pintor renomado e, até por isso, ele tem maior atenção da mãe que é professora de artes. 

 As coisas entre os dois começam a ficar inda mais tensas depois de um terrível acidente que afetaria e muito a vida deles e da família. Não bastasse isso, eles teriam que lidar com mais um pequeno problema chamado amor: Ambos estavam apaixonados pelo mesmo garoto. Sim, isso mesmo que vocês entenderam. É o segredo da vida de Noah, que guarda pra si mesmo a sete chaves. Agora, até quando ele conseguirá esconder sua opção? 


 A obra é narrada nos pontos de vista tanto de Noah quanto de Jude, não seguindo uma linha do tempo progressiva, mas alternando entre datas e períodos (passados ou presentes) de ambos, o que, ao meu ver, foi interessante. 

 O livro é muito mais que um mero romance ou triangulo amoroso, mas aborda veementemente o relacionamento "conturbado" de uma família aparentemente normal. Noah e Jude, apesar de tão diferentes (o fato de serem gêmeos a parte) são duas pessoas que, querendo ou não, pensam de forma parecida, mas a grande diferença entre eles está no fato dele ser mais reservado e ela bem expansiva. 

 A forma como eles narram suas aventuras (nem sempre terminando de forma feliz) é peculiar. Dá uma sensação de estar lendo um diário de memorias dos personagens, deixando uma aura diferente a se envolver com a história.

 Apesar de tudo, a história não conseguiu me prender. Sabe quando você lê um livro e, por muitos momentos precisa voltar a leitura toda pois não lembra do que aconteceu por que se dispersou? Eis o que aconteceu comigo. Não, não é um livro ruim, porém poderia ser mais objetivo e menos cansativo, ao meu ponto de vista. "Não rolou química entre nós", digamos. O enredo não fugiu tanto do obvio, mesmo com tantas temáticas que ele aborda e que poderiam ser muito mais exploradas. 

 Eu Te Darei o Sol é um YA não com uma história grandiosa mas que ainda assim possui seu encanto e méritos, principalmente no que diz respeito as relações interpessoais e todas suas consequências diante de decisões e atitudes do outro.

 Este livro é o segundo livro da autora Jandy Nelson publicado pela Novo Conceito, sendo o primeiro O Céu Está Em Todo Lugar

17 de junho de 2015

Eu Indico: Conhecimento Prático Guia do Enem

Fala pessoal! 

Hoje irei fazer uma postagem diferente das obras fictícias e históricas que aparecem constantemente por aqui. Irei falar de livros que vão muito alem de diversão e/ou passatempo, mas que poderão auxiliar na preparação de uma das provas que mais influenciam no futuro de muitos dos leitores do blog. Trata-se da coleção Conhecimento Prático Guia do Enem, uma coleção publicada pela Editora Escala voltada para o ENEM. 


 São 4 livros que abordam as quatro áreas na qual o ENEM é subdividido: Ciências da Natureza e Suas Tecnologias (Biologia, Química e Física), Ciências Humanas e Suas Tecnologias (História, Sociologia, Filosofia e Geografia), Linguagem, Códigos e Suas Tecnologias (Gramática, Arte, Literatura, Inglês e Espanhol + Redação) e Matemática e Suas Tecnologias.


  E por que indicá-los? Bom primeiramente que o custo beneficio vale a pena (leiam minha ultima dica de compra mais abaixo1), segundo que o livro, apesar de pequeno e enxuto, possui MUITA informação proveitosa, alem de simuladões (com questões de antigas provas do enem) que facilitam o aprendizado, principalmente para quem está iniciando nessa jornada de preparação para as provas e, por ultimo, que a linguagem aplicada é de fácil entendimento.

 Ficou interessado? Os livros podem ser adquiridos no site da escala [1, 2, 3 e 4], em bancas de revista e na revista AVON1 (significativamente mais baratos).

9 de junho de 2015

Resenha: A Vida Misteriosa de Jack

Título Original: The Mostly True Story of Jack
Autor: Kelly Barnhill
Ano: 2015
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 294
ISBN: 978-85-286-1819-8
Avaliação: ★★★
Sinospe: Às vezes, a invisibilidade tem o seu lado positivo. Quando sua mãe o leva a Hazelwood, Iowa, para passar um tempo na casa dos seus estranhos tios, Jack não espera nada além de um verão entediante. Nem passa pela sua cabeça que os habitantes de Hazelwood o aguardam há muito, muito tempo. Logo que chega à cidade, três coisas inacreditáveis acontecem. Primeiro, ele faz amigos – amigos de verdade, não imaginários. Segundo, ele apanha do maior valentão da área – os valentões da sua rua sempre o ignoraram completamente. Terceiro, o homem mais rico da cidade começa a tramar o seu fim – um fim doloroso, aliás. Dependerá somente de Jack descobrir por que, de uma hora para a outra, todos passaram a dar tanta atenção a ele. Logo a ele, que sempre foi tão invisível. A Vida Misteriosa de Jack é uma encantadora história sobre magia e amizade. 


 A Vida Misteriosa de Jack faz jus ao nome, principalmente no inicio da obra. Nela, conheceremos nosso protagonista Jack, um garoto que, estranhamente, é quase ignorado por todos (desde os brutamontes valentões do seu colégio aos seus pais). O clima em casa também não é bom, e por isso Jack foi levado para Hazelwood, Iowa para viver com os tios Clive e Mabel e lá que as coisas começam a se tornar surreais: Jack tem atenção dos tios aparentemente loucos, de um casal de irmãos Frankie e Wendy (que viriam se tornar seus melhores - e primeiros - amigos) e até mesmo do valentão Clayton Avery.

 Frankie e Wendy são personagens chaves para o desenvolvimento da obra. Além de terem suas vidas narradas individualmente (além de Jack), eles possuem uma história que está ligada diretamente a Jack, mesmo que eles nunca tenham se visto (até então) ou algo do tipo. Anders também é um personagem que tem sua história narrada no livro. Alias, falando nisso, a obra é narrada em terceira pessoa.

 Como já deve-se perceber, Hazelwood é um lugar onde a magia se faz presente mesmo que quase todos desconheçam.


 É visível que a autora sofreu uma pesada influencia da saga Harry Potter, ainda que isso possa ter sido inconscientemente (ou não). Muitos elementos dos livros de J.K. Rowling eu senti presentes em A Vida Misteriosa de Jack, mesmo que de forma peculiar. Ainda assim, Barnhill conseguiu impor personalidade a sua obra, mesmo com não tanta originalidade.

 O mistério excessivo, de curioso e interessante, se tornou um tanto cansativo, pois as respostas tardam a chegar e, quando chega, vem como cachoeira onde os próprios personagens e a autora se afogam.

 Infelizmente a obra possui muitos altos e baixos e não prende tanto o leitor do meio do livro para o fim quanto prende no começo, onde a curiosidade aflora e você anseia por novidades. Senti que a história prometia muito mas cumpriu pouco. Fica um pequeno sentimento de frustração, pois realmente estava me apegando ao livro inicialmente.

Parceria: Grupo Editorial Record (Selo Bertrand Brasil)

2 de junho de 2015

Resenha: Matando Borboletas

Título Original: Breaking Butterflies
Autor: M. Anjelais
Ano: 2015
Editora: Verus
Páginas: 224
ISBN: 978-85-7686-336-6
Avaliação: ★★★


Sinopse: Sphinx e Cadence — prometidos um ao outro na infância e envolvidos na adolescência. Sphinx é meiga, compassiva, comum. Cadence é brilhante, carismático — e doente. Na infância, ele deixou uma cicatriz nela com uma faca. Agora, conforme a doença de Cadence progride, ele se torna cada vez mais difícil. Ninguém sabe ainda, mas Cadence é incapaz de ter sentimentos. Sphinx quer continuar leal a ele, mas teme por sua vida. O relacionamento entre os dois vai passar por muitas reviravoltas, até chegar ao aterrorizante clímax que pode envolver o sacrifício supremo. Esta é uma bela e tortuosa história sobre o primeiro amor, a inocência perdida, e a beleza que pode ser encontrada até nas circunstâncias mais perversas.



 Sphinx e Cadence são filhos de Sarah Quinn e Leigh Latoire (respectivamente), "prometidos" para se casarem antes mesmo de sonharem nascer, fruto de uma amizade entre as mães que nasceu quando elas tinham apenas 5 anos de idade.

 Sphinx é um menina reservada e o espelho de sua mãe em quase tudo. Ela é uma garota exemplar mas que tem seu brilho ofuscado pelo excepcional Cadence, um garoto quase perfeito em quase tudo o que faz, mesmo com a pouca idade. Ele é o modelo perfeito de pessoa para Sphinx, que o tem quase como um objeto de adoração. Até certo ponto da história, fica visível que a inocente garota nutre o amor tão planejado (por sua mãe) que ela tivesse pelo garoto. 

 O que ninguém sabe (ou gostaria de afirmar) é que Cadence sofre de uma "síndrome" que o torna incapaz de ter qualquer sentimentos por o que quer que seja. Cientificamente falando, um Sociopata. E isso, levou-o a deixar uma cicatriz na face da garota com uma faca que ele roubou da gaveta do pai no período de separação dos seus genitores. Depois disso, envergonhada e sem seu marido, Leigh decidiu ir morar na Inglaterra e se afastar fisicamente de sua melhor amiga e seus entes. 

 Anos depois, o garoto é diagnosticado com uma doença que o torna uma bomba relógio em contagem regressiva. A qualquer momento ele pode morrer. E seu maior desejo (se é que isso é possivel) é rever a garota que sua mãe o prometeu e que ele marcou (por dentro e por fora) como sua até a eternidade. 

 A obra é narrada por Sphinx e, da forma que o autor dispôs o texto, da a sensação a nos leitores que estamos apreciando um diário de vida de alguém, o que achei bacana pois não torna o livro melodramático (ufa!). 

 Por falar nisso, eu, mesmo depois de tantos dias terminada a leitura, nutro por Sphinx um sentimento de amor e ódio. Não pela personagem em si (que eu gostei) mas por algumas atitudes da garota que beiraram o absurdo de tão ilógico. Mais um ponto positivo para a obra, já que eu fico feliz em encontrar livros que me façam criar afeição ou ódio por algum personagem. Sinal de que algo está bem elaborado. 

 Os outros personagens são relativamente tão importantes (como pai de Sphinx que tem participação quase nula na história e Vivienne, uma amiga de Leigh que aparecerá em algum momento do livro), o que me desagradou. N.E.: O pai de Sphinx é uma múmia? 

 Surpreendentemente eu gostei do livro, apesar de admitir que o enredo é um tanto vago. A história, ao contrário do que esperava, não migra pra um romance cansativo, mas impõe uma proposta sobre os sentimentos das pessoas (em relação a si mesmo e aos outros) e como eles podem afetar aqueles que os rodeiam. 

 O texto é simples e flui rapidamente, além do livro ser curto, fatos que fazem a leitura terminar antes mesmo do que se espera. Falando em terminar, o final deixou um tanto a desejar. Não foi ruim mas, em minha mente, criei melhores desfechos para a obra e nenhum deles ocorreu, caindo pro previsível. 

 Como um todo, o livro merece sim ser lido mas sem criar expectativas, como foi comigo. Surpreende pela proposta (até certo ponto) mas não pelo enredo. De 0 a 10, nota 7. 


Parceria: Grupo Editorial Record (Selo Verus)
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