29 de maio de 2015

Resenha | Vango: Entre o Céu e a Terra

Título Original: Vango - Entre Ciel et Terre
Autor: Timothée de Fombelle
Série: Vango
Ano: 2015
Editora: Melhoramentos
Páginas: 350
ISBN: 978-85-06-07748-1
Avaliação: ★★★
Sinopse: Salvar a pele e, ao mesmo tempo, descobrir a própria identidade. Este é o grande desafio de Vango, o jovem herói do novo romance do escritor francês 'Timothée de Fombelle'. Ao ler esse thriller histórico, ambientado no conturbado período entre as duas grandes guerras mundiais, somos impelidos a fugir com Vango pelos cinco continentes, num clima de absoluto perigo e suspense. Este rapaz órfão de 19 anos desconhece sua origem assim como desconhece a motivação do franco atirador que, além da polícia, está em seu encalço. Deparamo-nos com Vango na solenidade em que ele e outros seminaristas seriam ordenados padres na suntuosa catedral de Notre-Dame, em Paris. O assassinato do padre Jean, seu protetor, desencadeia a perseguição ao rapaz, que empreende uma fuga espetacular ao escalar nada menos do que os famosos vitrais da catedral. Essa cena é apenas um exemplo do clima de perseguição e aventura de que é feita toda a narrativa, quando acompanharemos nosso protagonista em situações e lugares improváveis - como um intruso escondido num caça da SS, galopando nas Terras Altas da Escócia, dependurado num vulcão italiano ou sobrevoando o Brasil e vários outros lugares num zepelim. O fracasso em não ter sido ordenado padre deixa nosso herói arrasado, mas a jovem Ethel fica bem feliz. É ela quem vai ajudar Vango a provar sua inocência e descobrir sua identidade. Também fazem parte da saga outros personagens marcados por vidas cheias de segredos, como Mademoiselle, a Senhora Poliglota e sem memória com quem Vango é salvo do naufrágio na costa da Sicília aos três anos de idade e Hugo Eckner, personagem verídico, comandante alemão do Graf Zepelin, esse grande dirigível que fascinou o mundo nas primeiras décadas do século XX. Outras personalidades incorporadas à história são Joseph Stalin, sua filha Svetlana e Adolf Hitler.

 Em Notre Dame, um grupo de homens que se preparavam para virar padres. Aos 19 anos de idade, Vango está prestes a juntar-se ao sacerdócio em Paris no ano de 1934, tornado-se padre. Porém, sem mais nem menos, uma caçada ao garoto começa.

 Vango é o principal suspeito do assassinato do padre Jean, e aparentemente por isso, está sendo o alvo da polícia em Notre Dame. O passado de Vango é um mistério (mais um que engloba a obra). Criado por uma babá conhecido simplesmente como Mademoiselle, Vango não tem ideia de quem ele era ou de onde ele veio. Apenas um fato marca seu passado: Ele e sua babá foram resgatados do mar quando o garoto tinha apenas 3 anos na ilha de Salina, na Sicília. Mais tarde, ao decorrer da obra, iremos ver que o mistério é bem mais complexo do que se espera.

  

 O ponto marcante da obra sem sombra de duvidas é a ligação excepcionalmente elaborada pelo autor com fatos históricos e personalidades de extrema importância para a história da humanidade à fantasia. É possível viajar o mundo a bordo do Graf Zeppelin (com direito a parada no Brasil), durante um terrível e sombrio período entre guerras mas sem perder o brilho e a aura da fantasia e do mistério que envolve a vida do escalador Vango.

 O período em que o livro aborda é delicado, pois passa pelo fim da primeira guerra mundial, a crise de 1929 (EUA) e a segunda grande guerra. É nessa época em que o totalitarismo ganha seu apogeu. O regime totalitarista era uma forma de poder na qual a população era domada em massa, sem o direito de questionar. Exemplos disso foram os governos de Adolf Hitler na Alemanha e Joseph Stalin na extinta União Soviética, ambos presentes nessa obra.

Ele olhava a multidão: tantas histórias numa plataforma. E já sentia uma janelinha se abrir dentro dele [...] Nesse instante, compreendeu o que o padre lhe tinha dito. Antes de tudo era preciso ver o mundo, Ele sentiu o poder de um rápido encontro. Vidas que se afetam com apenas um esbarrão, por que passam pela outra com mais ímpeto.
Página 86

 A história é peculiar, pois ela carrega um mix de mistério e diversão, porém em alguns momentos senti que faltou algo (que a proposito, não consegui identificar o que foi). O início da obra é lento porém vai ganhando ritmo ascendente com o decorrer das paginas, motivo que faz a atenção do leitor se tornar presente.

 Os flashbacks dão o corpo da estória, pois fazem com que acontecimentos atuais da vida de Vango tenham um sentido lógico, mesmo que o mistério seja presente em quase todos os capítulos.

 Algo diferenciado do livro foi o fato dele possuir a tipografia (letras) na cor vermelha. De primeiro momento confesso que desenvolvi um pré-conceito em relação a isso mas com o fluir da leitura consegui me habituar facilmente sem que houvessem problemas.

“Existem portas tão fechadas que nem as vemos mais, tal é o medo que temos de abri-las. Colocamos móveis na frente delas, tapamos totalmente a fechadura. Talvez só as crianças possam ver, agachadas, a réstia de luz vermelha na fresta da porta e perguntem o que haveria por trás dela.
Página 259

  O final não me empolgou tanto, o que não quer dizer que tenha sido ruim. Falto algo a mais. A forma que ele foi disposto dá a visível sensação de que muita água vai rolar no segundo livro e por isso, o autor não quis dar tudo de bandeja. Alias, Vango - Um Príncipe Sem Reino é o nome da continuação da obra publicada pela Melhoramentos. 

 A obra como um todo é bastante interessante, até mais do que previa. Fica a dica principalmente para quem curte fantasia ligado à história real do mundo. 


Parceria: Editora Melhoramentos

26 de maio de 2015

Resenha: Red Hill

Título Original: Red Hill
Autor: Jamie McGuire
Ano: 2015
Editora: Verus
Páginas: 350
ISBN: 978-85-7686-338-0
Avaliação: ★★★★
Sinopse: Para Scarlet, cuidar de suas duas filhas sozinha significa que lutar pelo amanhã é uma batalha diária. Nathan tem uma mulher, mas não se lembra o que é estar apaixonado; a única coisa que faz a volta para casa valer a pena é sua filha Zoe. A maior preocupação de Miranda é saber se seu carro tem espaço suficiente para sua irmã e seus amigos irem viajar no fim de semana, escapando das provas finais da faculdade.  Quando a notícia de uma epidemia mortal se espalha, essas pessoas comuns se deparam com situações extraordinárias e, de repente, seus destinos se misturam. Percebendo que não conseguiriam fugir do perigo, Scarlet, Nathan, e Miranda procuram desesperadamente por abrigo no mesmo rancho isolado, o Red Hill. Emoções estão a flor da pele quando novos e velhos relacionamentos são testados diante do terrível inimigo – um inimigo que já não se lembra mais o que é ser humano.

 Até que ponto você iria para sobreviver e preservar seus entes queridos no meio de um apocalipse zumbi? É essa a proposta que Jamie McGuire predispõe para Red Hill. Há muito tempo, brigando contra tudo e todos, um cientista elaborava um projeto que visava reanimar mortos. Uma experiencia que ia de encontro a toda ética tanto profissional quanto social, e por isso ele foi expurgado de sua profissão. Mas ninguém esperava que ele obtivesse sucessos... 

 O que todos já esperavam mas temiam acreditar aconteceu, e a epidemia se alastrou de forma tão rápida e surpreendente que o mundo virou de cabeça para baixo sem premissas de voltas. 

 A obra é narrada e subdividida entre três personagens centrais, que, de uma forma ou de outra, se interligam. O destino de todos estavam traçados para o rancho Red Hill. Devido o lugar ser distante do centro, seria um local perfeito para abrigar refugiados de um apocalipse zumbi.

 Scarlet é uma medica que, depois do divórcio, precisou criar suas duas filhas Jenna e Halle sozinha. Ela, a partir disso, tornou-se uma pessoa mais forte, tanto emocionalmente quanto psicologicamente. Afirmo dizer que ela é o pilar que sustenta toda obra. Sua filhas são quase que o espelho da mãe, cada uma em sua idade (treze e sete anos, respectivamente). Foi durante o caminho da escola que ela, no rádio do seu carro, ouviu sobre o surto de uma epidemia bem distante dali de Anderson, sua cidade. Mal sabia ela que o poder de expansão do vírus era devastador. 

 Não tão longe dali, Miranda e sua irmã Ashley estavam indo visitar o pai com seus respectivos namorados, Bryce e Cooper, no rancho Red Hill quando o pior aconteceu. O que não passava de um fim de semana em família tornou-se a missão suicida do quarteto para conseguir atravessar o caos até aquele lugar.  

 Nathan, é o terceiro membro central da narrativa. Depois de um casamento frustrado e uma separação inesperada, bem no meio do apocalipse, sua filhinha Zoe se tornou o seu principal motivo de buscar a luta pela sobrevivência.


 A proposta de Red Hill que, aparentemente é mais do mesmo, conseguiu ganhar sua cara e personalidade pelas mãos de Jamie McGuire. Diferentemente de outros livros do gênero, a história não foca tão necessariamente nos zumbis, mas nos instintos dos personagens. Com os sentimentos de todos aflorados, a razão muitas vezes sobressaem a emoção, o que torna-os imprevisíveis. 

 Nathan, Miranda e Scarlet são uma trinca imprescindível para o desenvolvimento do livro. Mesmo que Scarlet seja de fato a personagem central da obra, não há como ver o enredo fluir sem os outros dois servindo de pilares.

 McGuire conseguiu apresentar todos os personagens, indo no profundo de cada um, sem precisar de flashbacks ou interrupções no desenrolar da história, já que ela conseguiu expor tudo isso paralelamente ao contexto em que a trinca estava envolvida.  

 Outro ponto interessante da obra foi que, diferentemente de outros livros, os personagens já estavam ambientados a cultura dos mortos-vivos, conhecendo-os de séries, filmes e livros, o que facilitou o contato deles tanto para o novo mundo quanto para os novos habitantes. 

 O que faltou a obra? Mais adrenalina. Ainda que a obra tenha me envolvido e MUITO (acabou muito rápido galera :/ ), senti que em alguns momentos poderia ter sido melhor trabalhada as ações. O entrosamento dos personagens também foi algo que me deixou com uma pulga atrás da orelha, pois, além de ter sido muito rápido, faltou aquela duvida que todos temos em relação a desconhecidos, principalmente dadas as circunstancias. Digamos: pessoas receptivas de mais. Porém, foram fatos que não desmereceram a obra em hipótese nenhuma. 

 O final é bastante diferente do que esperava e do que caminhava ser, mas também não afetou a avaliação do livro. Por falar nisso, não se assustem com a temática: o livro não é tão pesado quanto parece. 

 Por isso, mais que indico a leitura para todos!


Parceria: Grupo Editorial Record (Selo Verus)

21 de maio de 2015

Resenha: Um Tigre Para Malgudi

Título Original: A Tiger for Malgudi
Autor: R. K. Narayan
Ano: 2012
Editora: Guarda-Chuva
Páginas: 528
ISBN: 978-85-99537-22-0
Avaliação: ★★★
Sinopse: Um tigre rememora o passado desde a juventude selvagem, como implacável soberano da floresta, até tornar-se discípulo de um asceta nas montanhas. Raja, um magnífico exemplar do Jardim Zoológico de Malgudi - a "efervescente cidade pequena no Sul da Índia". Com ferocidade insaciável, o tigre assalta as noites de pacatos vilarejos; é capturado, sofre privações atrozes, transforma-se em atração de circo e participa de um set cinematográfico. Subjugado à ambição humana por riqueza e poder, descobre que o passaporte para a fama não passa de mais uma escravidão grotesca. Qual terá sido a identidade de Raja numa encarnação anterior? A resposta não é clara; os indícios para decifrá-la encontram-se nas vicissitudes do presente. Na plenitude de sua maturidade literária, numa de suas mais belas e prazerosas histórias, o escritor indiano alterna páginas de reflexão profunda com humor perspicaz e cria uma voz narradora tanto inédita como inesquecível.

 Com uma premissa singular, a estória de Um Tigre Para Malgudi conta a trajetória "autobiográfica" de Raja, um tigre como nenhum outro é capaz de ser. Raja é diferenciado: Mesmo que não fale como os humanos, ele é capaz de raciocinar, de ter opinião própria e refletir tanto sobre sua existência quanto de todos os outros que o rodeiam. O próprio tigre narra sua vida, desde sua nascença a sua chegada na longínqua Malgudi e todos os acontecimentos subsequentes a isso. 

 Depois de crescer e se estabelecer como o "rei" da selva, Raja, por ironia do destino, termina sofrendo com a força humana, capaz de prendê-lo em uma jaula de um zoológico e, futuramente ser treinado para tornar-se a maior atração de um circo.

"As pessoas comportam-se conforme suas predisposições e, mais cedo ou mais tarde, colhem o que plantaram. Esta é a lei natural da vida, tão inevitável como o amadurecimento de uma manga no pé durante o verão ou  a queda de uma folha seca no outono."
Página 63

 Malgudi é uma cidade indiana que, apesar de ser diferente, consegue preservar os aspectos culturais e cotidianos da Índia (talvez por isso o nosso personagem central seja um Tigre, animal popular ali). Vale a ressalva que o autor R. K. Narayan, é considerado um dos maiores romancistas Indianos do século XX.

 A vida do tigre é uma série de fatos que, aos olhos dos homens são motivos de atenção e medo, mas que, para ele é apenas instinto. Alias, um desses fatos que proporcionaram que ele viesse chegar até Malgudi.

  A sensibilidade e simplicidade da obra são os aspectos de maiores destaques do livro. Mesmo que sua história não tenha sido tão profunda, ao meu ponto de vista, é inegável a qualidade de escrita do autor. Ele consegue tirar de coisas simples (e até mesmo bobas) boas lições.

"Nenhum relacionamento, humano ou de qualquer tipo, nenhuma relação pode durar para sempre. A separação é a lei da vida, desde o ventre materno. Quem deseja viver conforme a vontade de Deus tem que aceitar esse fato."
Página 223

 O bom humor também é marca da obra, já que mesmo em momentos de adversidade os personagens demonstram "saber" como lidar com a vida.

O livro fisicamente falando é muito bem feito. Um capricho incrível da editora, que me fisgou para a obra pela sua capa. A tradução foi feita por Léa Nachbin, que conseguiu preservar a intensão do autor através das palavras.

 Não há muito mais o que ser dito sobre o livro, já é muito mais para ser sentido que propriamente falado. Uma história atípica porém que inspira e toca o leitor. Fica a curiosidade para conhecer outras obras do tão falado autor.


Parceria: Editora Guarda-Chuva

20 de maio de 2015

[Maio] Lançamentos Grupo Pensamento


► EDITORA PENSAMENTO
A Árvore da Vida, Christina Rose

  Você vai ter ótimos momentos de introspecção e relaxamento colorindo.

  A Árvore da Vida. Cheios de vitalidade e com riqueza de detalhes, os galhos da árvore transmitem a voz da natureza e sua energia positiva de cura, convidando você para um encontro consigo mesmo, enquanto preenche com belas cores as elaboradas imagens deste livro inspirador. Ilustrações de cenas vibrantes da natureza, acompanhadas de frases de poderosa sabedoria, vão possibilitar mudanças profundas como a expansão da consciência, a resolução de conflitos emocionais, o autoconhecimento e a transformação pessoal.

  Perfeito para todas as idades, A Árvore da Vida é uma obra de arteterapia por excelência. Cada uma das suas 50 ilustrações pode ser recortada e emoldurada, fazendo dela uma doce lembrança dos momentos em que passou na companhia da pessoa mais importante da sua vida: você mesmo.

ISBN: 978-85-315-1915-4
Número de Páginas: 100

16 de maio de 2015

Resenha | Star Wars: Kenobi

Título Original: Kenobi
Autor: John Jackson Miller
Série: Star Wars
Ano: 2015
Editora: Aleph
Páginas: 528
ISBN: 978-85-7657-199-5
Avaliação: ★★★★★
Sinopse: A República foi destruída, e agora a galáxia é governada pelos terríveis Sith. Obi-Wan Kenobi, o grande cavaleiro Jedi, perdeu tudo... menos a esperança. Após os terríveis acontecimentos que deram fim à República, coube ao grande mestre Jedi Obi-Wan Kenobi a missão de proteger aquele que pode ser a última esperança da resistência ao Império. Vivendo entre fazendeiros no remoto e desértico planeta Tatooine, nos confins da galáxia, o que Obi-Wan mais deseja é manter-se no completo anonimato e, para isso, evita o contato com os moradores do local. No entanto, todos esses esforços podem ser em vão quando o “Ben Maluco”, como o cavaleiro passa a ser conhecido, se vê envolvido na luta pela sobrevivência dos habitantes de um oásis esquecido no meio do deserto e em seu conflito contra o perigoso Povo da Areia.



 Com objetivo de preencher a looonga lacuna deixada entre os episódios III (A Vingança dos Sith) e o episódio IV (Uma Nova Esperança), Kenobi de John Jackson Miller é mais um dos livros do universo expandido de Star Wars.

 Eu sou suspeito em falar da série em si, inda mais no que se diz respeito aos livros referentes ao universo expandido de Star Wars, já que é uma missão gigantesca conseguir fazer que essas obras sejam tão boas quanto as histórias originais. Mas, nos primeiros capítulos foi visível que Kenobi cairia facilmente no meu gosto.

 Com o extermínio dos Jedis e a ascensão dos Sith, aliado à queda da república para o Império, Obi-Wan Kenobi (agora sob o nome de Ben) precisou se "refugiar" (e observar de perto o crescimento de Luke Skywalker) no longínquo planeta Tatooine e seus dois sóis.

 Ben ainda sente totais remorsos por tudo de ruim que aconteceu a ele e a todos que o rodeavam: Desde a morte de milhares de inocentes à queda dos Jedis e da Republica. Mas nada dói mais nele que as perdas de seu mestre Qui-Gon e de seu aprendiz Anakin para o lado negro da Força. Mesmo que frustrado com tudo, ele consegue manter sua postura e seu instinto Jedi, o que achei ótimo pois se adequou perfeitamente ao que viria acontecer (se analisarmos cronologicamente) no episodio IV da serie Star Wars, já que qualquer deslize poderia influenciar negativamente o encaixe das histórias.

"─ Eu tento evitar as palavras "sempre" e "nunca" – disse Ben. – Coisas que parecem permanentes, garantidas, podem encontrar um jeito de mudar rapidamente, tornando-se algo que você nem sequer é capaz de reconhecer. E nem toda mudança é para melhor."
Página 193

 Voltemos a história. Tatooine é um planeta distante que vive à base da agricultura e de saqueadores cruéis denominados de Tuskens, o povo da areia. Eles são liderados por A'Yark, que assim Kenobi, tem seus pontos de vista narrados durante o livro. Pelo calor de dois sóis, sua distancia de todos outros lugares e de ataques do povo da Areia, Tatooine não é nem de longe um bom lugar para se viver.

 Ali, no Lote do Dannar, Ben conheceria Annileen Calwell, uma mulher guerreira que perdeu seu marido (Dannar) e, com ajuda obrigada de seus filhos: Jabe e Kallie.  Ela conta com ajuda de Orrin Gault, um grande amigo de Dannar, que coincidentemente perdeu sua mulher e deixou dois filhos: Mullen e Veeka.

 A obra começa a ganhar corpo (e se inicia de fato) através do conflito entre o povo da areia e os Colonos. Para combater os ataques dos Tuskens, Orrin Gault criou o Chamado dos Colonos, um contrato que os fazendeiros pagam a Orrin para que ele consiga, de certa forma, manter o povo da areia afastado das terras deles. Apesar de tudo, Orrin não consegue confiar totalmente no "Ben Louco" e muito menos o contrário.

 Desde então, Ben, que faz de tudo para se manter o mais discreto possível, parece adquirir um imã para problemas e desventuras. Sua verdadeira identidade estaria posta a prova e, o verdadeiro motivo para ele estar ali, a grande missão de todas, passaria a correr um grande risco... Se ele não fosse um Jedi.

"─ Uma vida que parece pequena por fora pode ser infinita por dentro. Até mesmo alguém vivendo no lugar mais remoto do universo pode se preocupar com centenas de pessoas. Ou com toda a galáxia."
Página 344

 O livro é dividido em quatro partes, com etapas muito bem distintas e que fazem o leitor achar na obra um inicio-meio-fim muito bem elaborado. Os personagens (até mesmo os criados exclusivamente para esse livro) possuem características muito fidedignas ao que é a base original de Star Wars. O autor conseguiu preservar desde a ambientação aos personagens. O final é bem sugestivo e da aquele gostinho de quero mais.

 Dois pontos de ressalva para quem ainda está com medo de ler: 1- Você não precisa necessariamente saber dos filmes para  ler o livro, já que não afeta muito para quem não está ambientado com o tema. 2- Não se assustem com a "grossura" da obra. Mesmo com suas 500 e tantas páginas, a leitura flui tão rapidamente que aparenta ser um livro de apenas 200.

 Outro ponto positivo que só engrandece a obra é a edição fantástica da Editora Aleph que mais uma vez mandou MUITO bem. Muito bem diagramado e organizado, sem falar no design dele que é sensacional (tanto capa quanto dos conteúdos).

 Enfim, Kenobi é uma excelente pedida tanto para você que nunca leu nada referente a Star Wars quanto para pessoas que, assim como eu, é fanática pela saga. 5 estrelas.

15 de maio de 2015

Promoção: Agentes em Queda Livre

Faaaala pessoal!
 Como vocês viram aqui no blog, foi anunciada juntamente com a parceria com a Editora Guarda-Chuva uma ação para a divulgação do primeiro YA (Young Adult) da editora. O Caintina do Livro é embaixador da ação que já começou no instagram. 

Sinopse: A mudança de Grace para o país de Adria deveria ser um recomeço, uma chance de deixar para trás seu terrível passado. Pelo menos isso é o que todos esperam, mas é impossível apagar a lembrança do que aconteceu diante de seus olhos. Ainda que ninguém mais acredite nela. Ainda que sua certeza lhe custe tudo o que tem. Morando com seu avô, o poderoso embaixador dos Estados Unidos, Grace logo descobrirá que sua nova vida pode exigir muito mais do que uma adaptação geográfica. Entre festas clandestinas e bailes de gala, complexas relações diplomáticas e uma paixão proibida, ela será envolvida em uma rede de segredos que colocará sua coragem – e sua sanidade – à prova. Qualquer deslize cometido na Ala das Embaixadas poderá deflagrar uma crise internacional, e Grace fará de tudo para evitar que o mundo à sua volta despenque em queda livre.

 Serão 3 etapas (a primeira, inclusive, termina hoje - 15/05) denominadas de missões. A segunda etapa ocorrerá na próxima semana e a terceira na semana seguinte. Cada etapa valerá alguns prêmio e, por isso, irei atualizando essa postagem de acordo com o que as ações forem acontecendo. 
 Eis as missões: 
Missão 1

 Faça um post dessa imagem no Instagram e marque um amigo. Não se esqueça de usar as hashtags #agentesemquedalivre e #missao1. 

(Link no instagram @cantinadolivro aqui)

Prêmio: Adesivo+Marcador (25 vencedores, entre todos os participantes, de todos os canais embaixadores)
Início: 11/5
Término: 15/5
Anúncio dos vencedores: 16/5*

*Os vencedores serão anunciados na página da Guarda-Chuva

Confira as regras completas da Missão 1 em:
http://editoraguardachuva.com.br/sem-categoria/missao1regras/
Missão 2
Faça uma selfie disfarçado para uma missão (vale boné, óculos escuros, bandana...), marque dois amigos e poste no Instagram com as hashtags #agentesemquedalivre e #missao2


Prêmio: Livro + Pôster (10 vencedores, entre todos os participantes, de todos os canais embaixadores)
Início: 18/5
Término: 22/5
Anúncio dos vencedores: 23/5*

*Os vencedores serão anunciados na página da Guarda-Chuva

Confira as regras completas da Missão 2 em:
http://editoraguardachuva.com.br/sem-categoria/missao2regras/

Missão 3
Agentes em queda livre, para a sua missão final, queremos que você e seus amigos mostrem que estão no comando total desse desafio: Poste uma foto no Instagram de você e sua galera no ar, pulando, sem se machucar, marque 3 amigos e não se esqueça das hashtags #agentesemquedalivre e #missao3

Prêmio: Livro + Pôster + Marcador + Adesivo + Bolsa (5 pessoas, entre todos os participantes, de todos os canais embaixadores)
Início: 25/5
Término: 29/5
Anúncio dos vencedores: 30/5*

*Os vencedores serão anunciados na página da Guarda-Chuva

Confira as regras completas da Missão 3 em:
http://editoraguardachuva.com.br/sem-categoria/missao3regras/



Em Queda Livre é o primeiro livro da série "Segredos Diplomáticos". Breve, maiores novidades sobre a obra. 

11 de maio de 2015

Resenha: Sal

Título Original: Salt
Série: Trilogia do Sal Profundo, Vol 1
Autor: Maurice Gee
Ano: 2015
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 196
ISBN: 978-85-286-1785-6
Avaliação: ★★★★



Sinopse: Quando Tarl é capturado e escravizado para trabalhar no Sal Profundo, seu filho Hari promete resgatá-lo. Corajoso e inteligente, este cruza o caminho da bela Pérola e de sua talentosa criada, Folha de Chá. Hari e Pérola logo percebem que, juntos, devem descobrir os segredos do Sal Profundo. E esta longa jornada por terras ermas se torna muito mais do que uma missão para salvar Tarl — afinal, o mundo está à beira de um terror sem precedentes.



 A prosperidade e o crescimento tiveram seu preço. E foi cobrado caro.


 A Companhia é o sistema de governo daquele local, por assim dizer. Aos poucos ela foi se estabelecendo e tomando tudo (ou o pouco) que as pessoas tinham sem que elas percebessem, já que a cidade passou a prosperar e evoluir. Ela é temível, astuta e manipuladora, mas que consegue se impor através do seu porte financeiro e da sua força, principalmente quando se trata dos Chicotes, os "soldados" que a servem, sob o lema que "a Companhia se importa".

"Vida longa à Companhia. A Companhia se importa."
Página 12

 Quando Hari viu seu pai Tarl ser levado como escravo pelos Chicotes para trabalhar (leia-se ser enviado para sofrer até sumir do mapa) no Sal Profundo, ele não medirá esforços para conseguir tirá-lo daquele detestável lugar, nem que para isso ele tenha que derrubar sozinho um sistema já corrompido e todos que tiverem relação com a Companhia. Hari conta com um dom de manipular animais (oi, cavalos...) com a força da sua mente e que se melhor treinado, poderia ser bastante favorável a ele em sua missão.

"Os homens enviados para lá nunca voltavam à superfície. Ninguém sabia o que escavavam e, depois de um tempo, um por um, os homens desapareciam. Nenhum corpo, nem restos de corpo, jamais foi encontrado."
Página 15

 Do outro lado da história, conhecemos Pérola Radiante do Profundo Mar Azul, ou apenas Pérola. Ela, acompanhada de sua criada Folha de Chá estão se preparando para fugir de seu lar, pois Pérola teve sua mão cedida pelo seu pai para casamento à Ottmar do Sal, que como o nome já sugere, é um dos membros da Companhia. Ambas possuem um dom além do normal: Comunicar-se (e manipular pessoas) através do pensamento. Nem precisa dizer que, é nessa fuga que elas se deparam com Hari e sua missão suicida. Mesmo que com objetivos diferentes, o trio termina juntando suas forças para conseguir o que almejam individualmente.

 Sal é um livro peculiar. Uma fantasia que, mesmo que aparentemente seja "mais do mesmo", consegue impor sua personalidade diferenciada e um enredo que atrai o olhar do leitor. A história tem seus momentos de monotonia mas nada que atrapalhe significativamente o enredo da obra.

 Algo que também é um tanto complexo é adequar-se à linguagem utilizada na obra, principalmente para nomes de pessoas e lugares (acho que vocês já observaram isso na resenha). 


 Seus personagens principais são bem nivelados, o que não acontece com os "secundários", que não possuem participação tão significativa a ponto de interferir em algo no enredo. Hari e Perola, apesar das suas divergências, são pessoas que tem mais em comum do que eles próprios imaginam. Donos de personalidades fortes, "cheios de si" e com inúmeros segredos sob as costas. Até mesmo a criada Folha de Chá não é totalmente exposta pelo autor, que conseguiu deixar um tom de curiosidade em relação a ela. 

 O final da obra da aquele gosto de quero mais, principalmente por algumas surpresas reservadas por Maurice Gee para a sequencia da estória e claro, a ansiedade para os próximos livros da trilogia é enorme. Ele visivelmente fez questão de deixar pontas soltas para serem conectadas futuramente. Espero que consiga manter o nível nos próximos livros.

 Altamente indicado para todos, principalmente para quem curte fantasia e/ou busca enredos diferentes do rotineiro.



Parceria: Grupo Editorial Record (Selo Bertrand Brasil)

10 de maio de 2015

Resultado: DOCE ABRIL LITERÁRIO


Agora é oficial! Saiu a lista dos vencedores da promoção Doce Abril Literário, que premiaria quatro pessoas com 16 livros (4 em cada kit) e alguns outros brindes. Então, eis os ganhadores:
 Parabéns a todos os vencedores. A organizadora do sorteio entrará em contato com vocês para solicitar seus dados para que os prêmios sejam enviados (lembrando que cada blog tem até 60 dias para enviar os exemplares que foram destinados a eles). E aos que não ganharam, não desistam e, em breve, mais promoções no blog do Cantina do Livo. O resultado também pode ser conferido na página da postagem referente a promoção [aqui].

8 de maio de 2015

Resenha: Assassinato no Expresso do Oriente

Título: Murder on The Orient Express
Autor: Agatha Christie
Ano: 1934
Editora: Nova Fronteira/Saraiva de Bolso*
Páginas: 200
ISBN: 9788520934784
Avaliação: ★★★★★
Sinopse: Nada menos que um telegrama aguarda Hercule Poirot na recepção do hotel em que se hospedaria, na Turquia, requisitando seu retorno imediato a Londres. O detetive belga, então, embarca às pressas no Expresso do Oriente, inesperadamente lotado para aquela época do ano. O trem expresso, porém, é detido a meio caminho da Iugoslávia por uma forte nevasca, e um passageiro com muitos inimigos é brutalmente assassinado durante a madrugada. Christie propõe um fascinante enredo nos moldes do clássico subgênero do “locked room” (“mistério do quarto fechado”), em que o crime ocorre num local isolado, e a suspeita recai sobre todos os presentes. Caberá a Poirot descobrir quem entre os passageiros teria sido capaz de tamanha atrocidade, antes que o criminoso volte a atacar ou escape de suas mãos. 

 Depois de anos desde a primeira vez que li Assassinato no Expresso Oriente, eis que enfim farei a resenha do mesmo. Por que motivo? Primeiro por ele ter sido o livro que me fez apaixonar pela literatura policial, segundo que, depois dele, não consegui mais parar de ler obras da Agatha Christie e terceiro que é um dos melhores livros do gênero que já li. 

 Nessa obra, emergimos num Expresso que estava a caminho de Londres. Hercule Poirot, o excepcional detetive desenvolvido por Agatha, precisou embarcar no Expresso do Oriente que estava mais cheio que o rotineiro para aquela época. E fez o destino (ou não?) que um dos maiores detetives da história estivesse presente ali onde ocorreria um crime sem precedentes. 

 O crime é teoricamente simples, porém cruel: Depois de uma parada devido a forte nevasca que impossibilitou o expresso de seguir sua viagem, Mr. Ratchett foi encontrado morto em sua cabine, no meio da noite, com 12 facadas. Mesmo com inúmeras pistas deixadas no local do crime, ele poderia ser considerado aparentemente perfeito. Quem seria capaz de tamanha atrocidade? Por qual motivo fazer algo assim Essa é a missão do detetive Poirot para resolução do caso. 

"Os olhos de Poirot vasculhavam a cabine, brilhando aguçadamente como os de um gato na noite. Percebia-se que nada lhe escaparia...''
Página 54

 Um obra singela que consegue retratar a essência do que é Agatha Christe: Um enredo repleto de reviravoltas e totalmente envolvente, um mistério que vai muito além do que se pode esperar e um final revelador e totalmente surpreendente.

 É natural (pelo menos comigo) de tentar, ao decorrer da leitura, descobrir quem é o responsável pelo mistério que sugere os livros policiais, principalmente quando envolvem assassinatos. E, nessa obra tenha certeza absoluta que você não vai passar nem perto de quem foi o verdadeiro autor do crime, o que tornou o livro simplesmente fantástico. 

 O livro é curto e infelizmente passa rápido, porque esta é a tipica obra que dá vontade de ler por dias e dias sem parar... Livro nota 10 para uma autora que, graças a ele se tornou a minha favorita. Mais que indicado para todos.

*Saraiva de Bolso, referente a primeira vez que o li. 

4 de maio de 2015

Resenha: Iscas

Título Original: BAIT
Autor: J. Kent Messum
Ano: 2015
Editora: Record
Páginas: 308
ISBN: 978-85-01-40307-0
Avaliação: ★★★★

Sinopse: Seis estranhos acordam em uma ilha deserta sem qualquer lembrança de como chegaram ali, mas logo se torna evidente o que todos têm em comum: são dependentes de heroína. Sequestrados e colocados à força em um jogo mortal.  Em pouco minutos, começam a discutir, porém os ânimos se acalmam quando eles encontram um baú com água, comida e uma carta informando que ninguém irá socorrê-los e que, do outro lado do canal, há uma segunda ilha, onde eles encontrarão mais suprimentos e uma recompensa para quem completar a tarefa: uma dose da mais pura heroína. Quando os primeiros sintomas da abstinência aparecem, eles não veem alternativa a não ser se entregar à pressão psicológica imposta pelos misteriosos torturadores. Então se aventuram em um oceano de terror.



 Seis pessoas distintas em personalidade mas totalmente iguais no que diz respeito ao seu vício: A heroína, uma das drogas mais devastadoras para um ser humano. Nash, aparentemente é o menos "anormal" daquele grupo. Felix, uma pessoa difícil de lidar e que tem a força como sua razão. Ginger, uma mulher que precisou ser durona para chegar até onde chegou (se é que conseguiu chegar na borda do fundo do poço). Kenny foi deserdado pelos pais ao descobrirem sua opção sexual. Tal é um viciado ao extremo que viu a droga ir tirando pouco a pouco todos seus sonhos. Maria, a ultima dos seis, é a mais misteriosa. 

 Eles não sabem onde estão e nem o porque de foram parar ali, numa ilha no meio do nada, rodeado de mar. As únicas coisas em comum entre os seis, além do fato deles estarem sendo observados de perto por alguém que eles desconheciam há alguns dias, é que eles são escravos da heroína. Apesar de tão diferentes, eles precisaram aprender a lidar com o outro para além de conseguir sobreviver aquela ilha, achar uma saída e respostas para aquele mistério. 

 Tudo se torna ainda mais louco com o passar do tempo, quando a abstinência começa a corroer a coerência de cada um e eles descobre um baú contendo um pouco de comida e água para cada um e uma carta que afirma que eles estão em um "jogo" e, se quiserem ser recompensados precisam chegar ao outro lado da ilha para conseguir a dose da mais pura droga. Começa ai um jogo de gato e rato que vai muito além de seis pessoas fadadas ao fracasso. 

 J. Kent Messum conseguiu ganhar destaque com a proposta de sua obra (mesmo eu já tendo visto algo parecido no roteiro do filme Os Condenados), pela forma que ele organizou a estória e como ele lidou com a construção e apresentação dos personagens.

 Apesar de Nash ser o personagem principal (talvez por ele ter sido apresentado primeiro em relação aos outros), o autor consegue balancear a função de cada um dos seis indivíduos ali presente, não valorizando mais um para contrabalancear com outros. 

 Messum fez um vai-e-vem no tempo, alternando entre cada um dos capítulos as frustrações atuais em que os personagens se encontram e as frustrações passadas pelas suas vidas, tornando-os derrotados e fracassados pelo mundo imposto pelo vício das drogas. 

 A linguagem que o autor aborda na obra além de ser de fácil entendimento, é peculiar, pois ele não demonstra importar-se com uso de gírias. Senti também uma certa "revolta" na forma como ele considera a droga heroína e em sua forma de se referir aos usuários, principalmente os mais deteriorados de alma, corpo e mente. 

O final da obra talvez tenha sido o ponto de maior decepção. Não que seja ruim, mas senti algumas pontas soltas e a conclusão e apresentação dos fatos (o mistério em si, "o que do porque") não me agradaram. Poderia ter sido melhor.

Apesar de ter consciência que o livro poderia ter sido beeem melhor e menos irreal, Iscas conseguiu prender e muito minha atenção. Se você procura um thriller diferente, reflexivo e forte, mergulhe no oceano de Iscas

Parceria: Grupo Editorial Record (Selo Record)

1 de maio de 2015

Resenha: Pequenos Deuses

Título Original: Small Gods
Série: Discworld
Autor: Terry Pratchett
Ano: 2015
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 308
ISBN: 978-85-286-1696-5
Avaliação: ★★★

Sinopse: Em Pequenos Deuses, Terry Pratchett faz uso de seu ácido humor para desenvolver uma crítica mordaz à religião institucionalizada. No Discworld — mundo palco de suas dezenas de histórias de sucesso —, o deus Om percebe, ao tentar se manifestar na Terra, que ficou preso no corpo de uma pequena tartaruga. Precisará, então, contar com o auxílio do noviço Brutha para descobrir como recobrar seu poder — e a crença que lhe dá vida — ao mesmo tempo em que grandes figurões planejam uma guerra santa. Pratchett, nesta sátira em seu mundo fantástico, volta a fazer o que faz de melhor: usa a fantasia e o humor para falar da realidade.

Leia um trecho | Skoob




 Primeiro livro da coleção Discworld publicado pela Bertrand Brasil, a obra "narra" a investida do deus Om na terra e sua frustrada tentativa de se manifestar entre os "terráqueos" em forma de touro, já que ele terminou, sem explicação lógica, transformando-se em uma pequena e lenta tartaruga, ser detestável e maldito naquela região da Omnia.

 Ao tentar ajuda com um noviço desastrado e divertido, o Brutha, o deus Om precisa convencer o noviço de que ele é ele, já que não ha muito sentido um deus se transfigurar em uma tartaruga. Ele precisa recuperar seu poder e recuperar sua credibilidade perante aos seus seguidores, já que a fé deles para Om está cada dia mais morta.

 As pessoas acreditam agora numa nova estrutura de religião que é liderada pelo chefe exquisidor Vorbis, um dos cabeças do país, pessoa esta que justifica seus atos de tortura com os demais pela suposta fé, o que na maioria das vezes não é justificável. Seria ele um vilão na estória?

"O medo é uma terra estranha. Nele, a obediência cresce como milho, em fileiras que facilitam a colheita. Mas, ás vezes, nele crescem as batatas do desafio, que florescem no subsolo."
Página 29

 Como já sabia da forma em que o Terry Pratchett escreve, já fui preparado para uma "nova e diferente forma de ler". No livro, não há divisão de capítulos de fato, mas sim espaçamentos entre acontecimentos que fazem com que o leitor deduza que ali finda-se um capitulo para começar outro.

 A obra é visivelmente crítica e bastante satírica, principalmente à religiosidade e a forma como ela é tratada (ou maltratada) e à fantasia, já que o autor usa, abusa e explora do universo fantástico e exagerado (o que não é ruim). A estória, apesar de interessante não conseguiu me conquistar. Apesar de ser parte de uma coleção solidificada no mercado, o enredo e a forma como o livro se desenvolve não conseguiram me atingir. 

 Fisicamente falando, o livro merece destaque pelo capricho que ficou a edição, que mesmo que tenha preservado aspectos da versão original (ilustrações da capa, no caso), ficou mais destacada pelas cores mais vivas e as letras em alto relevo. 

 Tenho total consciência que o livro não é ruim (pelo contrário), mas foi questão de não conseguir me encantar o quanto eu imaginava e esperava que fosse. Apesar disso, pretendo ler outras obras de Discworld para tentar mudar essa primeira impressão. Por isso, fica a indicação da obra para quem quiser da uma conferida. 

Parceria: Grupo Editorial Record (Selo Bertrand Brasil)
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