12 de abril de 2015

Resenha: Tempos Difíceis

Título: Hard Times
Autor: Charles Dickens
Ano: 1854
Ano da Edição: 2014
Editora: Boitempo Editorial
Páginas: 336
ISBN: 978-85-7559-412-4
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Avaliação: ★★★★
Sinopse: Neste clássico da literatura, Charles Dickens trata da sociedade inglesa durante a Revolução Industrial usando como pano de fundo a fictícia e cinzenta cidade de Coketown e a história seus habitantes. Em seu décimo romance, o autor faz uma crítica profunda às condições de vida dos trabalhadores ingleses em fins do século XIX, destacando a discrepância entre a pobreza extrema em que viviam e o conforto proporcionado aos mais ricos da Inglaterra vitoriana. Simultaneamente, lança seu olhar sagaz e bem humorado sobre como a dominação social é assegurada por meio da educação das crianças, com uma compreensão aguda de como se moldam espíritos desacostumados à contestação e prontos a obedecer à inescapável massificação de seu corpo e seu espírito. Escrito em 1854, o clássico Tempos difíceis mantém sua atualidade. Em meio à crise capitalista que assola parte do mundo com números crescentes de desempregados e cortes de gastos dos Estados – e, consequentemente, de empobrecimento da população –, a obra de Dickens mostra um panorama histórico do sistema capitalista e faz uma crítica social contundente a ele. Mais do que nunca, torna-se leitura necessária para a reflexão sobre como o capitalismo se arraigou em nossa existência cotidiana. 

 Em seu livro mais curto, a história nos apresenta a cidade fictícia que Charles Dickens desenvolveu para sua obra: Coketown, um local marcado pelos efeitos da Revolução Industrial e da crise do Capitalismo presente na Inglaterra. Confesso não ter sido uma leitura fácil, pois é bastante interpretativa e reflexiva, o que enobrece a obra. 

A obra é dividia em 3 partes: Semeadura, Colheita e Provisão, sendo assim auto-descritivos de acordo com o contexto que seria abordado ali. É visível a intenção de Dickens em retratar a vida das pessoas não só daquela cidadezinha mas de todo contexto que englobava a sociedade inglesa daquele período (as diferenças entre classes, as condições de trabalho, economia, educação, etc), anunciando suas vidas monótonas, realizando tarefas monótonas em lugares monótonos.

"Ora, além de bebês que mal começavam a andar, havia em Coketown uma população considerável de bebes que caminhava contra o tempo em direção ao mundo de eternidade havia vinte, trinta, quarenta, cinquenta anos ou mais."
Página 67, Capitulo 8

 Sr. Thomas Gradgrind, personagem central, é um homem de fatos. Tras seus filhos e alunos na visão retida dos fatos. Apenas os fatos o interessam, assim como o céu é azul, o sal é salgado e um mais um são dois. Esta obsessão do senhor pelos fatos e ódio dele pela fantasia (o imaginário, digamos assim) é um dos pontos altos da obra pois nos faz tentar interpretar uma mente totalmente reta de vida, sem deixar desviar por ilusões e sonhos impossíveis. Isso já é deixado em evidencia no primeiro capitulo da obra, em uma ótima introdução a história no qual o personagem lida com seus alunos.

 Na minha opinião, não há personagens menos importantes ou ruins, pois todos estabelecem uma relativa importância para a narrativa de acordo com o que o autor os usa na narrativa. Destaque também para Sissy, uma filha de um palhaço que foi abandonada porém resgatada do mundo por Sr. Gradgrind, que teria o objetivo de reeduca-la em sua retidão.

"Havia ruas largas, todas muito semelhantes umas às outras, e ruelas ainda mais semelhantes umas às outras, onde moravam pessoas também semelhantes umas às outras, que saíam e entravam nos mesmos horários, produzindo os mesmos sons nas mesmas calçadas, para fazer o mesmo trabalho, e para quem cada dia era o mesmo de ontem e de amanhã, e cada ano o equivalente do próximo e do anterior."
Página 37, Capitulo 5

A obra foi ilustrada por Harry French (publicadas com a segunda edição inglesa na década de 1870) e traduzida para essa edição da Boitempo por José Baltazar Pereira Junior. Por que enfatizei o tradutor? Mais uma vez é notável o trabalho que foi para desenvolver uma tradução que fosse nivelada ao que a obra representa para a literatura. Apesar de não ser uma leitura que flua tão facilmente, creio que valha a pena a leitura, mesmo de quem não aprecia o gênero. Primeiro livro do Dickens que leio e já estou visando o próximo.

8 comentários:

  1. Oi, cliquei sem pensar duas vezes quando vi seu post no meu feed do blogger *-* Eu ainda não li este, mas estou lendo um livro onde há um conto de Dickens, sem contar que meu professor de literatura inglesa sempre dá exemplos envolvendo este autor. Eu nunca tinha lido uma resenha de Tempos Difíceis, mas varias pessoas já haviam me recomendado, sua resenha então me deixou muito curiosa *-*. É normal que clássicos sejam difíceis de ler, mas são "deliciosos" ^^
    Parabéns pela resenha ><
    http://literafeto.blogspot.com.br/

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  2. uauuuuu adorei a sua resenha...
    me deixasse super instigada pela leitura...
    :D
    tô dentro... e partiu procurar esse livro
    beijos enormes e parabéns...
    http://cantodadomino.blogspot.com.br/

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  3. Olá!
    Esse deve ser um livro bom, ao menos gostei das temáticas abordadas no livro, Capitalismo e Revolução Industrial, já amodoro!
    Essa é uma obra que preciso ter aqui em casa. Parabéns pela resenha!
    http://www.poesianaalma.com.br/

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  4. Olá!
    Achei sua resenha muito instigante. Eu me senti convidada a ler a obra. Sendo de um autor tão renomado e marcante, com certeza não posso deixar de conferir como desenvolveu a crítica à Revolução Industrial por meio de um romance. Não conhecia a editora Boitempo também e gostei da edição. Vou anotar a dica!

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

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  5. Oii, tudo bem?
    Eu acho que iria amar esse livro, adoro historia que se passam nessa época e que fazem critica aos acontecimentos da época.

    fonte-da-leitura.blogspot.com.br

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  6. Apesar de ser fã do autor, não me lembrava dessa obra, obrigada! Só sei que independentemente de qualquer coisa já quero ler e adorei a capa!

    Beijos!
    livrosdawis.blogspot.com.br

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  7. Olá tudo bem?
    Nossa quero muito ler livros do Dickens, sempre vejo elogios à ele e seus livros. A premissa desse me chamou muito a atenção, pois sou Historiadora e estou estudando justamente a formação da classe operaria inglesa no pós revolução industrial, com certeza lerei esse livro. Bjus!!!
    http://lendoaestante.blogspot.com.br/

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  8. Eu li Um Conto de Natal dele, curti um pouco com ressalvas e quero dar outra chance ao autor, gostei bastante da resenha e fiquei na vontade aqui principalmente essa edição HASUHASUHAS.

    Abs

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