30 de abril de 2015

Parceria: Editora Guarda-Chuva


 Fala pessoal! Que tal uma novidade para aquecer o dia? Trata-se de mais uma parceria com editoras para o Cantina do Livro. Dessa vez foi a Editora Guarda Chuva que depositou sua confiança no blog. Em breve vocês terão uma grande e boa novidade em relação a lançamentos da editora, por tanto, fiquem de olho aqui no blog e nas redes sociais.

 Agradeço muito a editora por ter confiado no trabalho do blog escolhendo-o para parceria e que, com isso, possamos evoluir em conjunto. 

Conheçam mais sobre a Guarda-Chuva:

SOBRE A EDITORA

 Apaixonada por publicações impressas, a Guarda-Chuva renasceu em 2010, quando foi adquirida pelo Grupo Versal Editores.

 Além de uma seleção de títulos de não ficção, que abordam comportamento e questões contemporâneas, também damos voz à literatura – dos clássicos à nova geração de escritores e artistas –, investindo em projetos inovadores e de excelência gráfica. Adquira os produtos aqui.

27 de abril de 2015

Resenha: O Dragão de Gelo

Título Original: The Ice Dragon
Autor: George R. R. Martin
Ano: 2014
Editora: Leya
Páginas: 128
ISBN: 978-85-441-0090-5
Avaliação: ★★★★★
Sinopse: O dragão de gelo era uma criatura lendária e temida, pois nenhum homem jamais havia domado um. Quando sobrevoava o mundo, deixava um rastro de frio desolador e terras congeladas. Mas Adara não tinha medo, pois ela era uma criança do inverno, nascida durante o frio mais intenso de que alguém tinha memória. Adara não se lembrava de quando viu o dragão de gelo pela primeira vez. Parecia que a criatura sempre estivera em sua vida, avistada de longe enquanto ela brincava na neve gelada durante muito tempo depois de as outras crianças terem fugido do frio. Aos quatro anos ela o tocou, e aos cinco montou no dorso imenso e gelado do dragão pela primeira vez. Então, aos sete anos, em um dia calmo de verão, dragões de fogo vindos do norte desceram sobre a fazenda pacífica que era o lar de Adara. E apenas uma criança do inverno - e o dragão de gelo que a amava - poderiam salvar o seu mundo da completa destruição. O dragão de gelo marca a muito esperada estreia de George R.R. Martin na literatura infantil. 

 Adara poderia ser mais uma garota como outra qualquer que vive ali, naquela monótona e pacata cidadezinha. Ela perdeu sua mãe ainda logo após seu nascimento, num dos invernos mais intensos daquela região. Sempre reservada e distante, ela passou a ser considerada "fria" pelo seu pai e seus irmãos mais velhos Geoff e Teri. Enquanto eles esperavam pacientemente o verão, que para eles trazia alegria, brilho e a ilustre visita de Tio Hal (e seus dragões do sul), era no inverno que Adara se sentia mais viva: podia ver a beleza da neve, sentir o frescor em seu rosto e brincar com os frágeis lagartos de gelo. Mas nada se comparava a visita de um ser raro (quase um mito), feroz, gigante e MUITO perigoso, mas que ela tinha como um bicho de estimação: O dragão de gelo.

"Gelo se formava quando ele soprava. O calor desaparecia. Fogueiras bruxuleavam e apagavam-se, abafadas pelo frio. Arvores eram congeladas até suas almas brandas e secretas, e seus galhos tornavam-se frágeis e quebravam sob o próprio peso. Animais azulavam, lamuriavam-se e morriam, de olhos esbugalhados e com a pele coberta de geada. O dragão de gelo soprava a morte no mundo."
Página 37

 É numa dessas visitas de Hal que as coisas começam a ganhar um novo contexto: Ele implora que seu irmão e os filhos partam daquela região já que a guerra bate tão quente a porta quanto a chama de um dragão feroz. O dilema instala-se entre aqueles que ali moram e o perigo é cada vez mais eminente.

 A obra é de um sutileza e maestria que há tempos não via em um livro do gênero. Martin conseguiu criar, em um livro teoricamente considerado infantil (assim como é o caso d'O Pequeno Príncipe), uma co-relação de amizade entre os personagens (sejam eles reais - pessoas - ou abstratos - os dragões, em si) que encanta os olhos. O relacionamento e de Adara para com o dragão de gelo é proporcionalmente oposta ao dela para com seus parentes, o que não quer dizer que não haja afeto entre eles. Falta coragem


 Adara carrega consigo uma dor que ninguém ao seu redor é capaz de notar e sentir e, talvez, nem ela mesma seja capaz. Sua relação fria com seus familiares e o peso que o pai leva na consciência de que ela foi a culpada pela morte da mãe é um tema interessantíssimo de se ver abordado nessa obra, já que o autor consegue, mesmo que indiretamente (ou não tão exposto assim) esse fato no inicio da obra.

"Os emburramentos, as irritações e as lágrimas de uma infância comum não eram para ela. Até mesmo a sua família sabia que Adara era diferente."
Página 18

 O livro é dividido em oito capítulos e narrado em terceira pessoa, como se fosse o próprio George R. R. Martin declamando a sua estória para alguém. Fisicamente falando, o livro é tão belo quanto seu conteúdo. As ilustrações foram feitas pelo artista espanhol Luis Royo, que fizeram o livro tornar-se ainda mais belo do que já é. Bem estruturado (ainda que a variação do tamanho de fontes tipográficas em algumas páginas tenha me incomodado), a obra ganhou um requinte nessa edição da LeYa, que ha proposito, tem a capa mais linda de todas já lançadas dessa obra no mundo até aqui.

 Em todos aspecto a obra consegue encantar, seja pela forma que a história se conduz, seja pela relação e características dos personagens como já citei ou pela forma que o pequeno universo foi predisposto para a obra ganhasse corpo, mesmo com tão poucas páginas.

 Se vocês acham que George R. R. Martin é apenas As Crônicas de Gelo e Fogo, precisam conhecer a maravilha literária que é O Dragão de Gelo, vulgarmente conhecido como o livro infantil de Martin. Cinco estrelas e coração de favoritado nele!

24 de abril de 2015

Resenha: Amazônia - O Arquivo das Almas

Título: Amazônia - O Arquivo das Almas
Autor: Paul Fabien
Ano: 2014
Editora: Isis
Páginas: 332
ISBN: 978-85-8189-025-8
Avaliação: ★★★★★
Sinopse: Em um futuro não muito distante um casal de oficiais, Vitã e Helena, participam de várias campanhas militares. Em todas as oportunidades lutam para defender a grande floresta Amazônica. Eles não imaginam que uma nova missão irá lançá-los na mais espetacular e perigosa das aventuras. O grande enigma começaria dentro da Amazônia, um lugar inóspito e assustador repleto de mistérios e grandes perigos. Após vários confrontos se deparam com as cavernas de Abissínia, na Colômbia, onde encontram a origem do verdadeiro mal e descobrem antigos segredos gravados em inscrições cuneiformes, registradas por outras civilizações pré-diluvianas. Esta obra apresenta um incrível e surpreendente relato completo de ação e mistérios, mais intrigantes que qualquer ser humano possa imaginar. 



 Numa Amazônia futurista, conheceremos os oficiais de uma nova Forças Armadas Brasileiras: Vitã e Helena. Vitã é da terra, considerado pelos indígenas da região de Codajás (nas redondezas da base de Codajás) como protetor, já que foi com eles que Vitã cresceu e amadureceu. Helena, apesar de nova, surpreendeu a todos por sua capacidade e habilidade, o que deram a ela uma vaga na equipe. Para descobrir estranhos mistérios que envolvem a região Amazônica, eles receberão complicadíssimas missões, partindo a bordo da nave SIB-41, uma nave com Inteligencia Artificial capaz de interagir com os tripulantes. Algo como Jarvis, em Iron-Man.

 Em outro lugar, o imperador Lugaleshi Sharrukin (e seu conselheiro Hansemon) busca ampliar seu poder e território a todo custo. Uma incrível descoberta poderia mudar drasticamente o mundo e favorecer sua expansão. E é quando os olhos dos vilões abrem para o Brasil que a tensão e a batalha começa de fato.

"[...]Vivemos em um planeta onde o forte sempre domina o mais fraco. Como haveria fronteiras e cidades, se não houvesse escravidão? Como as leis surgiriam, se o mais poderoso não tivesse ditado?"
Página 307

 Narrada em terceira pessoa, a obra reuni requisitos típicos de uma fantasia de excelência: um roteiro muito bem elaborado, cenários atípicos para histórias do tipo (ainda que tradicionais e conhecidos), personagens bem construídos e, claro, muita adrenalina.

 O livro é ambientado basicamente em três lugares: Brasil, Colômbia (principalmente nas cavernas da Abissínia, um lugar secreto e "santificado" por dentro e cruel e sangrio por fora) e no Oriente Médio. O autor consegue agregar ao seu enredo um cenário que, diferentemente do que aparentava ser, facilitou (e muito) o desenvolvimento da obra.

 Se de um lado temos pessoas guerreiras, determinadas e cativantes como Vitã e Helena, do outro temos pessoas detestáveis e que da vontade de entrar no livro e dar uma surra neles, que é o caso dos vilões.  E por falar em vilões, fica evidente a inspiração do autor em personagens clássicos de outras histórias, como no caso do imperador Lugaleshi Sharrukin e Hansemon, que carregam respectivamente uma cara de Palpatine e Darth Vader, ambos de Star Wars.

 O misto de Sci-Fi (ficção cientifica) e fantasia, com aquela carga de aventura faz a obra encher os olhos. As batalhas são incríveis, os personagens empolgam e as surpresas e segredos fazem-se presentes em massa. É tanto mistério que envolve a obra que qualquer detalhe dito pode entregar o ouro para quem ainda não leu, por isso preservarei ao máximo para aflorar a curiosidade. Posso adiantar que Amazônia, O Arquivo das Almas é fantástico e merece sim ser apreciado.


22 de abril de 2015

[Abril] Lançamentos Grupo Pensamento


► EDITORA JANGADA
Torre Partida (Saga da Terra Conquistada #2),
J. Barton Mitchell
 Neste segundo volume da Saga da Terra Conquistada, Mira, Holt, Zoey e Max embarcam numa jornada épica em busca da Torre Partida - um marco famoso e sombrio no meio do cenário mais perigoso do mundo: as Terras Estranhas. Os poderes de Zoey despertam, mas quem ela é continua sendo um mistério. Tudo o que ela sabe é que precisa chegar à Torre Partida. Os alienígenas, chamados pelos sobreviventes de Confederados, perseguem Zoey, e entre eles um novo grupo cujas intenções parecem diferir das dos demais. Para tornar tudo pior, o Bando -  grupo que persegue Holt - também está nas Terras Estranhas, liderado por uma bela e ameaçadora pirata chamada Ravan. Assim como o primeiro amor de Mira, Benjamin Aubertine, cuja ambição desmedida para chegar à misteriosa Torre pode levar todos à morte. E há também as próprias Terras Estranhas, que inexplicavelmente começam a se expandir, tornando-se ainda mais poderosas e mortais. De alguma forma, tudo parece ligado à Zoey, e quanto mais perto da Torre mais enfraquecida ela parece ficar.

21 de abril de 2015

TAG – Skoob: Minha Estante Virtual

 Depois de muuuuito tempo (perdi até qual foi a ultima vez), volto a postar uma tag aqui no Cantina do Livro. A tag de hoje, nada mais é do que uma postagem referente a rede social SKOOB, queridinha de nós, leitores. Não houveram indicações, apenas a vi em um blog (oi, Caverna Literária) e resolvi posta-la aqui. A seguir, minhas respostas: 

17 de abril de 2015

Resenha: Benefício Na Morte

Título: Death Benefit
Autor: Robin Cook
Ano: 2015
Editora: Record
Páginas: 448
ISBN: 978-85-01-40363-6
Avaliação: ★★★★★
Sinopse: Pia Grazdani é uma estudante de medicina de inteligência excepcional e temperamento reservado. Em estreita colaboração com o geneticista molecular Dr. Tobias Rothman, da Universidade Columbia, ela trabalha na pesquisa que tenta criar órgãos de reposição para pacientes crônicos, o que poderia revolucionar a saúde pública. Através desse estudo, Pia espera ajudar milhões de pessoas. Porém, quando o laboratório vira palco de uma tragédia, Pia se vê obrigada a interromper suas pesquisas e começa a investigar, com a ajuda de um colega de turma, o que teria causado o desastre no laboratório de biossegurança. Enquanto isso, dois gênios de Wall Street pensam ter achado mais uma mina de ouro na multitrilionária indústria de seguros de vida, e concentram todos os seus esforços na tentativa de manipular dados atuariais e securitizar apólices de seguro de vida de idosos e doentes crônicos – uma fonte potencial de fortunas incalculáveis. Quando Pia e George investigam mais a fundo, uma pergunta começa a rondá-los: será que alguém estaria usando informações de seguros de vida particulares para permitir que investidores se beneficiem da morte de terceiros?

 EX-PE-TA-CU-LAR! Não tem como começar essa resenha de outra forma. O que há de tão incrível assim em Benefício na Morte? Vejamos a seguir.

 Afrodita Pia Grazdani é uma jovem de 26 anos que tem um passado cruel e pesado, fatos que fizeram ela se tornar uma pessoa reservada, sem conseguir confiar totalmente nas pessoas e, aparentemente fria, a visão dos outros. Linda por fora, destruída por dentro. Só ela sabe o que se passa dentro daquela sua própria cabeça. Ela é estudante de Medicina (doutorado em Genética Molecular) enquanto trabalha em paralelo no Centro Médico da Universidade Columbia. Seu grande parceiro, George Wilson (radiologia), nutre um amor oculto por Pia, já que, por experiencia própria, sabe que conquistá-la é um sonho quase impossível.

 Enquanto isso, Dr. Tobias Rothman é uma pessoa difícil de tratar: Arrogante, antissocial e capaz de fazer as pessoas tremerem só de se aproximar. Rothman é a tipica pessoa que precisa usar uma casca em sua volta para que o mundo seja mais fácil dele lidar. Ele e seu parceiro Dr. Junichi Yakamoto estão trabalhando em uma pesquisa que pode revolucionar não apenas a ciência como todo um mundo: Regeneração/reconstrução de qualquer órgão de um ser a partir das células tronco induzidas. Satisfeito com o trabalho exercido por Pia na Universidade Columbia, ele a convida para participar de sua pesquisa.

 Por outro lado, há pessoas que não se satisfariam nada com essa pesquisa e estariam dispostos a fazer o que for preciso para que ela não vá adiante. Eles usam a empresa LifeDeals para comprar apólices de seguros de vida mais baratos a partir de dados atuariais. Eis que começa uma guerra secreta (e indireta) de gato-e-rato no qual a corda tende a partir para o lado mais inócuo.


 Primeiro livro do Robin Cook que leio e já é possível entender porque ele é considerado o mestre dos thrillers médicos. A história criada por ele, flui como cachoeira, mesmo com suas quatrocentas e tantas páginas. Cook destrincha todos os termos técnicos e "coisas estranhas" citadas por intermédio dos seus personagens. A originalidade da obra é visível, o que enobrece a leitura. 

 Seus personagens (todos eles) conseguem exercer suas funções para com a trama de forma única. A Individualidade de cada um faz com que as tensões, o clima e a dissolução dos fatos sejam bem aplicadas no decorrer das páginas.

 A história tem um contexto interessantíssimo, que não se perde em momento nenhum com seu desenrolar. Não consegui indicar pontos negativos da obra, mesmo que admita que em alguns momentos alguns aspectos sejam um tanto exagerado, mas nada que desfigure o intenção do livro. 

 O final, apesar de não ser o esperado (acreditava que haveriam maiores revelações, surpresas, bang-bangs... - o que não quer dizer que não haja), também me agradou. A sensação é meio que "ah, não era isso, mas tá bom assim". 5 estrelas e um coraçãozinho para validar o mais novo livro favoritado em minha estante.

15 de abril de 2015

Top 5: Releituras

  Faaaala galera! Provavelmente, todos tem aqueles livros excelentes que toda vez que você olha na prateleira sente vontade de reler. Há também aqueles que você vê e jamais irá tentar novamente. Mas sabem aqueles livros que, mesmo você não tendo gostado, você sente que deve reler para tentar mudar a impressão sobre ele? Pois é disso que se trata esse TopFive de hoje: Releituras de obras que na primeira vez que li não me agradaram mas que quero ler novamente. Confesso que há váaarios livros que se enquadram nessa categoria, pois apesar de não ter gostado num primeiro momento, senti que havia algo ali (e que talvez não tivesse sido o momento da leitura).

 Reforçando: Essas foram as impressões que tive na primeira vez que li mas sinto que os livros são bons e merecem uma atenção futura novamente. Sem mais delongas, eis o cinco escolhidos:

12 de abril de 2015

Resenha: Tempos Difíceis

Título: Hard Times
Autor: Charles Dickens
Ano: 1854
Ano da Edição: 2014
Editora: Boitempo Editorial
Páginas: 336
ISBN: 978-85-7559-412-4
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Avaliação: ★★★★
Sinopse: Neste clássico da literatura, Charles Dickens trata da sociedade inglesa durante a Revolução Industrial usando como pano de fundo a fictícia e cinzenta cidade de Coketown e a história seus habitantes. Em seu décimo romance, o autor faz uma crítica profunda às condições de vida dos trabalhadores ingleses em fins do século XIX, destacando a discrepância entre a pobreza extrema em que viviam e o conforto proporcionado aos mais ricos da Inglaterra vitoriana. Simultaneamente, lança seu olhar sagaz e bem humorado sobre como a dominação social é assegurada por meio da educação das crianças, com uma compreensão aguda de como se moldam espíritos desacostumados à contestação e prontos a obedecer à inescapável massificação de seu corpo e seu espírito. Escrito em 1854, o clássico Tempos difíceis mantém sua atualidade. Em meio à crise capitalista que assola parte do mundo com números crescentes de desempregados e cortes de gastos dos Estados – e, consequentemente, de empobrecimento da população –, a obra de Dickens mostra um panorama histórico do sistema capitalista e faz uma crítica social contundente a ele. Mais do que nunca, torna-se leitura necessária para a reflexão sobre como o capitalismo se arraigou em nossa existência cotidiana. 

 Em seu livro mais curto, a história nos apresenta a cidade fictícia que Charles Dickens desenvolveu para sua obra: Coketown, um local marcado pelos efeitos da Revolução Industrial e da crise do Capitalismo presente na Inglaterra. Confesso não ter sido uma leitura fácil, pois é bastante interpretativa e reflexiva, o que enobrece a obra. 

A obra é dividia em 3 partes: Semeadura, Colheita e Provisão, sendo assim auto-descritivos de acordo com o contexto que seria abordado ali. É visível a intenção de Dickens em retratar a vida das pessoas não só daquela cidadezinha mas de todo contexto que englobava a sociedade inglesa daquele período (as diferenças entre classes, as condições de trabalho, economia, educação, etc), anunciando suas vidas monótonas, realizando tarefas monótonas em lugares monótonos.

"Ora, além de bebês que mal começavam a andar, havia em Coketown uma população considerável de bebes que caminhava contra o tempo em direção ao mundo de eternidade havia vinte, trinta, quarenta, cinquenta anos ou mais."
Página 67, Capitulo 8

 Sr. Thomas Gradgrind, personagem central, é um homem de fatos. Tras seus filhos e alunos na visão retida dos fatos. Apenas os fatos o interessam, assim como o céu é azul, o sal é salgado e um mais um são dois. Esta obsessão do senhor pelos fatos e ódio dele pela fantasia (o imaginário, digamos assim) é um dos pontos altos da obra pois nos faz tentar interpretar uma mente totalmente reta de vida, sem deixar desviar por ilusões e sonhos impossíveis. Isso já é deixado em evidencia no primeiro capitulo da obra, em uma ótima introdução a história no qual o personagem lida com seus alunos.

 Na minha opinião, não há personagens menos importantes ou ruins, pois todos estabelecem uma relativa importância para a narrativa de acordo com o que o autor os usa na narrativa. Destaque também para Sissy, uma filha de um palhaço que foi abandonada porém resgatada do mundo por Sr. Gradgrind, que teria o objetivo de reeduca-la em sua retidão.

"Havia ruas largas, todas muito semelhantes umas às outras, e ruelas ainda mais semelhantes umas às outras, onde moravam pessoas também semelhantes umas às outras, que saíam e entravam nos mesmos horários, produzindo os mesmos sons nas mesmas calçadas, para fazer o mesmo trabalho, e para quem cada dia era o mesmo de ontem e de amanhã, e cada ano o equivalente do próximo e do anterior."
Página 37, Capitulo 5

A obra foi ilustrada por Harry French (publicadas com a segunda edição inglesa na década de 1870) e traduzida para essa edição da Boitempo por José Baltazar Pereira Junior. Por que enfatizei o tradutor? Mais uma vez é notável o trabalho que foi para desenvolver uma tradução que fosse nivelada ao que a obra representa para a literatura. Apesar de não ser uma leitura que flua tão facilmente, creio que valha a pena a leitura, mesmo de quem não aprecia o gênero. Primeiro livro do Dickens que leio e já estou visando o próximo.

7 de abril de 2015

Resenha: ADQS 2

Título: ADQS 2 - Desafiando as Regras da Organização
Autor: Fabiana Cardoso
Ano: 2014
Editora: Modo Editora
Páginas: 287
ISBN: 978-85-65588-93-5
Avaliação: ★★★★
Sinopse: Thaís retorna para a equipe de Henrique, na ADQS, e passa a enfrentar novos desafios; na sua volta, as regras da Organização Secreta parecem mais difíceis de serem seguidas. Em companhia dos agentes: Caio, Bruna, Ed e Valéria, se empenha em resolver as missões, embora o passado insista em lhes perseguir, fazendo com que tenham que burlar as regras impostas. Revelações do passado, segredos descobertos e novos enfrentamentos podem causar mais problemas a essa agência secreta, que tem sua existência ameaçada. Contrariar a regras, pode colocar em risco a nova identidade que nem sempre está Acima De Qualquer Suspeita. Em meio a esse redemoinho de emoções, a equipe ainda tem que investigar um assassino serial que persegue os espiões e ameaça a organização, e seus membros. Segundo e último livro da série ADQS, que continua com muita aventura, romance, mistérios, humor e reviravoltas.

 Depois da eletrizante aventura do livro 1, a Organização Secreta ADQS está de volta para o mundo literário assim como Thaís, a personagem central da série, está de volta para a equipe de Henrique, que havia sido diluída e investigada. Ela ainda nutre o amor por Caio, outro agente da ADQS e que, devido a esse relacionamento proibido ter gerado altos problemas no livro anterior, eles foram separados de suas novas equipes.

 Para quem ainda não sabe, ADQS é uma sigla para Acima de Qualquer Suspeita, uma agencia secreta que recruta pessoas (criminosos - julgados assim justamente ou não) que terão suas identidades e suas vidas "apagadas", tendo assim uma nova chance de escrever sua história em troca de serviços para a organização.

 Se no primeiro livro temos o passado tendo que ser apagado da vida dos personagens, dessa vez ele está batendo a porta de cada um. E, se não bastasse isso, as regras da organização estão ainda mais rígidas do que sempre foi. Um misto de suspense, mistério e aventura fazem ADQS 2 mais curto que o primeiro e mais envolvente, algo que senti falho na obra anterior e que foi acertadamente corrigido pela autora.


 Os personagens dessa vez são tratados mais igualitariamente (em termos de importância para o livro), o que faz você se deixar cativar por alguns deles como a sem juízo (e apaixonante - a melhor) Bruna, o durão Ed e a "bebê" da turma Bia, que é um mistério a ser revelado o motivo dela estar ali. Também é visível o amadurecimento deles, que estão mais preparados psicologicamente para lidar com os perigos de suas missões.

 E por falar em mistério, não posso deixar de falar que há MUITAS revelações no livro. Muitas mesmo. Daquelas de deixar o leitor de queixo caído e falar: "Não acredito"! Ponto positivo para a autora Fabiana Cardoso. É inevitável a tensão instalada na trama com o decorrer dos fatos que vão de apresentando. A ADQS parece estar a ponto de ruir.

 O final não podia ser diferente: Surpreendente e bem elaborado, apesar de eu esperar algo mais impactante ando mal acostumado.

 Uma pena esse ter sido o ultimo livro da série, pois teria corpo para mais. Parabenizo a autora por dois excelentes livros policiais para a nova literatura nacional. Obras mais que indicadas a todos.

Série ADQS:
  1. ADQS - Desvendando a Organização Secreta
  2. ADQS 2 - Desafiando as Regras da Organização

4 de abril de 2015

Resenha: Supernova - O Encantador de Flechas

Série: Supernova, Livro 01
Editora: Novas Páginas (Novo Conceito)
Autor: Renan Carvalho
ISBN: 9788581636795
Ano: 2015
Páginas: 440
Avaliação: ★★★★★
Sinopse: Imersa em uma ditadura implacável, a isolada cidade de Acigam sofre com a ameaça da guerra civil. De um lado, a Guilda, um grupo que utiliza os ensinamentos da Ciência das Energias para exigir direitos para a população. Do outro, um governo tirano, resguardado por soldados especialistas em aniquilar magos nome vulgar dado aos praticantes da tal ciência. No meio desse conflito vive Leran, que, após ser tragado para a rebelião, tenta aprender mais sobre sua misteriosa habilidade de encantar objetos com a energia dos elementos. Com uma narrativa envolvente e reviravoltas incríveis, Supernova: O Encantador de Flechas é um livro que vai arrebatar os fãs de fantasia.
 Há 15 anos, Acigam foi isolada do resto do mundo. Muros ao seu redor passaram a existir, não permitindo que ninguém entre ou saia. Principal motivo: o governo pretendia proteger (e domar) a população da principal ciência que nutre o mundo: A magia! Tempos de guerra fizeram que o mesmo governo treinasse pessoas e desenvolvessem uma "raça" capaz de aniquilar todos os magos que resolveram se rebelar contra eles, praticando sua ciência ali dentro. Foi a partir dai que surgiram os Silenciadores, capazes de exterminar e fazer sumir do mapa, a todo custo, todos os magos de Acigam.

 Já nos tempos atuais, conhecemos nosso personagem principal, o distraído (para muitos) e aventureiro Leran Yandel. Com quase 18 anos, ele está em seu ultimo ano letivo no colégio e continua sendo o melhor Arqueiro da turma do Professor Cortez. Sua mãe, Laura Yandel perdeu seu marido ainda jovem e precisou aprender a criar seus dois filhos sozinha. Sim, alem de Leran, ela teve uma segunda filha, Luana Yandel. Diferentemente do convencional, Laura e Leran são irmãos que conseguem conviver harmoniosamente.

 É, através de seu avô Bretor Yandel que Leran descobre sobre os segredos da ciência que o governo tenta esconder da população e dos seus dons especiais, capaz de encantar objetos com a energia dos elementos. Alias, são 6 os elementos que compõem a criação do mundo: Terra, Ar, Água, Fogo, Luz e Trevas.

 Com o desenrolar da trama, conhecemos aquela que faria o coração de Leran bater mais forte: Judra, uma garota misteriosa e orfã, que após a morte de seus pais quando ela ainda era criança, achou em Acigam uma chance de reconstruir sua vida. 

"Desenvolvi minha própria especialidade e a aprimorei ao máximo. Farei o governo tremer apenas ao ouvir sobre mim... Ao ouvir sobre o Encantador de Flechas."
Página 210

 Não irei me adentrar na história por que eu acho que todos devem ler e se maravilhar com o enredo. A sociedade presente na trama é bem tipica de um livro distópico mas que poderia fazer-se no cenário atual: pessoas ignorantes sendo manipuladas, pessoas fortes tendo que viver escondidas e um governo no qual é impossível até mesmo deles confiarem em si mesmo. 

 Surpreendente e envolvente, o autor demonstrou que não se apega a personagens, já que muitas "cabeças rolam" no livro, o que achei fantástico, já que sinto falta disso em muitos enredos fantásticos.

 A trama é muito bem desenvolvida, apresentando ao leitor uma história com um começo bem elaborado e organizado, ambientando-nos ao que será proposto, um meio forte e impactante, principalmente diante das reviravoltas e um "final" que deixa você desesperado pelo segundo livro da série.


 Por falar nisso, o livro é dividido em quatro partes (sem citar os extras), na qual três delas são narradas por Leran e uma por Judra, o que foi mais uma ótima sacada do autor, pois me deixou totalmente curioso para saber o que acontecia do outro lado da história enquanto cada um narrava (principalmente na alternância de partes Leran-Judra-Leran).

 Os personagens são todos bem elaborados, tendo presença marcante no decorrer da obra. Claro que o trio Leran, Judra e Luana são as peças centrais para que o enredo seja produzido. Ambos são tão diferentes e tão próximos em suas características que é impossível não deixar-se cativar. 

 A leitura me envolveu completamente. Não consegui encontrar erros ou pontos baixos no enredo de todo o livro. A todos fãs de fantasia e aos que admiram uma distopia, eis um excelente livro nacional que vale a pena ser conferido. Cinco estrelas e um coraçãozinho de mais novo favorito na minha prateleira!

Série Supernova:
  1. O Encantador de Flechas
  2. A Estrela dos Mortos
  3. O Satélite de Ferro

2 de abril de 2015

Resenha: Osbert, O Vingador

Título Original: Osbert the Avenger
Série: Histórias de Schwartzgarten, Livro 01
Editora: Bertrand Brasil (Record)
Autor: Christopher William Hill
ISBN: 978-85-286-1678-1
Ano: 2015
Páginas: 266
Avaliação: ★★★★
Sinospse: Schwartzgarten é um lugar estranho. À primeira vista, trata-se de uma cidade como outra qualquer. Entretanto, por trás dessa aparência comum se esconde um passado sinistro, repleto de violência e batalhas sangrentas. Para Osbert, que cresceu ali, a cidade não é tão esquisita assim. Bem, pelo menos não até ele ser aceito no Instituto. Considerada a melhor escola de Schwartzgarten, o Instituto é também um lugar cruel, comandado por professores sádicos, que gostam de torturar seus alunos. Caladas, as crianças aceitam as duras punições sofridas, e, com certeza, Osbert fará o mesmo... Certo? Errado, muito errado! Pelo contrário: quer que os professores paguem pela sua crueldade, da pior maneira possível. Eis que surge então Osbert, o Vingador, um justiceiro frio e determinado, disposto a destruir cada um de seus inimigos.


 Osbert Brinkhoff sempre foi considerado pelo seu pai, o Sr. Brinkhoff, aquele que viria ser o orgulho de sua respeitável família que vivia no centro da estranha Schwartzgarten. Inteligente desde sempre, Osbert sempre preferiu a companhia dos livros de Álgebra e Física que brincar com outras crianças. Seu hobby era passear pelo Cemitério Municipal de Schwartzgarten. 

 A maior frustração da vida do Sr. Brinkhoff é não ter conseguido ser aceito no Instituto, considerada a melhor escola daquele local. Porém, a contrapartida, lá também é considerado um dos locais mais crueis e cavernosos para um aluno estudar. Depois de contratar a Babá não sabe-se o nome dela (com um passado um tanto curioso e sombrio) para educar, ele decide que é o momento certo de fazer Osbert entrar para o Instituto. 

 Depois de ser aprovador e de conhecer Isabella Myop (e os professores carrascos) naquele horripilante lugar, Osbert sofre uma das maiores injustiças já feitas em Schwartzgarten. É ai que, por um acaso do destino, nasce "O Assassino de Schwartzgarten".

"Jornal de Schwartzgarten: O Informante"
 Ao ler a obra, me vi em um filme criado pelo famoso diretor de cinema Tim Burton, por suas características marcantes: aquela aura sombria, situações "cômicotoscas", personagens excêntricos e uma cidade "assombrosa" com um passado pesado e sangrio. Sério, se por um acaso esse livro for adaptado, não haverá pessoa melhor para dirigi-lo. 

 Falando dos personagens, Osbert é um garoto que, apesar das suas peripécias, consegue nutrir no fundo de seu coração um sentimento puro: o amor por sua família (e a Babá) e por sua amiga Isabella Myop, que (assim como previ), também guarda seus segredos.

 O livro consegue entreter o leitor de uma forma que o "ler só mais um capítulo" acontece constantemente. A narrativa também é fluida peculiar, fazendo valer sua relação com o cenário e os personagens. A capa do livro é algo a ser ressaltado, tanto por seu estilo fosco, letras envernizadas e o nome "Osbert" holográfico (que top)!

  Ao contrário do que parece, o livro não é pesado, não é sanguinário (tipo The Walking Dead), pelo contrário, é muito divertido, tosco (no bom sentido) e diferente. Fica a dica de leitura a todos!

Leia um trecho | Skoob
Parceria: Grupo Editorial Record (Selo Bertrand Brasil)

1 de abril de 2015

Promoção: DOCE ABRIL LITERÁRIO


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