30 de dezembro de 2015

Resenha: Sangue Na Neve

Título Original: Blod På Snö
Autor: Jo Nesbø
Ano: 2015
Editora: Record
Páginas: 154
ISBN: 978-85-01-09153-6
Avaliação: ★★★★
Sinopse: O mestre do thriller escandinavo está de volta. Olav tem apenas um talento: matar pessoas a sangue-frio. Não há nada que ele preze mais que ter o poder sobre a vida e a morte. Porém, sua natureza sensível é proporcional às suas habilidades como matador de aluguel. Uma vez tentou roubar bancos, mas não deu certo – ele se sentiu tão culpado que foi visitar uma das vítimas no hospital. Agenciar mulheres para prostituição, idem – Olav se apaixona muito fácil. O assassinato foi tudo que lhe restou. Ele leva uma vida solitária em Oslo até se ver envolvido em um trabalho importante para um dos mais perigosos chefes do crime organizado na cidade, Daniel Hoffman. Ao aceitá-lo, Olav finalmente conhece a mulher da sua vida, mas logo se depara com dois problemas. O primeiro é que ela é a esposa do chefe. E o segundo é que ele foi contratado para matá-la.

 Que os livros de Jo Nesbø são ultra populares não é nenhuma novidade, mas essa foi a primeira vez que tive contato direto com alguma de suas obras e fiquei com gostinho de quero mais. 

 Em seu novo thriller, o autor no apresenta Olav, um assassino de aluguel que trabalha para um dos chefes do crime em Oslo, Daniel Hoffman. Apesar de tudo e ironicamente, Olav é uma pessoa sensível e carismática, principalmente fora do seu "ambiente de trabalho". 

"Para resumir, coloquemos dessa forma: não sou bom em dirigir devagar, sou muito sentimental, me apaixono fácil demais, perco a cabeça quando me irrito e sou ruim em matemática."
Página 11

 Vale também ressaltar outra peça importante no desenvolver da obra, o outro chefão de Oslo, o Pescador

 A coisa começa ganhar formas complicadas para Olav quando Hoffman o pede mais um dos seus serviços sujos: Matar sua própria esposa, Corina. O motivo? Traição. Mas logo descobrimos que há muita coisa por trás de uma simples traição rotineira e a missão de Olav torna-se ainda mais complicada quando ele se vê afeiçoado por Corina. 

 O desenvolvimento da obra é lento e isso é bom. Diferentemente do que se espera quando um livro é lento, a obra reflete visivelmente a personalidade fria de Olav. A ambientação do cenário também é algo digno de ser dito, já que faz todo contexto da obra ter sentido. 

 Os personagens são outro ponto positivo. Com exceção de Olav, achei todos os outros personagens repugnantes e, quando isso acontece, é sinal de que o envolvimento com a leitura está acontecendo dentro dos conformes.


 O ponto negativo foi a finalização que, ao meu ver, teria caixa para mais cenas impactantes, sem falar na falta de explicação do que aconteceu com alguns personagens (há coisas que não dá para aceitar facilmente...). Talvez não tenha sido realmente necessário, mas fiquei curioso.

 No mais, um excelente thriller que despertou minha curiosidade para conhecer outras obras de Jo Nesbø. Ultima leitura de 2015 em alto nível!

29 de dezembro de 2015

Destaques de 2015, Parte 2


 E a lista continua! Depois de anunciar os as surpresas e as decepções de 2015 e os mais aguardados para 2016, agora chegou a hora de apresentar os melhores e piores do ano e as séries literárias que eu finalizei a leitura no ano. 

Confira as listas:

27 de dezembro de 2015

Destaques de 2015, Parte 1


 Depois de um breve hiatos no blog estou de volta. Aproveitando o que ainda nos resta de 2015, a partir de hoje até o dia 31 teremos algumas postagens relativas aos livros que se destacaram (na minha opinião) em 2015. Para a lista não se tornar imensa e vocês perderem a paciência de ler, decidi dividi-la em partes (2 ou até mesmo 3) e essa será a primeira delas.

 As listas consistem em apresentar de 3 a 5 livros em cada uma das categorias predefinidas, sem ordem de preferencias e com suas devidas justificativas e links das resenhas quando disponíveis aqui no blog. As listas dessa parte 1 serão: As surpresas, as decepções e os mais aguardados para 2016.

 Confira a seguir:

15 de dezembro de 2015

Dicas de presentes (literários) para o final de ano


  Há exatos 10 dias para o Natal e 16 dias para a festa do Reveillon (contando hoje, dia 15/12), decidi trazer algumas sugestões de presentes para dar (e receber) nessas festas de final de ano assim como o tradicional Amigo Oculto/Secreto. 

 Todos os produtos citados a seguir são de alguma forma voltado para o mundo dos livros, seja através de box de livros propriamente ditos, CDs, DVDs, games e outros, sempre visando agradar os mais distintos gostos e bolsos.  Sem mais delongas, conheçam a lista:

12 de dezembro de 2015

Resenha: A Noite das Bruxas

Título Original: Hallowen'en Party
Autor: Agatha Christie
Ano: 1969
Editora: L&PM Pocket
Páginas: 256
ISBN: 978.85.254.3158-5
Avaliação: ★★★
Sinopse: Era a vez da viúva Rowena Drake ser a anfitriã da tradicional festa de Halloween do vilarejo. Durante os preparativos, Joyce, uma irrequieta menina de treze anos, gaba-se por já ter testemunhado um assassinato. Ninguém lhe dá ouvidos e tudo transcorre bem em meio a brincadeiras do dia das bruxas, até que um crime interrompe a diversão. Hercule Poirot prepara-se para uma noite entediante quando é surpreendido por uma ligação aflita de sua velha amiga e escritora de livros policiais Ariadne Oliver, convicta de que só ele poderia desvendar esse mistério antes que um novo crime aconteça... Publicado em 1969, A noite das bruxas é um romance da maturidade de Agatha Christie e uma das últimas obras escritas pela Rainha do Crime.

 A Noite das Bruxas, mais uma das obras da rainha do crime Agatha Christie, tem como base criminológica a morte da jovem Joyce Reynolds durante uma festa de Halloween. Fatos importantes a relatar sobre os acontecimentos: A cidade sempre foi tranquila e não há muitos registros de crimes brutais assim, a festa continha poucos convidados estranhos (quase nenhum, na verdade) e, para completar, Joyce era reconhecida por sua mania de grandeza e suas mentiras. 

 Naquela noite, durante os preparativos da festa, Joyce contou para os presentes que havia, quando criança, presenciado um assassinato, mas só o compreendeu como um depois que adquiriu maturidade suficiente para entender o que tinha visto. Claro, todos levaram como mais uma brincadeira da garota para chamar atenção de Ariadne Oliver, uma escritora de livros policiais que estava presente no momento.

 Para a resolução do problema, Sra. Oliver resolve pedir ajuda ao sempre astuto Hércule Poirot, o grande detetive criado por Agatha Christie.  

 Este, na minha opinião, é o primeiro livro da Agatha que li em que os excessos de momentos desnecessários aparecem. Hércule Poirot está diferente do habitual. Suas divagações e pensamentos voam além do normal, o que evidenciou esses momentos. 

 A necessidade de um passado para justificar o presente equilibra a estória até certo ponto. A resolução do problema também não foi muito criativa e nem o motivo para ela foi tão impactante quanto esperava. 

"O senhor parece muito perturbado com o passado.
O passado é o pai do presente - afirmou Poirot sentenciosamente."
Capitulo 24

 Não obstante, a marca registrada de Agatha se faz presente: uma história que se faz crescer nos momentos exatos. A inclusão de uma personagem como a Ariadne Oliver foi uma ótima sacada, já que pude observar características da própria autora na personagem. 

 De todo caso, ainda que não seja das melhores obras da rainha do crime, A Noite das Bruxas merece sim ser lida sem compromissos e apreciada principalmente pelos já admiradores da autora. Conheça outras obras dela aqui

7 de dezembro de 2015

Resenha: Todos Os Nossos Ontens

Título Original: All Our Yesterdays
Autor: Cristin Terrill
Editora: Novo Conceito*
Ano: 2015
Páginas: 352
ISBN: 978-85-8163-798-3
Avaliação: ★★★★★
Sinopse: O que um governo poderia fazer se pudesse viajar no tempo? Quem ele poderia destruir antes mesmo que houvesse alguém que se rebelasse? Quais alianças poderiam ser quebradas antes mesmo de acontecerem? Em um futuro não tão distante, a vida como a conhecemos se foi, juntamente com nossa liberdade. Bombas estão sendo lançadas por agências administradas pelo governo para que a nação perceba quão fraca é. As pessoas não podem viajar, não podem nem mesmo atravessar a rua sem serem questionadas. O que causou isso? Algo que nunca deveria ter sido tratado com irresponsabilidade: o tempo. O tempo não é linear, nem algo que continua a funcionar. Ele tem leis, e se você quebrá-las, ele apagará você; o tempo em que estava continuará a seguir em frente, como se você nunca tivesse existido e tudo vai acontecer de novo, a menos que você interfira e tente mudá-lo...

 Que as distopias estão tomando conta do universo literário não é nenhuma novidade, mas a sua capacidade de surpreender com histórias inovadoras é algo que vale a pena desfrutar. Eis que surge Todos Os Nossos Ontens, da Cristin Terrill.

 O mundo mudou. A administração é controladora e totalitária. Tudo isso graças a Cassandra, uma máquina que permitia voltar no tempo. A principio, a máquina foi desenvolvida para corrigir grandes erros e falhas da humanidade, mas a ambição encheu os olhos do Diretor (como é chamado), que a utilizou para torna-la um meio de manipulação tanto do tempo quanto da massa, derrubando países rivais, oprimindo os fracos e controlando tudo que vive sob seus domínios.

 A narrativa inicia-se 4 a frente, quando Em e Finn são os responsáveis por uma missão suicida quase impossível: Fugir da sela em que estão presos e voltar 4 anos no tempo, época necessária para assassinar o criador da Cassandra, James. Resistir as torturas do Diretor é o primeiro passo para permanecerem vivos para tentar dar inicio a essa missão.

 Enquanto isso, nos dias atuais, mais precisamente os quatro anos anteriores aos acontecimentos narrados anteriormente, Marina nutre todo seu amor incondicional pelo sábio e cativante James. Sim, o mesmo James que virá se tornar o criador da máquina Cassandra.


 A grande sacada da autora a partir dai faz toda a proposta do livro ganhar novos ares e tornar surpreendente e frenética. Caso queira ler, selecione o texto dentro da área de spoiler a seguir. [Spoiler Area]Em e Marina são as mesmas pessoas e por isso, Em sofre o dilema de ter que matar seu grande amor, James.[Fim Spoiler Area]

 Toda a história me surpreendeu. A leitura vai ganhando velocidade e adrenalina na medida e no tempo certo, sem que sofra baixas em nenhum momento. Os personagens valem a pena. Sério, até mesmo o Doutor consegue ser um vilão fácil de se apegar (na medida do possível, claro). Em e Marina são o ponto de equilíbrio, tanto do enredo quando dos seus "períodos", mesmo que sejam personagens extremamente confusas.  

 A obra por si só não morre apenas nos termos políticos que envolvem uma distopia (com seus governos opressores e tudo mais), mas ganha pontos pelo teor científico e dramático que ela propõe. Por tratar-se de viagens no tempo, a autora conseguiu preservar linhas de pensamento que tornam a história mais "verdadeira", como as alterações na linha do tempo e do paradoxo temporal.

 Enfim, não há muito o que falar para não entregar grandes informações sobre a obra. Quem quiser saber mais precisa conhecer o livro, principalmente quem é apaixonado por obras distópicas. Fez valer a leitura, principalmente pelo fator surpresa que foi o livro. Cinco estrelas. 


*Parceria: Novo Conceito

5 de dezembro de 2015

Resenha | Antônio: O Primeiro Dia da Morte de Um Homem

Autor: Domingos Oliveira
Editora: Record
Ano: 2015
Páginas: 176
ISBN: 9788501105677
Avaliação: ★★★
Sinopse: Um pungente romance sobre relacionamentos recheado de cenas antológicas de amor, dor, amizade e sexo. Em seu primeiro romance, Antônio: o primeiro dia da morte de um homem, Domingos Oliveira, com estilo próprio, constrói uma narrativa de entrega e liberdade. Professor, roteirista, escritor frustrado, homem que já não é garoto, Antônio é um protagonista inesquecível, e nas páginas do romance faz o que todo personagem deveria fazer: vive. Ele ama, sofre com o término de um longo casamento, apaixona-se por Manuela e Nádia – vértices de um delicioso triângulo amoroso –, escreve, luta por reconhecimento, tudo isso observado pelo espectro do amigo Eduardo, recém-falecido, que não se furta a emitir opiniões e tentar interferir nas decisões de Antônio. Antônio é um livro que, se carrega muito da dramaturgia de Domingos, é literatura de primeira, um livro que nasce clássico.


 Eduardo não está mais entre nós. Desde então, o espectro dele observa de perto a trajetória de Antônio, um professor antropologista caracterizado por uma eloquência filosófica que sonha em ser escritor renomado. A partir dai, conhecemos profundamente a trajetória em "Pay-Per-View" do professor e todas suas derrotas e triunfos, como quando ele conheceu sua esposa Blue nas ruas de Paris em uma noite de Natal, ou quando ela o largou para casar-se novamente, agora com um baterista, ou quando ele se apaixonou loucamente por Manuela e Nádia, um dos relacionamentos mais fantásticos que ele pode ter.

"A cultura não remove montanhas, não faz pão, não derruba governos mas é imprescindível para que o caos não se instale imediatamente de uma vez por todas. Eles nunca pensaram nisso, nem vão pensar."
Página 73

 Antônio: O Primeiro Dia da Morte de Um Homem logo de cara nos surpreende pelo seu estilo de narrativa. Primeiro por, curiosamente, a obra ser narrada no presente ("ele fez", "ele está", "ele é") e, por segundo motivo o fato de, apesar da narrativa ser no ponto de vista do personagem Antônio, hora ou outra o autor se deixa perder em meio aos pensamentos soltos dele para com o personagem, deixando assim a sensação de um "segundo narrador".

 Entretanto, a obra que é curta em relação ao numero de páginas, torna-se alongada pela rotina do personagem. Em alguns momentos precisei parar a leitura, retornando em outro momento, o que levou a mais tempo com o livro do que esperava.

 No mais, o livro é uma obra sensível, romântica de certa forma e cômica, principalmente se observarmos a nada mole vida do personagem de maneira irônica. Vale a pena a leitura, principalmente para quem curte um livro mais rebuscado e devagar (no bom sentido, claro).

Parceria: Grupo Editorial Record (Selo Record)

4 de dezembro de 2015

Parceria: Editora Generale


 Fim de ano chegou trazendo boas novidades, já para 2016! O Cantina do Livro anuncia agora a mais nova editora parceira do blog: A Editora Generale, selo de ficção da Editora Évora. A editora já possui um acervo grande, com livros de literatura fantástica, chick-lit, romances, livros sobre esporte e bem estar. Alguns bem conhecidos como Nos bastidores do Pink Floyd, Os Três Mosqueteiros e a série Sábado à Noite, além de biografias de personalidades como George Lucas - Skywalking - A vida e a obra do criador de Star Wars e dos esportistas Lionel Messi, Novak Djokovic e Roger Federer. 

Conheça os livros já publicados pela editora aqui.

Sobre a Editora Évora:
Editora Évora chega ao mercado com uma proposta inovadora, pautada em obras de qualidade, conteúdos de alta relevância e inovadores que agreguem valor e através deles, ajudem os leitores a realizarem objetivos e projetos pessoais e profissionais com excelência. O catálogo da editora contará com obras de ficção e não ficção, de autores relevantes nacionais e internacionais.



Curtiram a novidade? Não deixem de acompanhar a editora nas redes sociais:

2 de dezembro de 2015

Resenha: Perdidos Por Aí

Título Original: Let's Get Lost
Autor: Adi Alsaid
Editora: Verus
Ano: 2015
Páginas: 294
ISBN: 978-85-7686-397-7
Avaliação: ★★★★
Sinopse: Quatro jovens ao redor do país têm apenas uma coisa em comum: uma garota chamada Leila. Ela entra na vida de cada um com seu carro absurdamente vermelho no momento em que eles mais precisam de alguém. Entre eles está Hudson, mecânico em uma cidadezinha, que está disposto a jogar fora seus sonhos de amor verdadeiro. E Bree, uma garota que fugiu de casa e curte todas as terças-feiras — além de algumas transgressões ao longo do caminho. Elliot acredita em finais felizes... até sua vida sair totalmente do script. Enquanto isso, Sonia pensa que, quando perdeu o namorado, também perdeu a capacidade de amar. Hudson, Bree, Elliot e Sonia encontram uma amiga em Leila. E, quando ela vai embora, a vida de cada um deles está transformada para sempre. Mas é durante sua própria jornada de quase sete mil quilômetros através do país que Leila descobre a verdade mais importante: às vezes, aquilo de que você mais precisa está exatamente no ponto onde começou. E talvez a única maneira de encontrar o que você está procurando seja se perder ao longo do caminho.

 Quatro pessoas e algo em comum: Leila e seu carrão vermelho. Seguindo viagem de uma ponta a outra dos EUA, ela pousa de paraquedas (ou mais precisamente, sobre quatro rodas) diante das vidas de Hudson, Bree, Elliot e Sonia. Cada um possui uma peculiaridade e a passagem de Leila definitivamente mudará suas vidas.

 Hudson é um jovem que trabalha como mecânico e, aparentemente, nasceu para aquilo, tamanha maestria que ele executa sua profissão. Porém, seu maior sonho (e de seu pai) é que ele torne-se médico. Suas aventuras com Leila começam quando ela precisa realizar um check-up em seu carro e, obviamente, para na oficina da família do garoto. Nasceu ali, um amor do garoto para ela, mesmo que num período tão curto. Ele sente que, com ela, pode ir além. Não foi um personagem que me agradou, principalmente quando Leila precisa partir.

 Seguindo viagem, a próxima amizade é a de Bree, que perdeu seus pais num acidente e, por guardar rancores da irmã por uma suposta falta de sensibilidade da mesma pelo fato, ela decide fugir de casa, perambulando sem eira nem beira mundo afora.

 Elliot sofre com um amor não correspondido (e secreto) pela sua melhor amiga Maribel, mas não tem coragem suficiente de contar. Depois e uma noite desastrosa, Leila aparece (da maneira mais estranha) para ajudá-lo a dar um bom fim ao filme de sua vida.

 Por fim, Sonia. Desde a trágica morte de seu namorado, ela não consegue (ou acha que não deve) sentir amor real por mais nenhum outro garoto. Nesse momento, temos também boas descobertas sobre a própria Leila.


 A história, mesmo que não aparente, é bem curta e rápida, assim como a passagem de Leila nas vidas de cada um. A narrativa discorre sem grandes momentos, mas também não se perde no marasmo (logicamente).

 Mas, e onde entra a história de Leila? O autor esqueceu? Não. A obra é dividida em 5 partes, sendo as quatro primeiras para os personagens citados acima e a quinta e ultima, exclusivamente para ela. É onde o clima é mais dramático, com boas revelações.

 De fato, o livro é simples, direto e divertido na medida certa, mas falta aquele algo a mais, que emocione ou toque profundamente, mesmo que essa não seja a proposta. Mas a sensação deixada é que, se corresse por esses caminhos, poderia ser melhor aproveitado.

 Perdidos Por Aí são inúmeras histórias que podem acontecer com qualquer um. Leila é, aparentemente, uma metáfora do que a vida prega para as pessoas, cabendo a cada um de nós aceitar a zona de conforto ou explorar as adversidades e procurar algo melhor.


Parceria: Grupo Editorial Record (Selo Verus)

[Novembro] Lançamentos Grupo Pensamento


30 de novembro de 2015

Resenha | Stânix: O Poder dos Elementos

Título Original: Stânix: O Poder dos Elementos
Série: Stânix, Volume 1
Autor: Eder A. S. Traskini
Editora: Novos Talentos da Literatura Brasileira (Novo Século)
Ano: 2013
Páginas: 140
ISBN: 978-85-428-0057-9
Avaliação: ★★★★
Sinopse: Stânix é um reino medieval que já foi habitado por humanos, anões e elfos. Durante a primeira guerra, liderada pelo tirano Syrt, o reino só foi salvo pela magia e inteligência dos elfos. Porém, a raça foi obrigada a deixar o reino, incitados pela profecia da segunda guerra. Aaron, um dos nascidos sob o sangue do primeiro grande conflito, foi deixado para trás e nem imagina o destino que lhe aguarda. Apenas ele pode salvar o reino. A profecia está dita e Stânix está em suas mãos...

 Aaron sempre sentiu-se diferente das outras pessoas do pequeno vilarejo de Mharol, como se não pertencesse ali. E ele estava completamente certo: Ele, um elfo (sem que ainda saiba), foi abandonado pelos pais e vive com seus padrinhos desde então. Pode parecer sofrível, mas logo descobriremos o real motivo deste "abandono" do garoto.

 Não bastasse esse passado pesado, uma série de sonhos estranhos que se repetem quase todos os dias o aflige. Ainda que diferente, Sora nutre ao garoto sua única amizade, e pretende ajuda-lo a descobrir o motivo desses sonhos. 

 Foi numa reunião de emergência que toda a vida de Aaron muda: Lá ele descobre que a cidade de Guil está se preparando para tomar todo o reino de Stânix e, para que Mharol não seja alvo, o pai de Sora resolve da a mão de sua filha a casamento para Joe, príncipe de Guil. Nessa jornada até a outra cidade, Aaron, Sora e Farep (que resolve ir com eles para auxilia-los) entram num ciclo de guerra, revelações e mistérios.

“Numa guerra um instante de hesitação pode ser a diferença entre a vida e a morte. Nesse momento, a guerra começou para nós todos e é bom vocês aprenderem essa lição”
Página 65

 Stanix é definitivamente um livro diferente. Primeiro, por seu estilo literário (fantasia), que aborda um reino um tanto complexo, consegue se leve, prático e objetivo. As pouquíssimas páginas torna a leitura fluida e rápida, dando para ler a obra em apenas um dia.
  
 Não obstante, em certos momentos a narrativa torna-se acelerada demais, deixando alguns detalhes passar em branco, mas sem divagação. Os personagens em sua maioria não me apegaram tanto. 

 O final deixou a desejar. Não por ser ruim, mas por sentir que poderia ter sido mais explorado (principalmente quando está atingindo seu ápice) e não deixado tanta coisa pra ser resolvida no segundo livro.

 No mais, a obra me ganhou por sua originalidade, um ambiente curioso e a promessa de grandes aventuras que viram daqui a diante. No aguardo do segundo livro.

27 de novembro de 2015

Resenha: Troca de Mensagens Entre Sherlock & Watson

Título Completo: Troca de Mensagens Entre Sherlock e Watson e outras conversas dos nossos personagens favoritos da literatura
Título Original: Texts From Jane Eyre and Other Conversations With Your Favotire Literary Characters
Autor: Mallory Ortberg
Editora: Record*
Ano: 2015
Páginas: 240
ISBN: 978-85-01-10653-7
Avaliação: ★★★

Sinopse: Se Scarlett O’Hara tivesse um plano ilimitado para mensagens de texto, ela faria de tudo para manter Ashley afastado de Melanie bombardeando o rapaz com suas tentativas de sedução pelo celular. Se Platão decidisse explicar o Mito da Caverna para Glauco por SMS, a conversa fragmentada levaria a confusões filosóficas irreparáveis. Se Lorax usasse o smartphone para impedir a ação dos destruidores da natureza, obviamente digitaria TUDO EM LETRAS MAIÚSCULAS! Troca de mensagens entre Sherlock & Watson é um mix irreverente e genial de diálogos que trazem à tona o lado mais ridículo, manipulador e bizarro de personagens da literatura e da história. Também estão presentes no livro: O pequeno príncipe, Harry Potter, Jogos vorazes, Peter Pan, O Grande Gatsby, Dom Quixote, Hamlet, Aquiles, Rei Lear, Jane Eyre, Oliver Twist, Emma, Orgulho e Preconceito, Edgar Allan Poe, O morro dos ventos uivantes, Os miseráveis, Agatha Christie, Virginia Woolf, e muito mais!

Como seria se os principais personagens dos mais diversos clássicos da literatura, dos mais diversos autores e das mais diversas épocas se comunicassem via mensagens de texto? É nessa premissa que o livro Troca de Mensagens Entre Sherlock & Watson se baseia.

A proposta do livro é bem divertida, o que torna a leitura irreverente e rápida. Ele é dividido em quatro partes que se distinguem de acordo com o período em que elas foram publicadas, sempre seguindo uma ordem cronológica de capítulos. Porém, em muitas etapas da obra, há uma certa superficialidade no texto, além do fato de que a falta de "novidades" ali torna, até certo ponto, a leitura bem cansativa.

Por isso, arrumei uma nova forma de leitura: Passei a "stalkear" primeiro as mensagens dos personagens de livros que já li, Como Jogos Vorazes, Os Miseráveis, Harry Potter, O Pequeno Príncipe, e outros, e só depois disso, parte para as obras que não conhecia ou que ainda não li, como Hamlet, A Ilha do Tesouro, Orgulho e Preconceito, Clube da Luta, etc. Com isso, percebi que a leitura fluiu bem mais rápido e o livro não ficou tão monótono como aparentou que ia se tornar. 
Outro fato curioso foi em relação ao nome do livro, já que diferentemente do título original, o apelo maior é para Sherlock Holmes. Claro, uma boa sacada da editora para atrair o publico, tendo em vista o carinho dos leitores brasileiros pelo detetive criado por Conan Doyle.

No mais,  Troca de Mensagens Entre Sherlock & Watson é um ótimo passatempo, bem humorado, que distrai bastante e passa rápido. Aliar personagens com o que aparentemente é o maior meio de comunicação entre pessoas hoje foi uma boa ideia da Mallory Ortberg. Indicado! 

GALERIA DE FOTOS:
    

Parceria: Grupo Editorial Record (Selo Record)

22 de novembro de 2015

Resenha: A Desconhecida

Subtítulo: Ela deixa rastros de caos por onde passa
Título Original: The Girl With a Clock For a Heart
Autor: Peter Swanson
Editora: Novo Conceito*
Ano: 2015
Páginas: 288
ISBN: 978-85-8163-806-5
Avaliação: ★★★
Sinopse: Uma história sombria, em uma atmosfera romântica e um quê de Hitchcock, sobre um homem que fora arrastado para uma trama irresistível de paixão e assassinato quando um antigo amor reaparece de mentiras. Em uma noite de sexta-feira, a rotina confortável e previsível de George Foss é quebrada quando, em um bar, uma bela mulher senta-se ao seu lado. A mesma mulher que desaparecera sem deixar vestígios vinte anos atrás. Agora, depois de tanto tempo, ela diz precisar de ajuda e George parece ser o único capaz de salvá-la. Será que ele a conhece o suficiente para poder ajudá-la?

  Em A Desconhecida, Peter Swanson nos trás a vida monótona de George Foss. Quem o vê com sua "hoje amiga, amanhã namorada e vice-versa" Irene, não imagina o passado sombrio que ele trás. Sua então namorada da faculdade, Audrey Beck volta para sua terra natal e, após o fim das férias sem nenhuma notícia dela, ele descobre que ela suicidou-se. George resolve ir até lá deixar as coisas a limpo, mas descobre que ela não era nem de longe quem ele imaginava ter se apaixonado. Agora, 20 anos depois e com sentimento superado, ela reaparece sob uma nova identidade e precisa desesperadamente da ajuda dele. Com tudo que ele já sabe sobre ela, teria ele forças para ajuda-la?

 Confesso que a obra demorou um tanto para que pagasse corpo e me ambientasse de fato com a proposta por Peter Swanson. A história começa desconexa e perdida, mas com o decorrer do texto, percebe-se que o inicio foi feito daquela forma propositalmente para que as peças do quebra cabeça fossem destrinchadas com o tempo. Isso é bem favorecido pela forma que a narrativa acontece, alternando entre o presente e o passado de George Foss, na época que ele conheceu A Desconhecida (chamarei ela assim daqui adiante) na faculdade. 

 Quanto a A Desconhecida, você não consegue saber de que lado ela está jogando, o que ela pretende, quem ela é ou o por que ela voltou, depois de tantos anos. E é disso que faz ela a maior incógnita da obra em TODOS os sentidos. Fiquei com um pé atra em relação a ela do começo ao fim. Não é uma personagem que nos atrai pela personalidade, mas sim pelas perguntas que a rodeiam.

 Mas afinal, o que me incomodou tanto no enredo? O primeiro e maior motivo de todos é o próprio George. Suas atitudes vão da inocência (se há alguém inocente nesse livro, George é o maior deles) à falta de lógica, beirando a estupidez. É o tipico personagem que você sente vontade de espancar a cada página. O final da história foi mais um ponto desmotivador. Fiquei com a sensação de "é serio isso? Como pode acabar assim?" 

 De fato não é uma história excepcional e em muitos momentos deixa a desejar, principalmente para quem já está apto a acompanhar thrillers mais intensos. As falhas no discorrer do enredo se evidenciam com facilidade. Não obstante, A Desconhecida possui seus méritos, envolve o leitor com as desventuras de George até um certo ponto e vale como um passatempo. Não os desencorajo a ler mas afirmo para não criarem grandes expectativas.


*Parceria: Novo Conceito

20 de novembro de 2015

Top 5: Dicas para uma boa leitura


   LER. Uma simples palavra que, quando posta em prática, torna do nosso dia-a-dia algo bem mais fácil. Mas ler um livro é diferente. Não é uma tarefa que precise ser feita todos os dias como uma obrigação (na maioria das vezes) e sim como um hobby. Para leitores assíduos, uma paixão irrefreável, mas para alguns, uma tarefa árdua. Então, para tentar equilibrar essa balança, resolvi listar 5 coisas que eu costumo fazer para ter uma leitura "saudável". Os itens a seguir não são obrigatoriedades de se fazer, podem gerar controvérsias, mas são habitos pessoais que resolvi passar adiante. São eles:

15 de novembro de 2015

Resenha: A Menina da Neve

Título Original: The Snow Child
Autor: Eowyn Ivey
Editora: Novo Conceito
Ano: 2015
Páginas: 352
ISBN: 9788581638010
Avaliação: ★★★★

Sinopse: Alasca, 1920: um lugar especialmente difícil para os recém-chegados Jack e Mabel. Sem filhos, eles estão se afastando cada vez mais um do outro. Em um dos raros momentos juntos, durante a primeira nevasca da temporada, eles constroem uma criança feita de neve. Na manhã seguinte, a criança de neve some. Dias depois, eles avistam uma criança loira correndo por entre as árvores. Uma menina que parece não ser de verdade, acompanhada de uma raposa vermelha e que, de alguma formam consegue sobreviver sozinha no frio e rigoroso inverno do Alasca. Enquanto Jack e Mabel se esforçam para entender esta criança que parece saída das páginas de um conto de fadas, eles começam a amá-la como se fosse sua própria filha. No entanto, nesse lugar bonito e sombrio, as coisas raramente são como aparentam, e o que eles aprenderão sobre essa misteriosa menina irá transformar a vida de todos.
 A história de A Menina da Neve gira em torno de Mabel e Jack, um casal já na terceira idade que, depois de derrotas em suas vidas (tanto individualmente quanto como casal), decidiram recomeçar em um novo lugar: Alasca. O ano é de 1920 e, por isso, a localidade que eles agora moram não é tão populosa. Mais próximos do casal, apenas Esther, George e seu filho Garret, um exímio caçador.

 Mas nem tudo saiu como o planejado. Enquanto Jack precisa trabalhar dobrado na fazenda para conseguir tirar seu sustento e sobrevivência quando o rigoroso inverno chegar, Mabel segue sua sofrida sina de tentar esquecer o seu maior trauma: A morte de seu único filho assim que ele nasceu. Pequenos fatos que torna o casal ainda mais distantes um do outro.

 A vida deles começam a mudar quando, numa noite de nevasca, decidem criar um boneco de neve. Poderia ser um momento com outro qualquer, mas a cumplicidade e afeto de um para o outro naquele dia fez o surreal acontecer (ou aparentemente isso). Uma visitante, de cabelos tão alvos que chega a parecer branco aparece naquelas redondezas. 

"Não era necessário entender os milagres para acreditar neles, e na verdade Mabel chegou a suspeitar do oposto. Para acreditar talvez você tenha de parar de procurar explicações e segurar a coisinha em sua mão o máximo possível antes que ela escorresse feito água entre seus dedos."
Página 191


 Faina, como ela se chama, é reservada, silenciosa e tímida. Branca como a neva, fria como o gelo e iluminada como o sol, logo a garota torna-se um mistério a ser desvendado pelo casal. As visitas tornam-se constantes porém sem um padrão.

 Como se não bastasse o jeito misterioso da bela garotinha, o fato dela só aparecer no inverno instiga o casal e remete a um conto russo que, quando criança, o pai de Mabel contava para ela sobre A Menina da Neve. Fantasia ou realidade? Real ou abstrato?

"Nunca sabemos o que vai acontecer, não é mesmo? A vida sempre nos joga para um lado e para o outro. É uma aventura não saber onde você acabará e como pagará sua passagem. É tudo um mistério e, se dissermos o contrário, estamos mentindo para nós mesmos."
Página 239

 A estória é hiper simples e carrega consigo uma aura dramática bem intensa. Os cenários e condições (do ambiente ou psicológicas dos personagens) favorecem isso. Mabel e Jack é o típico casal que, apesar de serem feitos um para o outro, não são completos. O que os fortalecem, mesmo que um tanto distantes é o amor e a companheirismo. Quando Faina surge para eles, é como se, todas as preces feitas por eles, fossem atendidas. Agora eles "tinham" uma criança para preocupar-se e cuidar, mesmo que não saibam que é ela ou seus pais e muito menos como ela foi parar ali e para onde ela vai quando some.

 O livro começa num ritmo bem devagar, em passos cautelosos e sem grandes momentos. Quando, de repente, a história ganha um ritmo fantástico (no sentido fantasia) e é inevitável mergulhar de cabeça nela.

 As participações de Esther, George e principalmente Garret que, no início parecia que não acrescentaria muito a obra são essenciais para a condução do enredo, principalmente do meio adiante.

 Contudo, é na reta final do livro que esse ritmo excessivamente acelerado torna a história fria (perdoem-me o trocadilho) e vaga. Também não gostei de conclusão, já que esperava um desfecho mais impactante. É tanto mistério envolto a Faina que eu criei inúmeras teorias sobre o fim derradeiro da obra que o final real deixou a sensação de vazio. Mas foi questão pessoal, não que tenha sido ruim.

 No mais, a obra apresenta um bom enredo (mesmo que não tão original assim), personagens que são fáceis de se apegar e um clima bacana. Mais que indicada.


Parceria: Novo Conceito

13 de novembro de 2015

Parceria: Eder Traskini


  Olá Pessoas! Hoje tem notícia boa: Trata-se da parceria com o autor do livro Stânix: O Poder dos Elementos, Eder A. S. Traskini. Stânix é o primeiro livro de sua série e em breve você poderão conhece-la melhor aqui no blog. Abaixo vocês poderão conhecer um pouco sobre o autor e sua obra. 
Biografia:
Eder A. S. Traskini nasceu em Marília, interior de São Paulo, em 1991. Em 2010, se mudou para Ponta Grossa, Paraná, onde cursa Jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG. Sua paixão por livros começou aos sete anos. Desde então não parou; culminando em criar o seu próprio mundo presente em Stânix – o poder dos elementos.




Sinopse da Obra:
Stânix é uma terra medieval que já foi habitada por humanos, anões e elfos. Durante a primeira guerra, liderada pelo tirano Syrt, o império só foi salvo pela magia e inteligência dos elfos. Porém, esta importante raça foi obrigada a deixar o reino, incitada pela profecia da segunda guerra. Aaron, um dos nascidos sob o sangue do primeiro grande conflito, foi deixado para trás, mas nem imagina o destino que lhe aguarda. Apenas ele pode salvar o reino. A profecia está dita e Stânix está em suas mãos... Descubra os mistérios e encare as aventuras do reino de Stânix com o primeiro volume da serie do autor Eder Traskini: O Poder dos Elementos.

Compre:
Americanas  Livraria Saraiva  Amazon  Extra  Submarino


BOOKTRAILERS:



9 de novembro de 2015

Resenha: Guerra Civil

Título Original: Civil War - a novel of the Marvel Universe
Série: Marvel Novo Século
Autor: Stuart Moore
Editora: Novo Século
Ano: 2015
Páginas: 398
ISBN: 978-85-428-0412-6
Avaliação: ★★★★★

Sinopse: A épica história que provoca a separação do Universo Marvel! Homem de Ferro e Capitão América: dois membros essenciais para os Vingadores, a maior equipe de super-heróis do mundo. Quando uma trágica batalha deixa um buraco na cidade de Stamford, matando centenas de pessoas, o governo americano exige que todos os super-heróis revelem sua identidade e registrem seus poderes. Para Tony Stark o Homem de Ferro é um passo lamentável, porém necessário, o que o leva a apoiar a lei. Para o Capitão América, é uma intolerável agressão à liberdade cívica. Assim começa a Guerra Civil. Adaptado dos quadrinhos de Mark Millar e Steve McNiven.

 Tudo começa quando os Novos Guerreiros participavam de um "reality show". É quando uma terrível explosão, causada pelos heróis e vilões, dizimou todos eles e algumas pessoas sem poderes especiais, inclusive crianças inocentes de uma escola próxima a região. Essa foi a gota d'água para o governo norte-americano. Uma nova lei obriga a TODOS com poderes além do normal, seja ele herói ou vilão, registrem-se como tal: A Lei de Registro de Super-Humanos. Não bastasse o registro de seus poderes, as identidade secretas deles deveriam ser reveladas para o mundo. E quem não cumprisse a nova lei, seria caçado e preso na Zona Negativa.

 Dono de cifras estrondosas e de uma das armaduras mais poderosas da terra, Tony Stark, o Homem de Ferro, não vê outra saída a não ser apoiar a nova lei. Sua identidade verdadeira nunca foi problema, já que ele, há alguns anos, fez questão de expor para o mundo quem era o líder da armadura de ferro. Ao seu lado, Reed Richards, o Senhor Fantástico, o lider do Quarteto Fantástico o apoiará e, consequentemente, todos os outros: A Mulher Invisível (Susan Richard), Tocha Humana (Johnny Storm) e o Coisa (Ben Grimm), além de outros como a Mulher-Hulk e a Viúva Negra.

 Entretanto, o primeiro dos vingadores, o patriota Capitão América crê que essa é a maior agressão possível para a liberdade cívica. Ele, Steve Rogers, agora é um foragido da justiça e lutará até o fim pela sua dignidade e de milhares de outros heróis. E claro, ele não estará sozinho. Sua equipe será composta por outros heróis como Demolidor, Golias, Pantera Negra e outros. 

 O ponto de grande desequilíbrio para um dos dois lados é, sem sombra de dúvidas, Peter Parker, o Homem-Aranha. Dono de uma das identidades secretas que mais desperta curiosidade de todos, ele está em cima do muro, mas sabe que há muita coisa em jogo além de si mesmo: Seu amor pela única pessoa que ainda o resta, sua tia May. 

 Se as coisas já não vão bem, a primeira batalha entre "team Stark" e "team America" deflagrou dois pontos chaves para a tensão, que já não era pouca, tornar-se irreversível: A criação de um novo Thor e a morte de um dos super-heróis mais adorados no meio deles mesmo.

"Todos eles permaneceram imóveis, fitando o corpo [...] de um herói que ousou desafiar a Lei de Registro de Super-Humanos. Sua não sentia nada, só frio. Só conseguia pensar em uma coisa: a única que vinha a sua mente, a frase que Tony Stark pronunciara em sua famosa coletiva de imprensa: “Stamford foi meu momento de clareza”."
Página 174

 Super-heróis e vilões de todo universo Marvel frente a frente para a disputa que vai muito além da politica e da sociedade "humana normal". Abrange questões éticas e cívicas. Até onde vão os direitos e deveres dos super-humanos mascarados (ou não)? É mesmo a unica saída para eles a quebra do sigilo de suas identidades secretas e o fim de toda sua vida quase normal (na medida do possível)?

 Pensem em um caos lindo de se ver? É esse o espírito de Guerra Civil. Primeiro pelo tom fidedigno as origens da história, que é adaptada dos quadrinhos homônimos de Mark Millar e Steve McNiven. Segundo, pela legião de super-heróis presentes nos livros. Dos Vingadores originais aos X-Men, o livro produz um tom nostálgico e intenso a cada página.


 Sentia um certo receio de que os personagens fossem puxados mais para o lado cinematográfico que o lado dos Quadrinhos, mas não é isso que acontece. Tanto a personalidade como os uniformes e estilos descritos de cada um preservam o lado original que foi pensado na obra de Mark e Steve, o que me agradou e muito. 

 Apesar do Homem de Ferro e o Capitão America serem as "bases militares" de cada um dos dois lados (a favor e contra lei), a estória não foca apenas nos dois, mesmo que tenha tendencia a isso. 

 O final é simplesmente fantástico. Respirar é quase impossível com cada cena que o livro nos apresente. Super revelador e acima do que imaginava, já que desconhecia como a Guerra teria um fim. Claro, toda guerra tem fim. 

 Um excelente livro, uma história que prende do começo ao fim e envolve o leitor em cada página. Super indicado para todos, conheça o universo Marvel aprofundado ou não. Cinco estrelas e favoritado!

8 de novembro de 2015

Caixa do Correio #07 - Outubro


  O que os ventos de Outubro trouxeram para mim através da Caixa do Correio? Devido a mais atrasos incompreensíveis da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ou apenas Correios), o número de novidades apresentadas aqui hoje será beeem reduzido em relação à meses anteriores. Porém, foram leituras diferentes em todos aspectos. Alguns bastante aguardados, outros decepcionaram... mas enfim, esses foram os recebidos em Outubro:

4 de novembro de 2015

Resenha: O Labirinto no Fim do Mundo

Título Original: Il Labirinto ai Confini del Mondo
Autor: Marcello Simoni
Editora: Jangada
Ano: 2015
Páginas: 392
ISBN: 978-85-5539-020-3
Avaliação: ★★★
Sinopse: Em 1229, o rastro de homicídios deixado por um violento cavaleiro acaba forçando o inquisidor Konrad von Marburg a investigar a misteriosa seita dos Luciferianos. Um mestre em medicina expulso da Universidade de Notre-Dame acaba atraindo as suspeitas do inquisidor, mas ele não será o único a cair nas mãos do religioso, ávido por entregar um culpado à justiça divina da Santa Inquisição Romana. O mercador de relíquias Ignazio de Toledo, chega a Nápoles e desperta a desconfiança de von Marburg. Descobrir uma forma de provar sua inocência não lhe será fácil. Ignazio inicia então uma longa e arriscada investigação que o levará a “Corte dos Milagres” de Frederico II, na qual se reúnem algumas das mentes mais brilhantes e esclarecidas da época. Estará o mistério da temível seita escondido entre os muros do palácio imperial? E o que escondem os Luciferianos de tão precioso que compense o sacrifício de tantas vidas?


 Depois de uma sinopse e um Book Trailer tão descritivos, só resta deixar deixar minha opinião mediante ao livro. De toda forma, uma misteriosa seita deixa grandes marcas de homicídios e violência. Diante disso, Konrad von Marburg é convocado para investigar aqueles estranhos acontecimentos.

 A estória de O Labirinto no Fim do Mundo tem um ritmo instigante, desde seu prenuncio à os fatos atuais daquele momento. A religiosidade é a peça chave do livro. O ambiente remete à Europa Medieval e, por isso, a força do Cristianismo/Catolicismo ainda é evidente. Em contrapartida, a magia e o sobrenatural fazem-se presentes no livro. 

 A trama é super bem detalhada. Porém, o excesso de descrição dos diálogos e momentos são o pontos que tornam a leitura lenta e um pouco dispersa. É evidente o conhecimento do autor aprofundado nos cenários, ambientes e temáticas que ele propôs expor no enredo.

"[...]Os homens, desde sempre, insistem em ligar seu destino e sua dimensão moral a um labirinto de figuras grandiosas e inatingíveis. Um labirinto em que cada um de nós, ao menos uma vez na vida, adorou perder-se."
Página 388

 A teia investigativa que Konrad von Marburg traça é um verdadeiro labirinto fazendo jus ao título da obra. E sim, se você está sentindo alguma semelhança com obra de Dan Brown você está certo. É uma linha muito próxima da forma de escrever e do enredo, mas sem imitar o estilo consagrado do outro autor.

 Os personagens tem personalidade (sem redundâncias) forte e discernimento para agir, mas, em sua maioria, não conseguem ser carismáticos, não dando uma apego necessário com eles para se envolver ainda mais na leitura.

 No todo, eu gostei do livro, mas com algumas ressalvas. A obra tem uma boa proposta mas não me encantou tanto. Boa leitura principalmente para quem curte livros como O Símbolo Perdido, Anjos e Demônios e O Código da Vinci , por exemplo.


Parceria: Grupo Editorial Pensamento (Selo Jangada)

2 de novembro de 2015

Resenha: A Rainha da Neve

Título Original: The Snow Queen
Autor: Michael Cunningham
Editora: Bertrand Brasil
Ano: 2015
Páginas: 252
ISBN: 978-85-286-2031-3
Avaliação: ★★
Sinopse: Barrett Meeks, que acabou de perder mais um amor, está à deriva. Ao atravessar o Central Park, ele se vê repentinamente inspirado a erguer os olhos para o céu, onde uma luz pálida e translúcida parece encará-lo de uma forma nitidamente divina. Ao mesmo tempo, seu irmão mais velho Tyler, músico viciado em drogas, tenta em vão escrever uma canção de amor para sua noiva, Beth, que está gravemente doente. Barrett, assombrado por aquela luz, inesperadamente recorre à religião. Tyler, por sua vez, se convence cada vez mais de que apenas as drogas serão capazes de dar vazão à sua verve criativa mais profunda. E enquanto Beth tenta encarar a morte com o máximo de coragem possível, sua amiga Liz, uma mulher mais velha — cínica, porém perversamente maternal —, lhe oferece ajuda. Guiados pela narrativa sublime de Michael Cunnningham, acompanhamos Barrett, Tyler, Beth e Liz à medida que trilham caminhos definitivamente distintos em sua busca coletiva pela transcendência.

 Ele viu uma luz. Barrett Meeks está saindo de mais um relacionamento amoroso frustrado (terminado da maneira mais injusta - por SMS!) e, foi neste mesmo período, que ele enxerga, no céu, uma inexplicável luz direcionada à ele. Mais ninguém observou aquilo e, logico, qualquer pessoa que ele contasse o julgaria como louco.

 Enquanto isso, o irmão de Barrett, Tyler segue sua sina: uma vida monótona regada a drogas e a cuidar do seu grande amor, Beth, que tem uma gravíssima doença. Ele ainda nutre a esperança de escrever uma canção que faça juz a ela, a tempo. E dessa maneira a estória discorre. 

 A forma que o autor desenvolve seu estilo de escrita me surpreendeu, já que é o primeiro contato que tenho com obras dele. A escrita é detalhadíssima, no qual ele busca analisar as cenas por todos os possíveis ângulos e entendimentos. Seu estilo tragicômico também agrada. 

"E talvez — talvez — o amor surja. E permaneça. Pode acontecer. Não existe qualquer motivo óbvio para a indocilidade do amor [...]. Tudo tem a ver com paciência. Não? Paciência e a recusa a perder a esperança. A recusa a deixar intimidar por, digamos, um texto de despedida de cinco linhas."
Página 107

 Mas então, o que justifica essa nota? Primeiro quesito foi o fato de A Rainha da Neve não conseguir me afeiçoar em nenhum momento, seja com a estória ou seja, principalmente com os personagens. O texto não apresenta pontos de alteração de "clima", deixando a narrativa estável o tempo inteiro e isso me incomoda bastante. 

 Em outras palavras, o enredo tornou-se maçante (para mim), sem um grande "booom" que fizesse a expectativa sobre a condução da história voltar. Com isso, em alguns momentos precisei voltar páginas para recapitular o que havia lido, o que tornou a leitura bem mais demorada que os esperado. 

 Contudo, tenho total consciência de que o livro não é ruim, mas reforço que não rolou a química entre nós. Uma obra excessivamente reflexiva e sensível, que retrata bem as relações humanas.



Parceria: Grupo Editorial Record (Selo Bertrand Brasil)

1 de novembro de 2015

Nova Identidade Visual: Cantina do Livro


Fala pessoal!

 Depois de muito tempo (3 anos, precisamente), o Cantina do Livro deixou de ser um simples "diário" pessoal de bordo. O blog hoje serve como meio de visibilidade, divulgações e, claro, exposições de ideias. Agora, junta-se ao fato de um técnico em comunicação visual recém formado (EU!) e a necessidade de uma repaginada à identidade visual do blog. Eis que surge o novo Cantina do Livro.

 O objetivo primordial disso foi dar originalidade a este espaço. O logotipo anterior, quando criado, não passou de uma adaptação de um modelo free utilizado por um programa vetorial. Agora, o blog conta com um logo que remete diretamente ao nome do mesmo e a ideia que ele busca passar: Devore livros!
 A partir de hoje, o layout do blog e de todas redes sociais sofrerão essa alteração e uma padronização e, como o processo é um tanto longo, conto com a colaboração de vocês caso ocorra algum problema de visualização da página, postagens e entre outros. Gostaram da novidade? Deixe seu comentário e sugestões.

Manual de Identidade Visual:
   

23 de outubro de 2015

Resenha: Vá, Coloque Um Vigia

Título Original: Go Set a Watchman
Autor: Harper Lee
Editora: José Olympio
Ano: 2015
Páginas: 252
ISBN: 975-85-03-01248-5
Avaliação: ★★★★
Sinopse: Jean Louise Finch, mais conhecida como Scout, a heroína inesquecível de O sol é para todos, está de volta à sua pequena cidade natal, Maycomb, no Alabama, para visitar o pai, Atticus. Vinte anos se passaram. Estamos em meados dos anos 1950, no começo dos debates sobre segregação, e os Estados Unidos estão divididos em torno de questões raciais. Confrontada com a comunidade que a criou, mas da qual estava afastada desde sua mudança para Nova York, Jean Louise passa a ver sua família e amigos sob nova perspectiva e se espanta com inconsistências referentes à ética e a pensamentos nos âmbitos político, social e familiar.Vá, coloque um vigia é o segundo romance de Harper Lee, mas foi escrito antes do mítico O sol é para todos, que recebeu o Prêmio Pulitzer em 1961. Este livro inédito marca o retorno, após 65 anos de silêncio, de uma das maiores escritoras americanas do século XX. Segundo romance de Harper Lee, que bateu recorde de número de exemplares vendidos em um só dia superando O símbolo perdido, de Dan Brown.

 20 anos se passaram desde os acontecimentos do incrível O Sol é Para Todos mas a cidadezinha de Maycomb se mantem basicamente a mesma: os mesmos habitantes, as mesmas tradições e, acima de tudo, as mesmas e intensas discussões de uma sociedade segregada racialmente. A narrativa é marcada pela volta de Jean Louise Finch (ou simplesmente Scout) a Maycomb, na década de 1950.

"Embora a aparência de Maycomb tivesse mudado, os mesmos corações batiam no interior das novas casas [...]. Podia-se caiar o quanto se quisesse e instalar cômicos letreiros de neon, pois as velhas vigas de madeira se mantinham firmes sob mais esse peso."
Página 45

 Diferentemente de O Sol é Para Todos, Vá, Coloque Um Vigia é narrada em terceira pessoa, mesmo sendo centrada na visão de Scout. A garota agora vive em Nova York mas a essência da pequena Scout ainda vivem: Seu jeito questionador, observador, explosivo e espontâneo de ser. Suas lembranças ainda estão vivas na sua memória. Outrora, seus ideais divergem com os ideais de maior parte da população Maycomb.

 O livro foi curiosamente "escrito" antes do volume anterior, e talvez por isso, há um fato que mais me incomodou (como a vários outros leitores, creio eu): A estranha mudança de personalidade de Atticus Finch, que se antes foi um advogado responsável por defender um negro quando todo o condado foi contra, agora apresentar um teor intolerante e racista. Ainda assim, mesmo não sendo mais nenhum garoto há tempos, Atticus apresenta a mesma retidão e estilo bem humorado de lidar com as coisas.

"Um homem pode estar fervendo de raiva por dentro, mas sabe que uma resposta serena é melhor do que um ataque de fúria. Um homem pode condenar seus inimigos, mas é mais sensato conhecê-lo."
Página 212

 Vá, Coloque Um Vigia, mantem os bons laços e referencias históricas desenvolvidos por Harper Lee para construção da obra. Se antes tínhamos uma narrativa presente, agora temos um conjunto de memórias de uma linda e inocente infância que não se apagou com as descobertas e medos da maturidade. O livro mantem a simplicidade, a escrita refinada e os momentos de tensão e graça.

 Outros temas que se fazem presente nessa obra é a questão do envelhecimento e do amadurecimento. Calpúrnia, por exemplo, tem sua saúde debilitadíssima pela idade. O próprio Atticus também sofre com os males do tempo. Nem por isso são personagens que deixaram de ser bem explorados.

"Qualquer pessoa no mundo, qualquer um que tenha cabeça, corpo e membros, nasceu com esperança no coração. Isso não está na constituição, eu aprendi isso na igreja ou em algum outro lugar. Eles são gente simples, na maioria, mas nem por isso são seres inferiores."
Página 228

 Apesar de contraditório em alguns momentos e de Vá, Coloque Um Vigia tem evidentemente o dedo de Harper Lee bem presente. Vale as memórias e poder revisitar os nada normais habitantes de Maycomb. Vale a leitura, essencialmente para quem já conhece o livro antecessor.


Parceria: Grupo Editorial Record (Selo José Olympio)
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