6 de novembro de 2014

Resenha: Os Miseráveis

Título Original: Les Misérables
Coleção: Série Ouro - Obra-prima de Cada Autor | 2 Volumes
Editora: Martin Claret
Autor: Victor Hugo
ISBN: 978-85-7232-723-7 (Volume 1), 978-85-7232-724-4 (Volume 2)
Ano Lançamento: 1862
Ano Edição: 2007
Páginas: 1400 (793 Volume 1 | 607 Volume 2)
Avaliação: ★★★★
Scans
Sinopse: A riqueza imagística e formal de sua lírica fez de Victor Hugo o maior poeta francês, e um dos seus mais importantes prosadores. Hugo produziu várias obras-primas, em verso e prosa. Seu monumental romance épico Os Miseráveis (2 volumes), publicado ainda quando estava no exílio, em 1862, foi um dos maiores acontecimentos literários da época, e continua a encantar leitores de todo o mundo. Romance social marcado por uma vasta análise de costumes da França do século XIX, Os Miseráveis revela uma grande complexidade tanto sob o ponto de vista da escrita como da própria trama ficcional, misturando realismo e romantismo. A obra é uma poderosa denúncia a todos os tipos de injustiça humana. Narra a emocionante história de Jean Valjean — o homem que, por ter roubado um pão, é condenado a dezenove anos de prisão, até a sua morte iluminada pelo sofrimento.Os Miseráveis é um livro inquietantemente religioso e político.

Este livro é um drama cujo primeiro personagem é o infinito. O homem é o segundo." Parte II, livro VII, Capitulo I
Volume 1, Página 491

  Primeiramente, gostaria de deixar claro que não irei conseguir transcrever exatamente os meus pensamentos sobre a obra (Anestesiado ainda). A história de Os Miseráveis se passa entre dois momentos históricos da França: Desde a Batalha de Waterloo, em 1815, que representou o fim do sonho imperialista de Napoleão Bonaparte, e os motins em Paris no mês de junho de 1832, quando estudantes republicanos tentaram, em vão, derrubar o regime do rei Luís Filipe I.

  Apresentado o contexto histórico, a história anuncia essencialmente toda a longa e incrível estória de Jean Valjean, um homem que sentiu na pele uma época sofrida. Ele foi preso e enviado a galés para trabalho forçado que, contabilizando fatores subsequentes a isso como tentativa de fugas e outros, acarretou em quase 20 anos de "trabalho escravo". E por que, afinal? Quando criança, Jean perdeu os pais e passou a ser criado pela irmã mais velha. Futuramente ela viria ficar viúva e Jean, já homem, passa a ser o homem da casa, trabalhando para sustenta-los, além dos outros sete (!) filhos da irmã. Sem dinheiro e com fome todos eles, aquela tentativa de roubar um misero pão "dando sopa" viria acarretar em 20 anos de sofrimento e desgraça. Seus parentes? Nunca mais Jean voltaria a ver-los. 

 Depois de confinado e distante do mundo, Valjean veria de perto o repúdio e agressividade de uma população que, além de miserável, era desconfiada de sua própria sombra. Depois de fatigado por caminhar em busca de abrigo e ninguém lhe abrir as portas, Jean viu seu destino cruzar com o Bispo de Digne, Monsenhor Bienvenu, aquele que seria capaz, atraves dos ensinamentos religiosos, re-acreditar na essência humana. Em mais um ato de desespero aliado a fragilidade e usura, Jean viria a roubar os castiçais de prata da igreja. Outro ato perdoado pelo Bispo. A partir dali, a vida do condenado mudaria completamente, ainda que seu eterno carrasco, o Inspetor Javert se torna-se sua "sombra", mesmo que indiretamente.

"Nada como um dogma para criar sonhos. E nada como o sonho para engendrar (sin.: fazer existir) o futuro. Hoje utopia, amanhã carne e osso." 
Página 616, Volume 1

Paralela a história de Jean, conhecemos Fantine, uma garota que viu seu mundo ruir após ser abandonada pelo namorado. Não bastasse as promessas jogadas ao vento, Tholomyès deixaria em sua barriga Euphrasie Fauchelevent, que futuramente seria reconhecida na obra como Cosette. Depois de dar a luz a Cosette, Fantine partiria para sua terra natal em busca emprego. Para isso, ninguém la poderia saber que ela tinha uma filha e não um marido. Por isso, depois de ver e acreditar no amor de um casal com suas respectivas filhas, Fantine decide deixar a pequena filha com aquele casal, enviando mensalmente parte do seu salário para custear as despesas de Cosette. Mal ela sabia do que o casal Thénardier seria capaz. A vida de Fantine também mudaria e muito daquele dia adiante... para pior. 

 Os anos passariam e conheceríamos mais alguns personagens que fariam toda a obra ganhar corpo, como Marius Pontmercy, aquele que viria a ser o amor platonico (ou quase isso?) de Cosette e um dos personagens centrais do segundo volume do livro, o pequeno e "malandro" (no bom sentido) GavrocheEnjolras, um dos estudantes revolucionários.

 Tentando descrever Os Miseráveis em duas palavras: Excepcionalmente fantástico! Não há palavras na terra que possam de fato descrever a imensidão da obra que Victor Hugo conseguiu desenvolver. O esqueleto da obra compõe-se de pouco mais de 1500 páginas e 5 partes (Fantine, Cosette, Marius, O Idílio da Rua Plumet e a Epopeia da Rua S. Dinis e Jean Valjean), cada uma contendo vários livros (divisões, no caso).

 Diferentemente da maioria das histórias fictícias, Victor Hugo conseguiu construir personagens incríveis e reais em um ambiente real para uma sociedade real. Os fatos históricos que envolvia a França durante aquele período foram extenuadamente explorados, não dispensando as tragédias e catástrofes que assolaram a população, não escondendo a verdade, ainda que muitas vezes triste e, quase sempre miserável, fazendo uma alusão ao título mais que justo da obra. Em vários momentos, o autor deixa de narrar a história de fato para mergulhar em pensamentos, conclusões e observações que fazem os olhos brilhar devida tamanha genialidade e precisão.

"Sobretudo nos momentos em que mais é preciso uni-los às realidades pungentes, os fios do pensamento rompem-se no cérebro."
Página 265, Volume 1

  Tentar limitar o que é Os Miseráveis em uma misera resenha seria uma ofensa sem tamanhos para o que representa a obra. Indiscutivelmente o maior (não de tamanho) e melhor livro que eu pude desfrutar em toda minha trajetória literária. Mais que indicado para todos que admiram uma boa escrita e um enredo fantástico. SUPER INDICO. Vale a pena. Leiam. (redundância para ganhar mais leitores vale? huahauhau). De 0 à 5 estrelas, merece 6!

Veja também: 

10 comentários:

  1. Ainda não tive o prazer de ler essa obra. Quero muito, mas não consegui comprar ainda. Espero ficar como você depois que terminar e parabéns pela resenha.

    Blog Prefácio

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    Respostas
    1. Certamente irá. O autor conseguiu criar um livro PERFEITO, com todas a letras.

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  2. Acabei de comprar a edição especial de os miseráveis e é maravilhosa!!! Que bom que sempre vejo opiniões tão boas do livro!

    Beijão!
    Karina
    Livrofagia || Fanpage

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  3. Oi, tudo bom?
    Sempre quis ler essa obra, mas ainda não tive oportunidade.
    Adorei sua resenha, ficou ótima!!

    Beijos,
    Juh ~ http://umminutoumlivro.blogspot.com.br/

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  4. Uau, pelo que falam desse livro ele deve ser mesmo sensacional. Você não é o primeiro a falar dele com tanta empolgação, eu só tenho medo da leitura dele ser cansativa, afinal é um livro do século XIX, essas coisas.
    Carlos, te indiquei a uma TAG, confere lá quando puder. Beijos

    http://blogfalandodelivros.blogspot.com.br/2014/11/tag-livros-superestimados.html

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    1. Não é, te garanto. Ok, as vezes o autor 'viaja' em pensamentos que ele resolveu escrever também no livro, mas não acho que isso se tornou cansativo. Mesmo com 1500 páginas, li muito rápido. Ok, irei responder :)

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  5. Este livro faz parte do time de leituras obrigatórias daquelas que tornam você diferente ao final.

    Muito obrigado pelo resumo de qualidade.

    www.livrosbiografiasefrases.com.br/livros/resumos/resumo-os-miseraveis/

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  6. Olá Carlos, eu li a versão traduzida do livro, versão de Walcir Carrasco. Você acha que tem muita diferença dos livros originais?

    Obrigada

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