29 de agosto de 2014

Resenha: Almas Seladas

Título Original: Algoritmos Sagrados: Almas Seladas
Série: Algoritmos Sagrados, Volume 1
Editora: Modo Editora
Autor: M. L. Pontes
ISBN: 987-85-65588-23-2
Ano: 2012
Páginas: 228 (1ª Edição)
Avaliação: ★★★★
Capa 1ª Edição
Sinopse: No ano de 1992, no dia 29 de fevereiro, duas crianças predestinadas nascem: Layla e Victor. Layla passa por todo tipo de sofrimento, pessoas queridas, morrem em acidentes bizarros, e a cada morte, uma nova cicatriz aparece em seu corpo. Victor ao contrário, tem uma vida perfeita, um garoto que nasceu incapaz de sofrer. Victor e Layla se encontram e se apaixonam, um amor sem limites. O romance tinha um destino certo, à felicidade, mas eles não sabiam que eram peças de um complexo jogo entre o bem e o mal chamado: Algoritmos Sagrados. Uma história paralela ocorre dividindo a atenção do leitor: Rogério, chefe do departamento do CLA descobre segredos que envolvem uma antiga força que, de forma invisível, influencia a vida das pessoas. As antigas perguntas sobre o bem e o mal serão respondidas, e o céu e inferno nunca mais serão os mesmos.

 A trama de Algoritmos Sagrados começa em 29 de Fevereiro 1992 (ano bissexto!), com três contextos intercalados: O primeiro desenrola-se no Centro de Lançamento de Alcântara. Rogério é o engenheiro chefe do departamento da CLA. Sempre mal humorado e impaciente. Descriptografando um programa em seu computador, ele descobriu algo impactante que o deixou abismado. Aqui mora os maiores segredos do livro. 

 Em São Paulo, Cláudia e seu marido Felipe correm contra o tempo para chegar ao hospital, já que ela está para dar a luz ao seu primeiro filho. Algo estava errado, já que estava no 17º mês de gravidez ainda e ela sangrava bastante. Uma série de contratempos levou a óbito a mãe de Layla. Sim, não nasceu um menino como as ultrassons haviam dito. Felipe não perdoou a garota pela morte de sua mulher. Sua avó Fayola (que também culpava a garota) que assumiu a guarda da neta. 

 No Rio de Janeiro, nascia Victor. Filho de Rômulo e Helena, o garoto nasceu super saudável e tranquilamente. Ainda no hospital, Rômulo recebeu uma ligação avisando que as ações que ele havia investido numa pequena empresa subiam assustadoramente: A Microsoft. Alguns anos mais tarde, ele pediria ao garoto pra escolher uma outra empresa (emergente e ainda se firmando no mercado) para fazer um novo investimento (já rico, naquela época), e por achar o logo "bonitinho e colorido", Victor escolheu nada menos que a Google. 

 Nesse mundo de oposições, os garotos cresceram com o peso nas costas. Ela, tinha o "dedo podre" e voltado para morte, já que quase todas as pessoas que conseguiam se aproximar dela morriam da forma mais sem noção possível. Sua avó insistia ainda guardava ódio pela garota. Fatos que acabaram esfriando o coração gélido de Layla. Já Victor, em "berço de ouro com diamantes" tinha o que quisesse, no momento que quisesse. De um Porshe do ano a mulheres cariocas. Passou na faculdade de medicina em 1º lugar, mesmo contrário a sua vontade. Mas, aquele mundo o incomodava. Ele queria viver uma vida como outro qualquer. E o que aconteceria se "água e óleo" se juntassem? Algo improvável de dar certo? É isso que Marcelo Pontes tentou passar nessa trama. 

 A estória é instigante. Há MUITO mistério que prende o leitor facilmente, principalmente ao que diz respeito a "história paralela" que envolve Rogério. Poucas respostas concretas que aumentam a expectativa pelo segundo livro. Quanto a Layla, desenvolvi uma certa empatia pela garota. Em muitos momentos me vi imaginando como ela conseguiu suportar tanta coisa ruim acontecendo a ela e a todos ao seu redor. Parece loucura o que direi, mas achei ela uma fofa! Victor é aquele "playboyzinho" que se incomoda com esse rotulo e pratica a frase do "dinheiro não trás a felicidade". Ele é um sucesso em quase tudo (ou tudo?) o que faz. Errar seria tão difícil assim? 

 Particularmente, acho difícil avaliar Almas Seladas individualmente, já que é perceptível que a trama vai ser muito mais encorpada e explicativa no segundo volume. Nesse livro, as estórias são bem boladas e envolventes, ainda que em alguns casos "extremas" de mais. Os personagens conseguem "criar laços" com o leitor. Ah, por falar nisso, não posso deixar de citar Carol e Carlão, dois personagens hilários e loucos da trama. Outro fator que me agradou bastante foi a originalidade do enredo, ainda que aparentemente pareça ser algo já lavado no mercado literário (o mocinho azarado e a mocinha sortuda e vice-versa). Ponto positivo pro livro. Como ponto negativo (será que isso seria tão negativo assim?) a forma como os personagens interagem em alguns momentos é um tanto "formal" demais. Poderia ser mais leve. 

 No contexto geral, apreciei bastante a leitura da obra. Irei ler o segundo livro com toda certeza. Preciso de respostas, principalmente para o final desse volume 1 - QUE FINAL!  - que me surpreendeu. Super indicado pra você que gosta de romance, ação, aventura, suspense... Enfim, para todos que queiram apreciar uma boa literatura nacional. 

26 de agosto de 2014

Resenha: Clarissa

Título Original: Clarissa
Editora: Globo
Autor: Érico Veríssimo
ISBN: 8525005029
Ano: 1989
Páginas: 192
Avaliação: ★★★
Sinopse: Clarissa vem de uma cidadezinha do interior para estudar na capital, Porto Alegre, onde mora na pensão de tia Eufrasina. Acompanhando o olhar da jovem alegre e otimista, Érico Veríssimo narra o despertar da consciência do mundo em uma adolescente. Clarissa retrata o cotidiano numa pensão familiar na Porto Alegre da década de 30 e, ao mesmo tempo, as convulsões do Brasil e do mundo naquele período.

 Érico Veríssimo (1905 – 1975) gaúcho, escritor, bancário, farmacêutico, tradutor e redator. Veríssimo tem estilo único, traz a verdade de forma simples e verossímil, como em Clarissa.

 Clarissa é um daqueles livros que se deve levar para a vida. Mostra detalhes de um cotidiano considerado monótona a partir dos olhos de uma jovem curiosa, Clarissa. Uma leitura leve, que flui rapidamente, boa para aqueles que gostam de sentir emoções nas pequenas coisas da vida, que veem através de olhos infantis, se questionando a respeitos de coisas vistas como triviais. 

 Clarissa é atenta às pessoas ao seu redor, principalmente a Amaro, um moço que mora na pensão de sua tia Eufrasina, ele tem os olhos baixos e a tez infeliz, vive imerso em seus pensamentos. E, também há Tonico, filho da vizinha que teve sua perna amputada devido a um bonde. Ela se preocupa com a criança que gostaria de se tornar um soldado quando crescesse e indaga a Deus por que uns tem tanto e outros tão pouco. Porque as pessoas pobres financeiramente sofrem mais que as ricas. 

 Clarissa é uma jovem de 13 anos que se vê mudando, ficando mais velha, mais bonita, se tornando mulher.

 Dentro de pouco tempo tudo vai mudar. Mamãe já prometeu em carta: Quando fizeres quatorze anos eu te dou licença para botar sapato de salto alto. Tudo então ficará diferente. Ela deixará as bonecas. Será uma moça, uma senhorita que os rapazes na rua cumprimentarão atenciosamente, tirando o chapéu. E ela responderá com um aceno de cabeça, e um leve sorriso. Passará serenamente, e eles ficarão dizendo elogios."

 Érico trata de sensibilidade nesse livro, faz do cotidiano algo aprazível, bom de se viver. Colocando carinho e ternura em cada ação do dia a dia, conseguiu captar a essência da vida. Andamos tão apressados por causa da rapidez que o modernismo trouxe que muitas vezes não reparamos a existência de coisas tão bonitas à nossa frente, como uma menina tornando-se mulher.

 O livro flui assim, leve, sereno, não há reviravoltas, grandes emoções, traições, segredos. É a parte boa e ruim dele. Para quem gosta de tranquilidade e sossego em leituras, é perfeito. Para quem gosta de emoções, ele deixa a desejar. Clarissa é diferente de Ana Terra, que tem grandes emoções, mas tem um enorme valor. Sensibilidade, carinho, vida. Clarissa não é algo surreal, pelo contrário, basta abrir os olhos para vermos que existe uma Clarissa dentro de nós.

 Não é o tipo de leitura que eu recomendo para quem está começando a ter contato com a literatura nacional, mas sim para aqueles que já têm certa afinidade.

21 de agosto de 2014

Resenha: O Mago de Camelot

Título Original: O Mago de Camelot - A Saga de Merlin Para Coroar Um Dragão
Editora: Novos Talentos da Literatura Brasileira (Novo Século)
Autor: Marcelo Hipólito
ISBN: 987-85-428-0059-3
Ano de Lançamento: 2013
Páginas: 151
Avaliação: ★★★★★
Sinopse: De uma infância pobre e sofrida à irresistível ascensão aos salões dos grandes reis; de um começo sem esperanças ao despertar de um poder inigualável e temido, Merlin vem a se tornar o homem mais influente da Idade das Trevas. Confidente supremo do rei Artur e maior conselheiro da corte de Camelot. Misterioso e enigmático. Amado e odiado. Druida, monge e mago. Na Britânia do Século V da Era Cristã – abandonada pela queda do Império Romano à barbárie dos invasores saxões –, Merlin surge para impor um novo tipo de rei a um povo abatido e desesperado, alterando, para sempre, não apenas o destino dos britânicos, mas de toda a humanidade. A saga de um homem determinado a erigir uma civilização de paz e justiça numa terra devastada pelo caos e pela guerra irrompe em uma aventura épica e brutal que equilibra realismo duro com doses amargas de magia.

 A vida de Merlin nunca foi fácil. O garoto cresceu na cidade Britânica de Ratae com seu irmão (um ano mais velho) e protetor Nennius e uma mãe prostituta e que explorava-os e incentivava-os a roubar. Graças ao sofrível parto de Merlin, ela ficou impossibilitada de engravidar novamente, fato este que ela amaldiçoa seu filho caçula até hoje. 

 Graças a um assalto mal sucedido, os garotos foram capturados e jogados num imundo calabouço da fortaleza de Ratae para "apodrecerem" lá. Nennius e Merlin definhavam ali, além de terem que sobreviver às agressões dos seus companheiros de cela. 

 Enquanto isso, o atual rei Constantino foi vitimado em uma emboscada criada pelo seu conselheiro Vortigern, "O Usurpador" (assim denominado após assumir o trono). Seus dois filhos Uther e Aurelius foram salvos pelo druida Blaise, fiel às vontades da Natureza (uma espécie de deus, se pode-se assim chamar). Sete meses depois, Blaise resgata os garotos Nennius e Merlin, sem saber eles que estavam sendo levados para um sacrifício de sangue em "favor" de Vortigern. Devido a pequenos fatos (não falarei para aguçar a curiosidade de vocês), Nennius é morto e Merlin termina sendo salvo pelo próprio druida, que, seguindo as ordens da Natureza, decide partir para Avalon e salvar o garoto e treina-lo para se tornar um druida. 

 A Natureza consagrava cada druida com um dos elementos — água, ar, fogo e terra — e logo Merlin descobrira-se servo do fogo.

"[...]O destino é implacável. Mas lembre, [...] nós sempre temos escolha. O futuro não está definido. Ele é fluido, incerto, moldado segundo nossas vontades."
Página 96

 Poderia me alongar e muito aqui explicando detalhes maiores da história ou o que viria a partir daí, mas adiante disso, acho que largaria muitos spoilers sobre o livro, então prefiro aguçar a curiosidade de vocês.

 A história que Marcelo Hipólito desenvolveu conseguiu ir além da minhas expectativas. Há uma simplicidade na forma que ele escreve que me encantou (ainda que a obra seja escrita de maneira rebuscada - ÓTIMO!).  A narrativa é objetiva e sem rodeios desnecessários, não cansando tanto quem lê quanto os personagens/narrador da história (sim!).

 O livro é dividido em duas partes (Trevas e Luz), além de termos mais quatro "subdivisões" indiretas, sendo elas caracterizadas por quatro reinados diferente. Sim, tudo isso acontece em apenas 151 páginas, o que, ao meu ponto de vista, acontece um tanto rápido mas não desmerece a obra.

 As batalhas e cenas são sangrentas, fortes, empolgantes, impactantes e bem descritas. Há uma enfase muito forte do autor em deixar evidente a ganancia de alguns personagem pelo poder e a arrogância deles ao conseguir, algo não tão diferente ao rotineiro da nossa trágica vida real.

 Uma estória medieval sensacional e que me conquistou de verdade. Mais uma vez, afirmo que superou minhas expectativas (que não eram poucas). Nota 8/10.

20 de agosto de 2014

Nova Colunista/Colaboradora #2

Olá pessoas! 

 Diante de uma evidente ausência de resenhas voltadas aos romances literários (Nicholas Sparks, por exemplo), hoje venho apresentar alguém que ficara responsável por publicar, a cada mês, uma resenha de algum livro do gênero: A Gabriella Duarte. Um pouco mais sobre ela aqui :

 Gabriella Duarte, 22 de setembro de 1993, mas na verdade habita em mim uma idosa de 80 anos. Paulista do Rio de Janeiro what?. Estudante do último período de pedagogia e professora de inglês das séries iniciais. Apaixonada por romances, tanto os vividos e principalmente os contidos em livros.

Favoritos:
Livro: Querido John;

Série Literária: Harry Potter;
Filme: Forrest Gump;
Série de TV: Revenge, The Vampire Diaries;
Ator: Tom Hanks, Adam Sandler, Ian Somerhalder;

 Por tanto, em breve vocês verão, com mais regularidade resenhas desse "ramo" literário por aqui. Agradeço a Gabriella por aceitar o convite e bem vinda ao Cantina do Livro!

16 de agosto de 2014

Resenha: Os 13 Porquês

Título Original: Thirteen Reasons Why
Editora: Ática
Autor: Jay Asher
ISBN: 9788508126651
Ano de Lançamento: 2009
Páginas: 256
Avaliação: ★★★★
Sinopse: Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra um misterioso pacote com várias fitas cassetes. Ele ouve as gravações e se dá conta de que foram feitas por uma colega de classe que cometeu suicídio duas semanas antes. Nas fitas, ela explica que 13 motivos a levaram à decisão de se matar. Clay é um deles. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

  ❙❙  ∎

  13 fatos que faria a vida de diversas pessoas mudar drasticamente, inclusive a vida de Clay Jensen. Tudo começaria há alguns meses quando sua colega de turma (e amor platônico de Clay) Hannah Baker cometeu suicídio. Ninguém sabia ao certo "o que dos porques" que a fizera tomar tal atitude, mas ela tinha total consciência do que passou até ali. Tanto que, para explicar "ao mundo" o que a levou a isso, Hannah decidiu enumerar e gravar, em sete fitas distintas, as 13 razões/pessoas que contribuíram para tal decisão. Aquém a elas, um mapa marcado com cada lugar citado nas fitas.

  O processo era simples: a primeira pessoa citada nas fitas recebeu uma caixa contendo as sete fitas. A pessoa teria que ouvir até o fim e, independentemente de sua parcela de culpa ser maior ou não, teria que passar as fitas para a segunda pessoa da lista, e assim por diante. Ah, e se uma das pessoas decidisse não passar a diante seus segredos? Não teria problema, Hannah assegurou que caso alguém tomasse essa atitude, todo resto da cidade ficaria sabendo das fitas, mesmo ela já estando morta (não sei como, mas ela garantiu).

Em busca de respostas para perguntas que eu não sabia como fazer."
Fita 2, Lado B

 Voltando a Clay. Ele recebeu aquela caixa. Ele estava na lista e não sabia o motivo. Nunca havia feito nada a Hannah. Por que ele estava nessa lista? Começaria ali uma longa jornada do Clay com os fones no ouvido, passando por cada lugar listado naquele mapa, buscando respostas e surpreendendo-se (e aos leitores) com a trágica passagem de Hannah na terra.

  Se há uma palavra para dizer o que achei do livro, essa seria Excelente! Os 13 porquês contem uma carga de mistério e emoção que faz o leitor mergulhar de cabeça na estória. Impossível, mesmo em tão poucas páginas, desenvolver um afeto e apreço por Hannah Baker, ainda que seja uma mera narradora (e narradora morta!) indireta na trama. Os sentimentos de Clay enquanto ouvi as fitas também são bem descritos e expostos. Várias lições podem ser absorvidas com o enredo, desde o poder de uma fofoca criada para desmerecer uma pessoa ou exaltar supostos méritos de outra à uma simples "brincadeira". Há alguns pontos que achei um tanto exagerado na trama, mas que não fez cair o rendimento ou o resultado final da obra.

 Depois de muito tempo na expectativa pra ler esse livro, agora posso dizer que valeu a pena. Jay Asher acertou em cheio na escrita e na história desenvolvida por ele. O mais complicado na leitura é você conseguir largar o livro (prova disso foi lê-lo em duas tardes). Muito indicado, seja você admirador de romance, mistério, drama, suspense...

► ❙❙  

12 de agosto de 2014

Resenha: Os Diários Secretos de Agatha Christie

Títulos das Obras: O Incidente da Bola de Cachorro / A Captura de Cérbero
Editora: LeYa
Autor: Agatha Christie / John Curran
ISBN: 978-85-62936-27-2
Ano de Lançamento: 2011
Páginas: 95 (cada)
Avaliação: ★★★★ ★★
Sinopse: Setenta e três diários pessoais. Dois contos inéditos de Poirot. Uma vida inteira de mistérios. O mundo de Agatha Christie finalmente desvendado! Quando Agatha Christie morreu, em 1976, com 85 anos de idade, ela era a autora mais conhecida do mundo, com seus livros ultrapassando os dois bilhões de cópias vendidas e traduzidos em mais de cem países. Além disso, Christie alcançou o que se julgava impossível - a partir de 1920, publicou mais de um romance por ano: cada publicação um best-seller. Em 2004, um incrível legado foi revelado: Descobertos entre outros objetos deixados na casa da família de Christie estavam seus diários - 73 cadernos escritos à mão com notas, listas e desenhos que apresentavam seus planos para diversos livros, peças e contos. Entre essas relíquias, observações, pistas e notas sobre seus famosos livros, que fascinaram gerações de leitores. Repleto de detalhes que a modesta autora jamais revelou, Os diários perdidos de Agatha Christie inclui reproduções das páginas originais de seus cadernos e cartas, e, ainda, a publicação de dois contos inéditos de Poirot. Imperdível.

 Em dois livros distintos, John Curran trouxe a tona contos de Agatha Christie nunca antes publicados, escritos por ela e permanecidos em seus diários até então. No contexto geral, os contos O Incidente da Bola de Cachorro e A Captura de Cérbero possuem a marca registrada de Agatha, com sua simplicidade e objetividade. Poirot mais uma vez em evidencia como a chave para resolver dois mistérios que instigam o leitor. Mais dois casos para o querido detetive tentar e conseguir resolver.  

O Incidente da Bola de Cachorro

 Neste conto narrado pelo Capitão Hastings (fiel escudeiro de Poirot), conta a história de Miss Matilda Wheeler. Ela decidiu o escrever uma carta um tanto perturbada, indecisa e sem "nada de mais" ao detetive. A carta apenas citava um incidente da bola de cachorro (que mais tarde seria explicado). O problema era que a carta havia sido escrita (de acordo com a data) há 4 meses atras e só então havia sido enviada. Curioso, Poirot decide investigar o motivo real do contato. Logo, Poirot descobriu que a mulher havia morrido de atrofia amarela do fígado dias antes da carta ser enviada ao receptor. Outro fato que deixa o leitor com a pulga atras da orelha foi a madame ter mudado seu testamento dias antes de sua morte. 

 A resolução do problema é, como sempre, objetiva e baseada em fatos todos enunciados nas paginas do livro. Agatha de um texto curto conseguiu desenvolver uma história interessante e que não foge ao seu estilo de escrita. Nota 4/5 ao primeiro conto.

 A Captura de Cérbero

 O mundo vivia um momento de grande perturbação. A qualquer minuto, o golpe poderia ser desferido e mais uma vez a Europa/Mundo poderia entrar em guerra. O conto trás a estória de Hans Lutzmann, um jovem acusado de assassinar o líder ideológico Hertzlein, personagem visivelmente inspirado em Adolf Hitler, tendo como base suas características físicas, personalidade e o contexto histórico. Keiserbach, pai de Hans, acredita que seu filho não foi o culpado pela morte de Hertzlein e por isso pede ajuda a Poirot para a resolução desse caso. 

 O livro põe em foco o instinto de Hércule Poirot. Porque Sr. Lutzmann não acredita que seu filho assassinaria o Her, se todos fatos provam que sim? O história é um tanto rasa (não entendam como ruim) mas ainda assim desperta a curiosidade intensa do leitor. A leitura flui facilmente. O mistério, quando resolvido é um tanto surpreendente e interessante, o que dá pontos positivos à trama. Nota 3/5. 

8 de agosto de 2014

Eu Indico: Coleção Clássicos da Literatura em Quadrinhos

Olá pessoas!

 Hoje venho [re]apresentar a vocês uma coleção que já havia citado a um certo tempo aqui no blog, mas que agora "voltou" a tona. Trata-se da coleção Grandes Clássicos da Literatura em Quadrinhos. Anteriormente publicada apenas pela Editora L&PM, a série de livros reapareceu agora como coleção da editora DelPrado. Semanalmente será publicado uma das histórias, que teve como primeiro lançamento "A Ilha do Tesouro", uma das grandes obras do escritor Robert Louis Stevenson.
HQ "A Ilha do Tesouro". Volume 1 da Coleção
 O primeiro volume custará R$ 6,90, e o segundo terá um custo de R$ 14,90. Os demais serão vendidos por haha R$ 24,90. Todas as edições são em capa dura e, juntas (como toda coleção tende a ser), formam uma imagem em sua lombada. 

 
 

 Não precisa dizer da qualidade das HQs, seja das histórias, tanto como adaptação como o enredo em si ou como o exemplar (formatação, diagramação, desenhos, etc). Não sei se irei colecionar todos devido o fato de o preço ser um tanto elevado para uma coleção semanal, mas irei adquirir mais algumas.

 Como ainda não foi lançado em todo o Brasil, quem tiver interesse na coleção poderá compra-la diretamente no site/loja da DelPrado

2 de agosto de 2014

Resenha: Divergente

Título Original: Divergent
Série: Divergente
Editora: Rocco (Jovens Leitores)
Autor: Veronica Roth
ISBN: 978-85-7980-131-0
Ano: 2011
Páginas: 504
Avaliação: ★★★
Sinopse: Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto. A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é e acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive.


 O mundo não é mais o mesmo. Numa Chicago futurista, a o contexto que temos de sociedade passa a ser inexistente. Agora, a sociedade divide-se em cinco grupos denominados de facções, na qual cada uma delas é responsável pela manutenção da cidade e as pessoas vivem em cultivo a sua virtude especial. As facções são a Amizade (Paz), a Audácia (Coragem), a Franqueza (Sinceridade) a Erudição (Inteligência) e por ultimo a Abnegação (Altruísmo), facção da nossa personagem central Beatrice Prior. Ela mora com seus pais e seu irmão Caleb, mas não leva muito jeito para a coisa altruísta de ser. 

 Aos dezesseis anos, as pessoas são submetidas a um teste de iniciação, teste esse capaz de revelar para qual das facções aquela pessoa tem mais aptidão a servir, independentemente de qual tenha nascido. Caso o teste não defina a facção da pessoa, ela passa a ser considerada um sem-facção (um morador de rua dos tempos "modernos"). Eis que os testes de Tris revelam algo raríssimo de se acontecer. Ela teria que fazer uma escolha que não só mudaria sua vida como a de muitas todas pessoas.

"O abismo serve para nos lembrar que há um limite tênue entre a coragem e a estupidez."
Pagina 72

 De primeira mão, confesso que não esperava nada do livro, já que aparentemente tem uma fórmula maçante e castigada atualmente: Uma distopia com uma mocinha pra salvar a sociedade e o "poder na mão do homem acima de tudo". Porém, decidi tentar a lê-lo, já que cada livro possui sua singularidade. Uma estória que possui momentos de altos e baixos (mais altos que baixos) e que prende o leitor facilmente. Tris não é daquelas personagens que te enche com pensamentos soltos e indecisões sobre "a vida e o tudo mais". A característica decidida dela faz valer os momentos de emoção do livro. Outros personagens como Quatro (a ancora de Tris) e Caleb também ressaltam os pontos positivos da trama. As cenas de ação são bem retratadas e desenvolvidas pela autora na maioria das vezes, o que também faz valer a leitura. 

 Só que ai vem o ponto contraditório: Apesar de ter gostado do livro no geral, achei meio vago e que faltou alguma coisa, faltou empolgação. Mais uma vez o romance que insistem em criar me incomoda. Basicamente, você já consegue perceber nas primeiras páginas como ele vai se desenvolver. Os personagens no geral não são bem conectados um com o outro. O final é um tanto confuso. É tanta coisa ao mesmo tempo que um deslize e você se perde. 

 Ainda que o livro não seja algo tão surpreendente ou fascinante, tem sim seus méritos e faz valer a pena a leitura. E por mais que induza a isso, não queira ler comparando a Jogos Vorazes, fato que já vi incansavelmente nas redes sociais, como se Divergente fosse alguma sequencia da série. Cada um no seu quadrado, pessoas... 

 Ah! Para findar a resenha, faço a indicação do livro/ebook paralelo ao livro que se chama Quatro Medos, que reconta a cena do arremesso de facas (quem já leu deve-se recordar) na visão do personagem Quatro. 

Trilogia Divergente:
  1. Divergente
  2. Insurgente
  3. Convergente
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