30 de abril de 2014

Resenha: Marina

Título Original: Marina
Editora: Suma das Letras
Autor: Carlos Ruiz Zafón
ISBN: 978-85-8105-093-5
Ano: 2011
Número de páginas: 202 (eBook)
Avaliação: ★★★★★ 
Sinopse: Na Barcelona dos anos 1980, o menino Óscar Drai, um solitário aluno de internato, conhece Marina, uma jovem misteriosa que vive num casarão com o pai idoso. Em passeios pela cidade, os dois presenciam uma cena estranha num cemitério e se envolvem na resolução de um mistério que remonta aos anos 1940. Numa tentativa inútil de escapar da própria memória, Oscar abandona sua cidade. Acreditava que, colocando-se a uma distância segura, as vozes do passado se calariam. Quinze anos mais tarde, ele regressa à cidade para exorcizar seus fantasmas e enfrentar suas lembranças - a macabra aventura que marcou sua juventude, o terror e a loucura que cercaram a história de amor.


 Em êxtase! É assim que escrevo a resenha desse livro.


 A estória criada por Zafón (já quero ler outro dele!) trás a tona a vida do jovem Oscar Drai, um garoto que vivia "abandonado" pelos pais num internato em Barcelona. Para "esvaziar" a sua pensativa mente, ele criou o habito de passear pelas ruas da cidade sempre no final da tarde, quando terminava suas aulas. Apaixonado pelas construções tipicas da época, Óscar se vê atraído por um casarão aparentemente abandonado. Curioso como ele, decidiu conhecer o interior daquele local. Numa segunda ida (dessa vez obrigado pela sua consciência, por ter "roubado" um relógio que lá encontrou e que pretendia devolver), ele conheceu a jovem Marina e seu pai Gérman, um senhor doente mas perspicaz, bondoso e humilde. Ambos viviam ali quase que desapercebidos. 

 Uma longa e intensa amizade surgiu entre os três que, a partir daquele dia se tornaram uma nova família de Óscar. Acostumada a aventuras e aliada a seu novo parceiro que conhecia cada palmo daquelas redondezas (ou quase todos), eles se veem instigados a "seguir" uma mulher de véu negro que, segundo Marina havia contado, costumava visitar o mesmo mausoléu sem nome, apenas com um desenho misterioso de uma mariposa negra. Logo eles se deparam envoltos a um grande mistério que assolou a cidade de Barcelona há alguns anos antes deles dois pensarem em existir.  

 Sabe o que é pegar um livro pra ler, sem propósito nenhum e se apaixonar completamente? Pois foi isso que aconteceu. A principio, eu acreditava que o livro seria um drama, já que não havia nem lido a sinopse mas queria conhecer a escrita do tão falado Zafón. Surpreendente. 

 Uma criação que consegue envolver mistério, drama, romance, aventura, suspense e até um toque de terror! Óscar é um personagem que conta sua história através de uma lembrança de 15 anos atrás, quando ele ainda vivia ali. Um jovem simples, inteligente e curioso, ainda que tenha seus medos a flor da pele em alguns momentos. E Marina? Ah, Marina... Uma das personagens mais cativantes que conheci na literatura. Não possui uma beleza deslumbrante mas tem um gênero e personalidade que atrairiam muitos. 

 A história que é contada, faz questão de esclarecer pontos de todos os personagens que são citados e que marcam o mistério que envolve o livro. Passado e presente se intercalam. O final é sensacional e demasiadamente triste, principalmente se você se envolver com a trama como eu. Típico livro que você termina e fica horas refletindo sobre aquilo que foi lido. Enfim, deixando a emoção falar mais que a razão nessa resenha, digo que este foi o melhor livro lido até então em 2014.

Trechos escolhidos:
"A natureza é como uma criança que brinca com as nossas vidas. Quando cansa dos brinquedos quebrados, ela os abandona e substitui por outros. [...] É responsabilidade nossa recolher as peças e reconstruí-las."
Página 94
"A vida concede a cada um de nós apenas alguns raros momentos de pura felicidade. Às vezes são apenas dias ou semanas. Às vezes anos. Tudo depende da sorte de cada um."
Página 154
"Afinal de contas, que tipo de ciência é essa, capaz de colocar um homem na lua, mas incapaz de colocar um pedaço de pão na mesa de cada ser humano?"
Página 40
"Se as pessoas pensassem um quarto do que falam, o mundo seria um paraíso."
Página 92

6 comentários:

  1. Oi Carlos, sou suspeita para falar de Marina, pois esse livro é um dos meus xodós. Vi, pela sua resenha, que é o primeiro livro de Zafón que você lê, então te indico a ler os outros dele, que também são sensacionais, em especial, A sombra do Vento e O jogo do anjo. Abraços, Eva.

    blogfalandodelivros.blogspot.com.br

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    1. A Sombra do Vento já está na minha lista de leitura. Na verdade, esse iria ser o primeiro que eu ler, mas optei por Marina. Obrigado pela dica!

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  2. Estava querendo ler esse livro...
    Depois da resenha, anotei na minha lista de futuras leituras!
    Falou tão bem que fiquei com vontade de ler agora!
    Desse autor só li A sombra do vento... Vou buscar mais...
    Até! - http://resenhasdalu.blogspot.com.br/

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  3. Também adorei Marina, Carlos! Foi o primeiro Zafón que li. Mês passado terminei "O Prisioneiro do Céu" e indico muito os três livros da série Cemitério dos Livros Esquecidos.
    Beijo!
    http://maquiadanalivraria.blogspot.com.br/

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  4. Carlos, parece que essa foi a sua primeira experiência com Zafón, certo? Comigo foi exatamente assim... meu primeiro contato foi com Marina, e eu fiquei tão encantada quanto você. Uma leitura envolvente e muito bem desenvolvida, de fato. Quero mais Zafón, ahahahaha. Adorei sua resenha... dá para sentir sua empolgação daqui. :D

    Um abraço!
    http://universoliterario.blogspot.com.br/

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  5. Hey :)
    Sempre achei a premissa desse livro meio confusa, o que me atrai e ao mesmo tempo me repele. Aí eu fico entre o mistério da trama e o medo de não gostar ¬¬ Mas quero ler um livro do Zafón, e acho que vou começar por esse já que não é série, pq né...
    sete-viidas.blogspot.com

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